CAMPO DOS GUAICURUS

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domingo, 17 de junho de 2012

SEMPITERNO


REFERÊNCIA DA IMAGEM: umacamilecomblog.wordpress.com

A palavra SEMPITERNO. A condição primordial das palavras é serem insustentáveis. Quando se sustentam, o que é raríssimo, trata-se de um contexto específico, um nicho, uma comunidade rígida ou até oscilante, às vezes. AS PALAVRAS PERECEM, morrem, os vermes as comem, ou são incineradas, cremadas... Mas somente para renascerem, ou morrerem vivas, utilitárias ou com o brilho da genialidade da arte... Ser ou não ser, eis a questão... A palavra ser é eternizada aí, mas, fica escrava? Não, nem mesmo o Bardo consegue tal façanha... não as detém escravas... O Ser, o 'ou', o 'não', o 'ser', livremente socorre a sintaxe, semântica, seja de um gago ou um desenvolto retórico, e guardam o homem e suas condições favoráveis, fortes, e frágeis, desfavoráveis... O Houaiss, dentro de seus esforços, como todo lexi-relicário, ou lexicário, diz: Sempiterno: Eterno... Mas deixa escapar um outro, outra explicação, "é o durante..." sem início e sem fim, é a mais alta experiência que cada um de nós tem e não creio que haja um só ser não sempiterno, se tem um mínimo da centelha intelectiva... O que dita isso é a escrita de Deus ou Deuses, ou Natureza ou Acaso, naquilo que unicamente ainda nos separa da natureza comum e nos junta na conflitante natureza humana... as palavras, a língua... estranha, às vezes sólida, às vezes pantanosa, sempre esquiva como pode, sempre generosa como pode, paradoxal... estranha, no que diz nossa gloriosa Maria Emília (professora de Letras, UFMS), com aquele seu tom inconfundível e olhos agudos por detrás dos óculos da aros pretos, "cuidado com as palavras" dando sentido muito mais nobre do que se possa atribuir precipitadamente à palavra "cuidado"; "zelem, guardem, atentem, não se precipitem, pode haver mais, muito mais, ou menos que pensam...". A palavra SEMPITERNO é sem exceção aquilo que em nós se manifesta em algo como "MOMENTO"... Um momento pode ser tanta coisa, as palavras podem ser tantas coisas, podemos ser tantas coisas, sem deixarmos do principal, nós mesmos... Pois seguimos, só há isso, seguir, com nosso instantes, escolhendo-os o melhor possível e misturando-os aos instantes alheios... E seguimos, sigamos, e só, é o melhor de tudo... Seguir com nossos instantes, tornando-os mais novos possíveis, mais aventurosos inéditos e venturosos possíveis... Há perigos, há aventura, há medo e vergonha; mas há fortuna, há pontos sustentáveis, coragem e sustentabilidade na mesma fonte, a sempiternitude, a libertação de um ser cansado pela rotina e desaforos da injustiça, frieza e desprezos de mil espécies, a libertação para um instante em que dizemos: Esse instante, ele é meu, é minha sempiternitude, agora sigo, e espero que haja mais mil, e mais mil e miles e miles, pois são eles, os pequenos momentos que serão sempiternizados e não as pirâmides, essas sim, são eternas e diferentemente dos escravos que as fizeram, cujas sempiternitudes foram uma concha d'água, pequena pausa para os músculos em frangalhos, ou pequenos furtos, cumprem agora a escravidão dos objetos, diferentemente daqueles homens sofridos que as ergueram... Que devem estar onde a nós, nenhum, é dado dote de saber; e seguem, e seguimos, já é domingo, 05:16; o dia segue...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

QUEM VOLTARIA?


REFERÊNCIA DA IMAGEM: faroldobuscador.blogspot.com

"Eu cheguei!"; disse um; e disse outro "Também cheguei"; e outro e outros. E então; foi dito: "Certo, agora contem, cada um de vocês, como é que chegaram, que caminhos usaram e como procederam. E a isso diminuiu em muitos a empolgação, assumindo nos ares faciais algo de estranho, preocupado e envergonhado, a vergonha daqueles que na verdade não as tem. E o número de empolgados diminuiu bastante, mas pior foi quando se disse: aproximem-se e confirmem todos, aqueles que voltarão para tentar achar e resgatar aqueles que estão pelo caminho, perdidos, por mil motivos e que são dos mesmos que nós que amamos falar em irmandade, em Deus, essas coisas... E sobraram pouquíssimos, quase ninguém se aproximou... Todos estavam cansados... Mas assim como o Judas, que levaria pancadas eternamente , alguém topa a pior das paradas, e como Judas de Saramago, lá no fundo, com voz fria e firme, disseram três ou quatro entre tantos outros que por mil artifícios desviavam as faces, em poucas diferentes vozes: "Eu vou!". E então, do pior ali, alguns tentaram dissuadir esses raros, dizendo "isso é inútil, e isso, e aquilo"; e um do grupo, fraquejou aos argumentos e juntou-se à multidão, embora com certa espécie de remorso que não conseguia compreender muito bem, mas ainda 3 de 600 ou 700, firmes, determinados, cansados, famintos, com a incerteza à frente, avançaram aos fardos espirituais e empreenderam... Foram-se à tentativa de buscar os perdidos por mil motivos... Se existe Paraíso, destes é o Paraíso e não daqueles que dizem amém ou dizimam a quem... Se existe hierarquia no Paraíso, destes são os melhores lugares. E se existe ainda mundo, é por causa desses poucos que insistem, somados a mais outros e outros, em dizer a si próprios: "Hà mais"... E seguimos... e não há mais nada que isso, seguir...

terça-feira, 5 de junho de 2012

VER DIZER ARTE PENSAR SENTIR ARTE FAZER E A SI EM ARTE




Ver a arte e dizer a arte; pensar e sentir a arte, fazer a arte e fazer a si pela arte, três estradas paralelas e às vezes até cúmplices, mas elegantemente distintas para o mundo intelectivo, de fato.
 
A arte é a puta universal e sem leis externas... Nem o comunismo, eterno cortejador e opressor dessa puta, consegue dela extrair os pertences essenciais; nem sob tortura, nem sob a implacabilidade in...sensível dos fatos bobos e sociais, nem sob chás, porcelanas e cheques essa puta Geni se rende...
 
Ela é divina, ela é; enquanto discutem leis artísticas, estilos e gêneros, ela fode, com tudo e com todos, e gera, e gera filhos e mais filhos, heranças em disputa, sem fim...
 
Discutem-se legitimidades, obviedades, trivialidades, e a Puta fode, e tanto gosta que todos suporta e a si mesma, também fode... puta arte arte puta, só assim para suportar o que sem ti é impossível, a vida; e contra-ataca, e não só suportável, mas bela, gostosa, intermitentemente concedente, de explosões de alegria faz... desfaz, e volta, é a puta mais barata, é a puta mais cara, é o Fox, a tequila falsificada, o Marlboro vermelho e o Jack; a costura e agulha, o trinado e o puxado das fumaças de carne de segunda usurpando a maminha, o fino, o trato e o retrato, é ousada e se faz deusa, nada e tudo... Arte...