CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

quarta-feira, 7 de março de 2012

TRAIÇÃO? TE TRAIO SIM. TE TRAIO COM A SOLIDÃO. VOCÊ É TAMBÉM MINHA SOLIDÃO.

REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:

direitosocial.com.br
pglingua.org
viagenstour.com
alexmaktub.blogspot.com
agrandefraternidadebrancauniversal.blogspot.com
filosofiasoka8.blogspot.com

Caminho entre rochas em morros quase achatados, gramados rasos e verdes forte, pedras predominantemente em tons cinza, empresto a visão dessa gente que anda atrás de besteirol místico, mas vale ver o que veem... Mística, sim, talvez haja alguma, desde que a deixemos em paz consigo só, com seu silêncio solene e desprezador... Que mais que formigas diferentes somos? Talvez compreendamos nossa própria crueldade, nossa própria generosidade e compreensão... As rochas em mil tons acinzentados, a vegetação de frutos coloridos, pequenos e suspeitos... Os ruídos dos choques marítimos ancestrais e presentes me atrai para as bordas e vou...


Já tenho a absoluta certeza que Beatriz não virá mais, porque perdi todas as chances que tive para encontra-la ao menos tenuamente... Se vier será em brumas brancas no azul soturno... Virá com aquele sorriso de desespero porque não mais consigo ter forças para procura-la e se encontra-la talvez nem mesmo a reconheça, tamanho é meu cansaço de vencer o modo cada vez mais desesperadamente burguês de as pessoas se reconhecerem umas nas outras... Canso-me facilmente de tentar o intentável... Já não é como antes... Mas posso ver seus olhos... seus cabelos negros e quase lisos, médios, quase curtos, jamais teve tinta e minha idade a aproxima dos grisalhos...


Estão quase próximos de anular, em uma marcha que parecia perdida, a recusa ao caráter exótico e variável dos seres se quererem... O modismo pouco a pouco será reprovado e ficará a indiferença, no que sentirão falta de quando havia a recusa que provocava a luta... Estou ainda preso a Campo Grande, meu amor é já um calo refratário o suficiente para declarar paixão profunda e primária a outro lugar...


Campo Grande, oh Campo Grande, a Plaenge fez um prédio, quase em frente à ilusão que chamam de Sebrae, ou não será? O prédio está em cima de onde havia árvores, churrasco e uma piscina... Eu e meu irmão, sempre mais sensato que eu, ficávamos calçada afora, ouvindo os gritos alegres e imaginando a piscina, as meninas, os garotos de nossa idade, coca-cola, lanches com presunto... Um dia nossa imaginação se pôs em debate, eu e meu irmão disputávamos saber os prazeres daquela gente... Quem serão hoje em dia aquela família, Cecília escreveria, Clarice escreveria, aquela voz de menina, doce, afetada, de quem seria? A piscina e os convivas, tão a salvo com aqueles muros, de nossos olhares que pediriam... Precisávamos ir, vinha o ônibus, vinha o “Monte Carlo”, nos esperavam as vasilhas sujas, o pequeno pátio, estudos cansativos e retrógrados, nos esperavam o tudo e o nada... O ser e o não ser... nos esperavam pequenas questões enquanto os sonhos vagavam, é o que fazem... vagam e impregnam incomodamente... Onde meu pensamento é capaz de ir, na reunião de poderosos burgueses, nas rochas onde gostam de tirar fotos, na noite que gosto de contemplar e ver teu rosto sobre o fundo azul e brilhoso... Café... cheiro de café... hora de parar...



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