CAMPO DOS GUAICURUS

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sábado, 7 de fevereiro de 2015

A LENDA DA MOÇA DE LÁGRIMA DE CRISTAL











Nossa memória é muito frágil para cumprir funções em que às vezes a sobrecarregamos; como conservar números e letras de senha, para acessarmos este ou aquele sítio de internet ou de outra natureza. 

Eu havia, mais uma vez, sobrecarregado minha memória e penei, já quase desistindo de acessar novamente meu blog, que deixara abandonado por tanto tempo, consegui, porém, um resgate; e o que havia de falha era ainda pior; esquecera o e-mail correto de acesso. Não foi nada fácil, mas, já quase desistindo, como disse, e montando novo blog, consegui. E por que o empenho?

Por que há, sim, coisas que jamais nos saem da memória. Como a Princesa de Lágrima de cristal.

Ela apareceu de próximo ao Lago da Universidade Federal; em mistério; com voz na mansidão das princesas de encantamentos, com enigmas tão ao mesmo tempo tão próprios e tão dados a quem recebia sua atenção. Branca; pele alva como a neve; os cabelos negros; os olhos de uma beleza particularmente principesca. Tinha seu príncipe; mas pouco dele nos era dado; de sua origem só o que achava ser suficiente; vinha mais aos nossos mundos que nós ao dela.

Os homens comentavam de sua sensualidade de mulher moça, as mulheres comentavam de sua sensualidade de mulher moça; da atração que exercia; mas era evidente que ela apreciava de todos ali o distanciamento nesse sentido; tinha seu eleito à época; que desfez adiante, mas continuou a exercer o amor de princesa; sempre com ela própria a tecer as alianças... Me lembro que fez um pequeno jogo, mas o passou; o passou e voltou-se ainda mais para seus mistérios; suas buscas...  Lembro-me de sua voz, quando narrava um pouco mais da parte familiar de seu reinado... Era frágil, mas só aparência, tinha a consciência que as princesas têm de coisas e atos.

E tinha uma lágrima mágica; tem uma lágrima mágica, aquilo era fascinante; aquilo é fascinante...

Me fascinava aquela lágrima; que ela ou deixava cair; ou charmosamente enxugava; parecia-me que cada uma daquelas lágrimas era do grande entendimento que a fazia amiga de todo o Gabriel Gabo, do moço em que lhe rodeavam mil borboletas o tempo todo... Macondo... Cada lágrima daquela respondia por um mistério de um conjunto infinito deles.

Aquela princesa, fada em muito de si, tem em seu nome, saudades; sinto saudades do privilégio daquela amizade; um dia ganhei dela uma camiseta em meu aniversário... E íamos ao caminho, às vezes; haviam outros; outros haviam; mas ela sabia como ser o centro mágico das coisas...

Então sumimos um do outro... Como se rompesse uma magia e dois seres altamente íntimos de prosa, se tornassem estranhos. As coisas do tempo e o próprio tempo torna sua caminhada em destinos que são destinados... E a reencontrei, estava alcançando coisas que buscava em voos ordinários; se compunha na obrigatoriedade de se suster...

Mas, como é no mundo mágico;

Aos poucos se recompôs, a verdade da lenda; a moça de Lágrima de Cristal, sai da Princesa de Lágrima de Cristal, é realidade mágica novamente; a lágrima brilha, sempre uma única lágrima, um único significado, naquele universo líquido, só dela... Sinto saudades... E Ela acionou o retorno do blog; saudades... Mas ela é sempre ela e sempre soube me fazer feliz... A Moça de Lágrima de Cristal... 

3 comentários:

Anônimo disse...

Uauuuuu que texto lindo, muito obrigada!!! E olha só que é que eu encontro justamente hoje??? rssss
Que venham muitos pensamentos Sempiternos, estarei sempre por aqui para apreciar bons textos e boas ideias, super abraço e sucesso :)

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Obrigado; foi maravilhosa a coincidência de te encontrar, justamente quando estava envolvido com o retorno ao blog, impulsionado pelo carinho que te tenho. Menina, você é mesmo magia, foi comprovado :) . Te adoro, no final de semana outra blogada; bjjjuuu.

marilei moraes disse...

Sempre achei que os textos poéticos, surreais e melancólicos combinassem mais comigo nas minhas fases digamos,não agressiva do pensar; mas vejo que o poeta Sempiterno também se deixa sonhar ,e nem sempre é enigmático ou amargo.
Gostei do que li. Afinal, sou meio fada meio bruxa e esse texto me encantou pela suavidade.