CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

segunda-feira, 21 de maio de 2012

HOMEM

REFERÊNCIA DA IMAGEM

vot.com.br

"Homem"; eis aqui a definição geral, acusada às vezes de machista, para o todo social homem/mulher que nos significa. Aí a eterna pergunta, o que é o homem, além de ser o todo, o conjunto de todos os homens... Quem é o homem na tentativa de separar um e outro, nus de suas carteiras honestas ou desonestas, de suas superfícies convencionais...


Talvez homem não seja aquele forte fisicamente, pura e simples, que bate, agride, mata, mostra uma fúria capaz de assustar ou apavorar, isso qualquer pit bull que come ração e a defeca, faz;


Homem não seja aquele que comanda, sob convenções hierarquicas herdada do velho medievalismo ou modernas plataformas capitalistas, isso muitas abelhas, formigas e térmitas fazem melhor;


Talvez não seja aquele que bebe muita cerveja ou come, e tem só isso e muito pouco mais para contar, qualquer porco pode fazer isso melhor;


Homem não é aquele que se encharca de salvador de almas ou qualquer outro título de "entendo melhor do Céu!"; qualquer um pode chegar a Deus sozinho e sem mexer uma moeda do bolso;

Homem talvez não seja apenas aquele que tem pênis, grande, médio ou pequeno e conseguefacilmente guarida para o referido, aquele mesmo pit bull de há pouco faz facilmente o mesmo; Não, não mesmo.


Homem é aquele que sabe dividir, tem a força da generosidade, sabe multiplicar não somente para si, sabe o valor da gentileza; o quão é odiosa a opressão; é aquele que enfrenta com coragem inteligente as adversidades, e sim, usa a força física se assim a brutalidade da natureza requerer; que trata a criança como criança e outros homens como homens, que lidera sem oprimir, que faz daquilo que é ordinário, como beber, comer ou dirigir um carro, apenas isso; e que quando se apaixona faz disso o melhor dos exercícios espirituais, possibilitado pelo dote absoluto Daquele que nos criou... E que ao responder ao amor por uma mulher, faz dessa sua rainha, mas de si o rei, da luta diária a cumplicidade, e à cama faz com que a virgindade aconteça a cada vez que faz amor...

E se você não é um homem, é aquilo que chamamos de memória, onde pode, com orgulho, dizer "fui um homem e agora sou digno da memória de meus atos"; ou então, ao contrário, e se um mínimo de coragem vir: "sou um covarde e menti para mim mesmo a vida toda, achando que poderia enganar os outros", isso em pequeno nível todos tem pouco na indesviável condição de "pecador", mas ser nisso o eixo de si próprio, é a ruína pessoal.

ENFIM, dependendo do ponto de vista, ou de cegueira, pode se ser um Homem, ou omen.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

PROSSIGO


REFERÊNCIA DA IMAGEM: senhortinteiro.blogspot.com


SIGO! Com o que de melhor existe no mundo... A AMIZADE. Não olho para trás; se olhar, é um movimento vazio; se não olho; há o mesmo vazio, pois as imagens não estão mais na memória. Da memória foram todas apagadas, a sustentação das imagens... que restarão é imune ainda à ciência; teremos chips, elas se salvarão; teremos robôs perfeitos, humanizados; e eles não as terão; todos poderão recitar a obra inteira de Machado de Assis ou Shakespeare, mas não terão essas imagens... não terão aquilo que levaram e deixaram propriamente Machado e Shakespeare. Elas são turvas à qualquer sistema; são a identidade, são a única lógica possível e absurda para esse desenho de esferas sem eixo e enfileiradas sem fim, e para o voo sutil dos seres, da movimentação das minhocas arejando as fontes vitais dos laranjais... Não olho para trás, não porque não queira ou queira, é porque tudo está absolutamente em mim, esmagando a tese Paulo/platônica; dando imenso significado a essa máquina de milhões de comandos, meu corpo... à deriva de uma resposta que não vem quando pergunto, faço o mesmo que ouvi que Fizeste; a cada dia procuro ser, e ser humanamente possível a mim e a todos que dignam minha existência com o que de melhor há no mundo, a amizade.



quarta-feira, 16 de maio de 2012

FRACASSEI; MAS...


