CAMPO DOS GUAICURUS

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domingo, 8 de abril de 2012

FELIZ PÁSCOA


REFERÊNCIA DA IMAGEM:

nejao666.spaces.live

Duas palavras digladiam-se na eternidade humana; como dois F-Infinitos engalfinham-se nos céus da linguagem e fogo farto é disparado enquanto sangram todas as espécies de conversa e entendimentos...

São essas palavras o Conforto e a Inquietude... A busca de conforto é natural, compreensível e aceita; mas é ela que gera os sujeitos mais ordinariamente mansos na construção da hipocrisia... Buscando o conforto alardeiam serem inquietos e fraternos... qua... Mas é Páscoa... dia de alegria :o).



De seu lado a Inquietude não gera apenas filhos malditos. O fosse, em um desconcerto de proporções "cósmicas" seria toda a poesia varrida da terra.
 
E ela gera os homens que sob um medo compreensível de se porem a revoluções efetivamente sangrentas, empreendem com tintas, extrações sonoras, impressão de ideiais (ideias e ideais) de realidade própria a reconstrução de cada elemento e sua costura com outros, no caro pensamento humano...
 
Comer chocolate, sorrir é ...dia disso hoje, então me aquietarei em respeito aos que confortavelmente sabem se organizar e harmonizar dias como estes... guardarei no baú sem fundo que tenho, a inquietude que ataca mesmo aqueles que moram mais ao sul das terras de poesia... Dizendo que meu perdão à alegria vem do fato de que ela jamais me abandonou, pelo contrário, me persegue, eu é a que repilo...
 
Pago a alegria todos os tributos que devo pela relação consanguínea e amizades que ela me avaliza (é com z, fico pasmo, deveria ser avalisar). Mas a desprezo, e qualquer raciocínio sobre ser essa afirmação ingenuina, é tolice de quem o constroi, falta de mais profundidade perceptiva sobre os dotes espirituais humanos e como são particulares a cada um...
 
Isso levou Salinger fugir para uma montanha quase para sempre, pois a tolice contida em resíduos religiosos e de "auto-ajuda" e "fraternidade" é tamanha que vejo perfeitamente o desenho de asnos em figuras que se imaginam a redenção de toda a sangria desenfreada proposta burguesmente pela eterna corja do deixa estar, deixa ficar (não na economia, deixemos o laissezfaire de fora) digo da alegria fajuta que querem compartilhar, substituir com ela uma tristeza genuina e Bela... Os atos, e somente os atos, são de fato a linha possível de costurar um conforto devido à proposta chamada "Vida", o resto é conversa não fiada. Discordo do sentido de "fiada"; se é fiada, é porque tem valor... Bah, a língua...

2 comentários:

Jarbas, o Desequilibrado disse...

Ótimo toque, Dante!

Desconforto, desequilíbrio, é a essência da vida! Equilíbrio perfeito é o da pedra, que não está "nem aí" para o que se passa ao seu redor.

O que o ser humano devia perseguir é um desequilíbrio manejável. Ou uma série infindável de desequilíbrios manejáveis. É o que descobriram os grandes aventureiros, os grandes realizadores, os grandes escritores. É o que NÃO descobriram os ricos (que transformam tudo o que tocam em ouro, isto é, pedra, isto é, antivida) e os usuários de drogas (que intensificam o desequilíbrio e quebram a balança biológica).

Viva o desequilíbrio e o desconforto! E viva os equilíbrios e os confortos provisórios!

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Como sempre; perfeito. Um aforismo digno de Nietzsche. Li suas palavras em alto para alguns amigos e para meu irmão. Gostei muito de seu comentário. Valeu, Jarbas, meu "des-Equilibrado" amigo... Disseste TUDO!