CAMPO DOS GUAICURUS

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quarta-feira, 18 de julho de 2012

FRAGMENTOS DE ENSAIO BIOGRÁFICO DE UM DESCONHECIDO - 180720120919. Ken Parker (VERSÃO ANTIGA - PB).

REFERÊNCIA DA IMAGEM: sebodomessias.com.br

KEN PARKER. Ele passou quatro revistas entre os esquimós e dissecou deles a cultura intrigante para nossos padrões. Durante a estadia, viu seu amigo conseguir a esposa dando em troca uma agulha, esposa que veio a oferecer para Ken, ficando ofendido porque houve recusa em dividir uma noite sob as peles em contato de peles e umidades e arremetências.


Ken Parker é o mais genuinamente temático herói de quadrinhos de minha infância, bateu até mesmo o pistoleiro de jacketa sulista, roxa, que carrega eternamente um coice de mula no rosto e a dureza que somente os inatos possuem, Jonah Hex. Em Faroeste, fora incursões de "bolsilivros" e revistas tipo "Epopéia Tri", seis heróis faroestinos e da selva eram alvo de minha busca, ficando no final interessado, de fato, somente por Tex, Jonah Hex e Ken Parker, com larga preferência para o último.


Akim, aos poucos mostrou o rídiculo de uma péssima linha "Tarzan", conversava com bichos, e embora de bom humor em alguns momentos, tornou-se tosco e o abandonei. Tarzan tinha altos e baixos e imagino que era argumentado por gentes diferentes, tal era a quebra de linhas de raciocínio. Foi até Batman decretar "fim de linha" para ele. Tex Willer, com seu filho, com seu velho amigo cabelos de prata e o índio, rendeu grandes efusões espirituais, Tex foi o "mocinho" por excelência, e havia temas em suas histórias.


Jonah Hex cativou pelo desprezo que tinha aos homens de pouco escrúpulos, para ele a morte é como Ajax ou Veja, limpa o ambiente, é chumbo quente e parece-se em espírito geral com o Wolverine dos primeiros tempos. Tão bom que até o filme (aliás com Show -de novo- de Josh Brolin, herói às avessas em "Onde os fracos não tem vez" -dos pra lá de bons irmãos Cohen).


Mas o cara mesmo é Ken Parker, jamais na literatura encontrei um personagem tão equilibrado, que dispensasse tão genialmente os favores culturais do tempo específico. Ele é de fato atemporal; qualquer ambiente se sujeita a ele; ele se sujeita a qualquer ambiente. Não li uma história fracassada de Ken, não detectei jamais uma quebra, mínima que seja, na coerência. Poderia se apontar como "defeito" talvez a qualidade de gráficos, mas para mim a coisa é meio Sexy Pistols, "faz parte".


Ele é o polo de oposição a Zagor, este ridículo e esmagadoramente supremo em aquisições no Brasil, o que é 'Tcha chum se te pego' fácil de entender. É raso, ridículo, uma tentativa tosca, paródica, de fazer um herói quixote; li os primeiros, quando minha mente começava a tocar no mundo dos quadrinhos, e mesmo com raciocínios básicos sobre tramas, vi que não suportaria os anseios de leitores que sempre querem "mais" e precisam de verossimilhança.


"É preciso que a verdade não suplante a verdade, na arte" (Shakespeare). Em um filme, Jesus Cristo não precisa ir a tanto e falar aramaico, pode falar em inglês, mas tem que "ser" o Jesus da promessa da história, fundido com a imaginação geral que se tem dele; ou recriá-lo com muito, muito vigor. Ken Parker renderia 100 ou mais filmes de qualidade, um seriado profundo. Mas, sei não... Isso é sonho... Acho que, principalmente no Brasil, ele morreu com minha geração.

2 comentários:

Jarbas, o (futuro) Ilustrador, disse...

Dante:

Nunca ouvi falar desse Ken Parker. Mas agora, com o teu aval, vou correr atrás [para compensar o] prejuízo.

Leio muito o Tex. Quadrinhos (essa arte do Desenho) me fascinam, inclusive o traço de Tex. Há muitas histórias boas, mas há também muitas histórias absurdas.

Gostei muito das séries japonesas Lobo Solitário e Vagabond.

Curto também os mangás de tema moderno, como Hikaru no Go e (esta para moças) 100% Morango. Basilisk tinha personagens assustadores e feios, mas com boa história.

Depois de inúmeras tentativas frustradas, finalmente entendi como se usa o desenho vetorial, e consegui produzir o meu primeiro desenho (um nu artístico, copiado de duas fotos mais adaptações, com as tradicionais estrelinhas encobrindo bicos de seios). Enfim, sigamos para ver no que vai dar...

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Você tem também influência dos quadrinhos, ótimo :o)! E ótimo saber de sua incursão, na qual aposto em seus traços; aliás, escolheu muito bem o início temático :o). Ei, Jarbas, vários dos quadrinhos por ti descritos são por mim desconhecidos, espero, ao "sair da toca", em que ainda permanecerei um tempito, depare com bancas que possam oferecê-los à curiosidade que em mim despertaste. Que bom amigo, que você apareceu por aqui. Tenho publicado mais no facebook, mas ouro em pessoas, como você, me incentivam a estar vez ou outra blogando. Abraço, caro amigo; SIGAMOS!