REFERÊNCIA DA IMAGEM: ordemdosaber.blogspot.com

EU... FRACASSEI COMO FILHO, COMO PAI, COMO IRMÃO, COMO ESPOSO, COMO AMANTE, COMO PRIMO E FUTURO TIO, COMO AMIGO, COMO TENENTE DA POLÍCIA, COMO ACADÊMICO DE LETRAS, PRINCIPALMENTE COMO CONDUTOR DE DOIS SOBRENOMES DECENTES QUE MERECEM RESPEITO. MAS...

Encontro abrigo nesses dias em que aos poucos meu projeto encontra seu início objetivo, ou prático, como arrghh gostam de dizer alguns, considerado em parte lenda, em grande parte fracasso por amantes da superfície das coisas, em um dizer que me atraiu muito e atribuem a Darcy Ribeiro, antropólogo, escritor, 'fundador' da UNB e muito mais:  "FRACASSEI EM TUDO O QUE TENTEI NA VIDA. TENTEI ALFABETIZAR AS CRIANÇAS BRASILEIRAS, NÃO CONSEGUI. TENTEI SALVAR OS ÍNDIOS, NÃO CONSEGUI. TENTEI FAZER UMA UNIVERSIDADE SÉRIA E FRACASSEI. TENTEI FAZER O BRASIL DESENVOLVER-SE AUTONOMAMENTE E FRACASSEI. MAS OS FRACASSOS SÃO MINHAS VITÓRIAS. EU DETESTARIA ESTAR NO LUGAR DE QUEM ME VENCEU.”

Fracassei como filho, como pai, como irmão, como esposo, como amante, como primo e futuro tio, como amigo, como tenente da polícia, como acadêmico de letras, principalmente como condutor de dois sobrenomes decentes que merecem respeito. mas... EU AMO DE VERDADE A ESSÊNCIA LUMINOSA presente nas e nos: memória de meus pais; no potencial inequívoco de meu filho; na honestidade e poder de meus irmãos; na inocência juvenil, beleza e vigor que minha ex-esposa me dedicou; na beleza, doçura e paixão que algumas mulheres me deram; no apoio que alguns parentes me deram compreendendo que minha queda não era uma carreira criminosa; na amizade daqueles que permaneceram próximos a mim em meus piores momentos; no caráter de PMS corajosos, verdadeiros e dignos da profissão escolhida, imunes à qualquer tipo de pressão interna ou externa; naqueles que indiferentes às forças críticas tornaram-se bons ou ótimos professores de Letras, indo adiante; a todos que escrevem Rodrigues ou Ostemberg após o nome e entendem nisso a mais alta dignidade social,

enfim, por eu ter pisado no inferno, me vestir mal (punkmente), e não levar a sério concursos públicos ou empregos regulares, não quer dizer que não saiba dos significados superficiais, objetivos ou práticos das coisas, tenho minhas escolhas e são honestas e decentes. E, enfim, como Freyre, sim, quero transformar todos meus fracassos na salvação de uma glória; ter a honra de que escrevam em minha futura lápide: era um ser humano... conseguiu depois de tudo, salvar sua humanidade em algumas pequenas poesias, sorrisos e gentilezas verdadeiras com pessoas verdadeiras, conseguiu merecer ter vivido, e viveu...

