CAMPO DOS GUAICURUS

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O Mundo Gay e o Frankestein de Shelley.





Nesta semana ouvi alguém dizer de forma estúpida: 

"esse é o mundo 'deles' é o mundo gay deles"... (?).

Obs. Tenho consciência de que falo aqui com o risco de dizer bobagens ou mais que isso. Pois toco em um nevrálgico ponto social que na verdade não deveria existir, pois realmente somos todos, sem exceção, diferentes uns dos outros, e deveríamos nos aceitar sempre assim, não somente nas igualdades, mas nas milhares de diferenças que temos uns dos outros.

A violência contra os gays são de ampla e profunda diversidade. São atacados em toda forma, em toda escala de violência. As fontes geradoras da má vontade (ativa) social contra os gays são de diversa ordem, e por incrível que pareça, gays atacam gays, quanto aos procedimentos; isso é particularmente comovente, no sentido negativo. 

A babel que essa palavra "gay" desperta  talvez terminaria quando a sociedade percebesse que, factualmente, isso não deveria ter importância. Quando a palavra gay se dilui na humanidade, é anulada, em si, pelo amor; perde todo o sentido, naquilo que realmente se trata de um nada; que não existem gays, assim como não existem nativos, não existem negros, brancos, não existem executivos ou garis, no mundo humano. Esse absurdo, que nada tem de maluco ou provocativo encontra concordância em vários gays que lutam justamente por isso, pela anulação da importância da questão ou na palavra; quando você disser "ei branquelo" for tão nulo quanto disser "ei negão".

Deveria haver um "mundo gay"? Não! Tanto quanto não deveriam haver Frankesteins; que em literatura é um símbolo de defesa contra a estupidez do mundo.

Sim. O ataque de Frankestein ao mundo é uma devolução chamada DEFESA. Primeiro ele é ingênuo ao ponto de pensar que é aceito, e então, aos poucos percebe como é realmente encarado por aqueles que inventaram o amor, através de suas muitas instituições, passando pela família tradicional, patriarcal, e as igrejas em geral; em como as pessoas determinam costumes e fazem destes, verdadeiras pedras que constroem e cristalizam o ser social.

O "mundo gay" é como Avalon, pode sumir quando não mais houver necessidade dele, quando o mundo é somente um: humano. Mas, por enquanto, ele tem que existir, para defender-se; para realizar a genuinidade de seus amores e gostares.

É AÍ QUE ACABA A DIFERENÇA entre Frankestein e o Mundo gay.

Porque, na realidade,  e por mais que no avanço da ciência e as relações sociais se busque a imposição de amplos sufrágios, se Frankestein e o Mundo Gay é melhor aceito nos papéis de literatura ou a partir dela (cinema, novelitas, etc.) o último não tem saída. Frankestein fica, no final da história, protegido pela literatura e mundo imaginário, pela morte, lá onde nasceu e viveu, na manifestação da prodigiosa mente de Shelley. Já, o MUNDO GAY, não, não mesmo; esse tem que vir à vida e sua estupidez, tem que existir e trabalhar contra si próprio, finalmente, a favor de sua anulação, de quando realmente é apenas tão mundo que ninguém percebe que o amor é espírito, muito mais que encontro e frisson de carnes.

E Shelley, visivelmente, construiu Frankestein para verificarmos que o problema básico de termos "inventado" o amor e o enriquecimento atômico é que nos comportamos como imbecis com o que inventamos, precisamos ir adiante e não conseguimos, precisamos transformar o amor em amor, e não conseguimos ainda; mas precisamos; precisamos anular os nichos até que só o sejam com a mesma finalidade que se busca um "blues bar", um sertanejo" bar; o momento efêmero em que a especificidade toma a coroa social sobre a mais importante, a humana.

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