CAMPO DOS GUAICURUS

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domingo, 22 de abril de 2012

A PAZ COMO AMANTE


REFERÊNCIA DA IMAGEM: richardikeda.com

Estou 'vivo'. Devo debitar isso às amantes. O amor fora da complexidade do "amantismo" sempre deu um troco pesado à minha incompreensão e misto de desprezo e maltrato a ele. Não duvido que tenha vindo na alma de algumas mulheres, para um tradiconal relacionamento; tentado se dar a mim, mas não nasci para o amor conjugal. E qualquer tentativa de interpretar isso como dor de cotovelo ou sei lá, "falta Jesus para esse cara", "falta um amor de verdade na vida dele", "ele não percebe, não sabe o que fala" será mera bobagem, sei exatamente o que falo, não nasci para a felicidade conjugal.

Não cuspo para cima sobre uma possível divisão de teto. Mas se isso ocorrer é muito mais por causa do encontro com alguma pessoa que também seja inata como eu nessa questão e consiga ser minha amante com o nome genérico de "PAZ". A paz sempre foi a mais incompreendida de minhas amantes, a mais desvalorizada; achava que ela era sinônimo até de fracasso. "A paz é para os covardes, e tal...". Não, não mesmo, a paz é para os fortes, pois percebo, infelizmente após precisar de meio século de vida, que ela é a esposa perfeita...

A paz é feminina, e como mulher, tem seus caprichos e é preciso certas doses de dotes políticos para harmonizá-la no contexto. Como mulher, a paz não quer somente quietude, gosta de rock, às vezes, de movimento, ruidos, algumas discussões artísticas e filosóficas, de certo caos no preparo da comida, das coisas. Mas tudo na dose certa.

A paz é plástica é mais abraço que beijo. Quando é beijo, tem aquele incêndio de fogo de pó de serra; quem não conhece fogo de pó de serra perde uma grande metáfora além de certos detalhes sobre a luta pela sobrevivência... A paz foi a amante insistente e mil vezes chutada que com a idade começa a ganhar seu status; status que se fosse dado há muitos anos atrás, teria, quem sabe dado à minha biografia não a felicidade sob o conceito comum, essa "UFA" será para mim sempre o mesmo que são as musiquinhas tolinhas e sortudas, me refiro à felicidade verdadeira, que não transforma-nos em cegos egoístas com falsa generosidade, obrigados a usar dúzias de máscaras para cada ambiente...

É domingo... dia sempre de reflexão, tenha erros ou acertos, refletir sempre é catártico... Sigamos, reflitamos, pensemos, podemos... seguimos, sigamos... covardia é não viver, coragem o óbvio contrário, Montaigne faz disso simples, viver, somente isso é o principal, seguir, seguimos, sigamos...

2 comentários:

Marilei Barbosa Moraes disse...

Paz...Talvez a nossa condiçao humana seja limitada,e nao tenha alcance nem o discernimento necessario para entender a real complexidade de todos os sentimentos que circundam a nossa existencia,por vezes atormentada,sacrificada poque nao dizer esmagada pelos rumos incertos e nao sabidos. E partindo pois de sentimentos hora confusos,criticos,hora leves,suaves,doces encontramos a essencia e a intensidade da PAZ.

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Um grande brinde ao texto, por ter conseguido comentário de alta qualidade como o seu. Bem vinda :o); espero que não seja a única visita, pois dignificou muito a intenção principal, despertar a reflexão e, melhor, novos tecidos, para novas reflexões... É, talvez seja mais difícil que possamos pensar ao menos entender o conceito de paz, e talvez o sentido de paz não esteja pura e simplesmente na quietude...