sábado, 12 de maio de 2012

DE LOUCO E MOUCO TODOS UM POUCO


REFERÊNCIA DA IMAGEM: amigadedopodre.blogspot.com

DE LOUCO É PRECISO QUE TODOS TENHAM UM POUCO. Erasmo andava pelas ruas algumas horas após uma chuva e viu que algo brilhava em poça. Era a primeira vez que via um "pedaço da invenção de J. Guttemberg"... E ele, Erasmo, através 'daquela' invenção, ajudaria mudar no mundo a concepção de "brilho em um papel". Sua obra é tão sutil que estamos sempre muito atrasados em relação ao que ele quer dizer, mesmo com um encadeamento tipo pandora, em suas células textuais. Ele, ao usar como núcleo textual a voz da loucura, trata com muito bom humor as naturezas humanas enquanto, sutil, mas implacavelmente estressa a Igreja à qual pertence, com acusações que sempre foram recentes: uso do nome "Deus" para juntar dindim (e que dindim), mão naquilo e naquilo debaixo das vestes sagradas e pau e pau. Mas sua obra é tão genial que mesmo tirando a bem tecida crítica aos malandros eternos, sobra um humor que faria essa bobaiada atual que se diz humorista pular de um... uma caixa de fósforos... ou de um isqueiro... quadradinho, bem baixinho (sem riscos, é o novo jogo, sem ofender os grandes patrões, certo?). Aliás, em determinado momento ele próprio, Erasmo, fala sobre a utilização de humor em textos, do quanto é útil em temperar e seduzir oratória, mas que mal feito é desastre, principalmente em auditórios... (putz, auditórios, ou vem sono ou vem tédio... auditórios obrigatórios... bah!!!)... Erasmo de Roterdã disse mil coisas todas aproveitáveis embora tenha tido sua cota de bobabens obrigatórias como orientação para bom procedimento dos moços, essas bobagens que ao serem formais terminam em nada somado a deboche. Mas ele disse o principal, se diz a populaça que de médico e louco todos tem um pouco... Ser louco é a única maneira de fugir da loucura... entenda-se... e siga-se, siga-se, siga-se... Sigamos, sigo, louco, um pouco, um pouco mouco, louco... pois que há? Seguir... Sigo...

domingo, 6 de maio de 2012

A ARTE DE IGNORAR


REFERÊNCIA DA IMAGEM

fotolog.com

A ARTE DE IGNORAR.Pressão social. Como em tudo nos objetos sociais, duas vertentes principais de entendimento, geral e pessoal (a palavra específica é muito específica). As esferas de pressão social são internas e externas, mas muito mais vem de fora, por isso é muito valiosa a arte de ignorar. Você pode encontrar um soco no estômago a cada esquina, um tabefe na cara a cada cinco minutos; aguenta? Então sai da chuva ácida. Há quem pague o preço, são os eróis (que até os agás vão perdendo), não é fácil ser herói, por isso tanta gente diz sutilmente ou diretamente que é mera estupidez. Sim, é preciso aplicar a arte de ignorar quando a crítica, tão salutar, mas tal qual óleo de rícino, bastante antipático remédio é naturalmente recusado. Tudo tem preço, encharcar o facebook alheio, preço: alta nos níveis de indiferença; mentir no facebook, preço: perdas invariáveis e invariáveis de valor pessoal; Ignorar tudo no facebook, preço: descobrir que você existe muito menos que pensava. Equilíbrio, equilíbrio é a arte suprema do ser, mas, ao menos às vezes, às vezes mais às vezes do que se possa pensar, é preciso ignorar sem ser ignorante. Entre tantas coisas chocantes das quais não conseguimos nos desviar o suficiente de saber, uma me chamou a atenção e lamentei muito pensar na família do sujeito, nas dores comuns e impossíveis de se quantificar... Um jovem fez determinadas críticas pessoais a assuntos gerais e sofreu ataque forte em sua página... veio a se suicidar... Fraco, mas quem pode de fato condená-lo... Ele deveria ter ignorado... Estaria vivo, ao menos, embora melancólico e decepcionado. Não inventamos o mundo... Mas podemos reinventar o nosso, ser mais de bem com o mais importante: SER, e aí é importante a arte de ignorar... ao menos às vezes... às vezes... E seguimos...