CAMPO DOS GUAICURUS

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sexta-feira, 13 de julho de 2012

LÚCIFER.ELOÁ.FRAGMENTOS.RASCUNHOS.IMPORTADOSDOFACEBOOK




REFERÊNCIA DA IMAGEM: glauciafranchini.blogspot.com

FRAGMENTOS. RASCUNHO.


Quando grávida, a mãe de Eloá, nos primeiros meses teve alucinações. Sua barriga prenha lhe pregava peças, parecia ouvir cantos nítidos, vindos de onde estavam líquido e criança. Era uma mulher firme, de fibra, jamais se acovardara perante qualquer situação, com seus papéis de menina, moça, depois mulher casada por prometimento. E calava, de sua parte, qualquer manifestação que pudesse tirar o equilíbrio de sua rotina implacável.


A duras penas transformou a penúria do sexo com um homem longe de ser quem escolheria de sua vontade própria, em algo capaz de ser aceito pelo seu corpo e sua alma. Agradecia que pelo menos o homem tinha higiene própria, e apesar de passar longe dos entendimentos sobre as gentilezas todas que devem ser dirigidas a uma mulher, e não ter o mínimo conhecimento do que seria o "tal" amor, verdadeiramente, era um sujeito diligente como provedor, e apesar da simplicidade, levava uma vida razoavelmente confortável.


Já conhecia várias cidades diferentes da aldeia em que nasceram e da menor cidade entre todas, aquela em que viviam. Isso, de viajar, lhe fizera outras estranhezas na alma, durante os meses iniciais de gravidez; pois às vezes, perante obras mais distintas da produção humana, seus olhos pareciam ganhar independência de espírito ou serem partilhados por outro ser; era como se tomados, seus olhos quisessem tocar como se mãos fossem, em tudo que ardia em cores ao redor.


Em uma noite quente, tivera a maior de todas as alucinações e talvez seu medo era que impedia de afirmar "não é, não foi alucinação"; dormindo na calma região em que não tinha um morador sequer memória de algum roubo ou assalto, com grande calor as portas a pouco abertas e as janelas a todo, acordou como se a luz mais intensa resolvesse passear justamente a sua janela... E com assombro intenso, repentinamente teve a certeza que a luz não vinha de fora, saia de sua gravidez e invadia seus olhos, a casa toda e janela fora ia, sabe-se para onde, como uma trilha de arco-íris, porém prateado como rio tocado pelas pratas lunares das estações perfeitas... explorando o mundo, quem sabe até que limites... Queria gritar para o pai da criança que em sua barriga ia ganhando própria e incomum misteriosa personalidade, mas não conseguia ou a si mesma impedia... 12.07.2012.21.04.


Já havia decidido escrever a biografia de Lúcifer, quando eu próprio tive a queda que me custou uma condenação não severa em termos jurídicos, mas massacrante para um sujeito que tinha o apelido de "Cigano", tal a liberdade com que se conduzia no mundo.


E já havia os rumos da estrutura e argumentos em minha mente. Mas ao ler Giovani Papini e seus raciocínios, não pude desviar-me de sua influência. ...Há uma passagem especial em que ele cita Eloá, nascida para ele e com ele de punho próprio, após vir de mil e uma variações de extra-escritos dos seres angelicais e demoníacos... Cita de quando Lúcifer está prestes a receber o perdão final e ser reconduzido à cabeceira dos Archanjos de maior grandeza... E indaga: E por que não? Como assim dirigir a benção do perdão a tantos menores que ele, e ao ex-favorito negar essa dádiva, do Divino Perdoar?


E Eloá, firme no amor que faria corar até mesmo Heloisa de Abelardo, brilhando de orgulho percebe que levantam todos os archanjos à passagem do único que pode usar o manto de luz platina, reconduzido à cabeceira, antes do banquete que comemora o restabelecimento de toda paz, cujas aventuras são apenas jogos de leveza sem perdedores, pois doce são os frutos do mistério e organização venturosa cabível somente ao Criador, livre das tolices ganhamoeda...


E fiquei impressionado com aquela visão. Lúcifer em minha história tinha por romance a solidão, mas mudei os rumos e lhe criei uma Eloá própria, que há pouco estava na barriga da mãe...


RASCUNHOS.FRAGMENTOS COMPARTILHADOS. HOJE QUINTA ANIMADO. PORCAMPEÃOBRASI.


Prossigo: Eloá olhou aquele rosto... Se preparara a vida toda para este momento; de alguma forma sabia que houvera um conjunto de conspirações para que ela e nenhuma outra pessoa estivesse ali, naquele dia, naquele exato momento...


Quando, dia forte, ensolarado, e mesmo assim, viu o risco platinado e perfeito nos céus, sabia "Era ele, em sua queda..." Como sabia destas coisas? Como na gravidez de si, em sua mãe, em primeiros meses conseguia olhar pele da barriga materna afora, com seus seus olhos que intrigaram a todos desde os primeiros dias de vida, pois que bebê antes houvera nascido com aquele olhar, mais claro que quaisquer olhos no mundo e sua história, olhos que varriam com facilidade a alma dos homens, fossem já abertos de espírito ou truncados em seus seres, arredios e temerosos das mais simples verdades...


Agora parecia compreender de onde vinha seu olhar... Não era das carnes humanas feito somente, sim de estrelas de algum lugar tão recôndido que a história recusara-se a registrar, mesmo de sonos profundos e sonhos o mais altamente ousados insinuados...


Lentamente Lúcifer abre os olhos e a fita, e sorri quase sem entreabir os lábios de aço platinado... Ela também sorri, e para ela é como se fosse marcada pela vitória... "Ele", era somente o que se repetia em seu espírito que a todos sempre confundiu da mais tenra idade...


Olhava, não queria estragar a perfeição do quadro, em algum momento ele tomaria a regência da natureza de fatos... Ventava na ravina, o capim fino e sedoso dançava, dançavam as flores. Ela já vira homens feridos antes, em cama, em febre; sabia que o platinado, comprido e perfeito ser a sua frente tinha algum ferimento, embora de semblante não mostrasse, pois ela conhecia a fadiga e outros efeitos com facilidade; agora, de alguma forma percebia que seu rosto sofrera choque, algum golpe, de algum tipo, lhe fora imposto... E ele lia dela seu rosto, sem pressa...


Já durava bastante o tempo, mas este parecia parado, e acreditaria nisso não conseguisse ela também se deter em outras ocorrências em volta que diziam, passa sim o tempo... 12.07.2012.22:12.

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