CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

sábado, 28 de julho de 2012

FRAGMENTOS DE MEMÓRIA. RASCUNHO DA BIOGRAFIA DE UM DESCONHECIDO. ROSEBUD; ROSEBUD...


REFERÊNCIA DA IMAGEM: benini.com

Somos anjos; somos demônios? Anjos representados pela nossa própria presença e atos conhecidos do público, ou demônios cujos pensamentos, se fossem postos em prática afastaria todos os moralistas de um só rodo? Acho que nossa mente tem um palco de belezas, de fantasias públicas, que caberiam bem sob os olhares comuns, de apresentação de construções que mostra o melhor de nós, nossas cores, perfumes e gostos. Mas há também um "palco de teatro" do qual costumamos nos desviar, recusar, que mostra fantasias que temos, que a sociedade não suportaria... De onde tiro tais raciocínios? Da minha própria mente? Também, apesar de que sou uma pessoa um tanto pobre de segredos, meus piores pensamentos e atos estão à deriva, sob olhos do público, ou eu não seria visto em um misto de amoral e imoral, reconhecendo de boa vontade a primeira avaliação. Mas esses raciocínios sobre o lado demoníaco das pessoas é um tanto mais enriquecido que uma construção a partir de uma leitura somente de minha pessoa. Tive uma convivência mista, muito rica, com pessoas de todas as origens e estados sociais, e a sorte de provocar abertura espiritual em muitas delas. E avalio livros como uma clara extensão da realidade, portanto, considerando Feyaraband (aquele que meteu um bicaço de pé na metodologia científica), todos os dados literários são válidos para mim como princípio de realidade. Eu tive muita sorte quanto a sexo, e em parte não tão sorte assim, pois foi resultado de busca, de empreendimento. Digo a um amigo meu, que pertence à iludida e estúpida classe de "comedores", que temos um poder, o da busca. Busque algo, encontrará. Teu objetivo é "comer mulheres?". Comer é foda, literalmente. Então você vai comer mulheres; claro, tem que ter ferramentas. Eu já comi mulheres, as como. As mulheres, jamais assumindo esse termo chulo, dentro do romantismo (há frias e boas e más exceções) gostam de ser comidas, isso, na verdade não as diminui, de forma alguma, e de certa forma, livrando-se do machismo tonto, podemos dizer que o sexo é em sua parte espírito/animal, um comer mútuo, é prazer, lembram? Então, mas sei que existe o fazer amor, isso É OUTRA COISA, mas implica em sexo também, em canibalismo; porém com revestimentos complexos, maravilhosamente doces. Bem, Souvenirs; os guardamos, eles carregam e nos dão poder, são coisas que carregam coisas. Há sérios, selos, por exemplo (há lenda de que o grande enxadrista Karpov teria aberto o próprio gato que lhe engoliu um selo raro e caro, para recuperá-lo - história provavelmente inverossímel, como o próprio André Cavallieri, maior enxadrista da história do MS, contou-me). Pois bem, lembrei da calcinha preta e pequena daquela mulher magra, pequena, que usava saltos finos e cujos passos lentos me provocava; aqueles passos, como se medidos com frios cálculos (a frieza me excita, o desprezo me excita, e acho que isso é algo nada raro nos homens), aquele desprezo dela por tudo que estava à volta, o jeito de se vestir com "naturalidade", calças que desenhavam as pernas magras, mas curvas, a bunda magra, mas desenhada, e o decote, que não era vulgo, mas generoso... sempre... E o batom cremoso e pintura preta nos olhos exagerada, quase à Cleópatra. Oh Deus! (perdoe-me, Senhor de trazê-lo a um momento assim, mas criaste-nos sensuais, certo? Lembra da dança de Salomão? Então...) Foram quase dois anos de investidas com rigor estratégico, valeu a pena. Cravei sua calcinha na porta do meu armário. E era delicioso pensar que ela voltara só de jeans para casa... Não falarei sobre as extensões da casa dela, poderia sugerir pistas. Mas falarei mais dela e do que gerou tanto poder sensual, e como tudo aconteceu (em outro trecho desta mesma biografia de desconhecido), pois foi interessante mesmo, e deem patente de sobra a esta palavra aí, "interessante". Souvenirs. O genial linguista Roland Barthes os chamava "biografemas"... Em "...Kane", há uma passagem que evoca poderosas discussões: "Disseram horrores sobre o que significa Rosebud, algumas impublicáveis, como a que se referia ao que a amante de Kane trazia encerrada nas vestes de luxo. Mas a complexidade do enigma é a sua simplicidade: Rosebud é uma palavra, gravada num brinquedo da infância e foi proferida na hora da morte, quando tornou-se uma bolha de vidro que rola pelo chão para ocupar aparentemente a periferia de um drama, quando na verdade é o seu centro oculto e indevassável" (LAINSIGNIAORG - via Google).

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