CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

sábado, 10 de março de 2012

INTERMITÊNCIAS DO FACEBOOK 10032012SAB


 

REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:

joshgroban.yuku.com
blogs.estadão.com.br
palavradoguma.blogspot.com
lounge.obviousmag.org
e-l-s-d.deviantar.com
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alexandrecruz.spaceblog.com.br
gavetadoivo.wordpress.com
dezenovevinte.net
grupoideialimeira.blogspot.com


Entrei em um poço, dentro da margem de uma das margens da alma de um blues sem fama... Escolhi um em que o locutor não foi muito feliz com sua platéia;

quase que uma indiferença absurda acolheu a música em que um desconhecido acordeava e soprava; e cantava, o desconhecido. Mas aquele blues não era tão desconhecido e evasivo que barrasse o salto adentro e vi os absurdos ali escondidos... Raul Seixas e Stones quase disseram a mesma coisa, coisa de gênios, eu nasci, eu vi, e nada disso diretamente com o blues...

Desfilavam a melancolia e a tristeza no submundo úmido da terra e por debaixo de uma limeira, esquecidas, minhocas arejavam em seu papel desconhecido o solo... Chamam de loucura ver o que outros desprezam e isso é bem comum...

Vi ali mulheres antigas aplacando a fúria de suas vaginas com jovens sedentos de aprendizado, vi aqueles que preferem desprezar a tudo enquanto conversam com os efeitos do álcool barato, ouvi as conversas vazias e geniais de dois esquecidos em pleno azedume contra o mundo; a beleza da feiúra dançava como se mil máquinas a vapor derrotassem definitivamente a tirania da beleza afetada...

O perfume, resíduo nicótico, resíduo de café, resíduo urinário de pau mal balançado, vaginas à espera... feras... somos boas feras... O blues continua... O mundo continua... O submundo do pensamento não gira, estaciona em si próprio e com próprias regras de movimento, antigo cimento da alma, calma... conhaque, mulheres, cigarros alheios, fim de noite, começo da escuridão, absurdos, absurda quietude...

O rapaz, desconcertado e resignado troca antes do final o desconhecido pelo conhecido... E as cores mudam... tudo muda... pois seguros da rota todos retornam e apenas andam, e se movimentam apenas no ser/estar, e segue-se, e seguimos, e seguir é apenas o que resta... seguimos...



Quando criança flagrei um dia minha própria condição de escravo dos costumes. Costumava, de soslaio, visitar com os olhos, de distância segura contra interrupções, os costumes de vizinhos ricos que estimavam a gradual evasão de famílias como a minha, que iam "dando os pulos" pois tudo estava sendo vendido na Euclides da Cunha, que viria ser a "rua mais charmosa de Campo Grande..." hmmm...

Dois garotos brincavam em um amontoado de areia... Soltos, livres, com a liberdade que -relativamente- somente garotos ricos podem experimentar (e não se venha com 'não entendi')... E eu queria aquilo, brincar daquele jeito, e uma equação me assolou "mas há areia de construção lá pelos fundos de nosso 'quase gueto', vou lá...". Chamei alguns garotos e também meninas, que lá eram todos quase iguais e pedi a liberação das areias prometendo arrumar tudo depois... A custo conseguimos para todos uns momentos... E em nossos próprios micro-sítios a natureza infantil desempenhou a si própria... 

Brincamos, foi legal... Mas havia algo, algo havia... havia uma diferença... Inexplicável... Não sabia na época, mas meu coração pré-maturo em analisar essas coisas perguntava... Anos depois eu soube a resposta: "Significados". Não são iguais entre pobres e ricos e há uma história da qual não me lembro o autor: "O pingado"...

Os significados não são iguais... Tão óbvio, mas às vezes tão distante...



Entrei no salão de bailes; era a maior área ali daquele clube de tolos. Só posso chamar de tolos um grupo que gosta do que não gosta, que sacrifica o pouco de personalidade que tem para seguir um bobo-rei, em troca de uns poucos trocados. Esse mesmo bobo-rei me dispensaria com prazer se outro pudesse realizar minhas tarefas com o mesmo empenho e capacidade.

Ele detestava tudo que eu prezava e, cedo, desistiu de falar sobre o que cada um de nós considerava arte e habilidades acima da média... Sobre a derrota do bem na sociedade, sob uma luz enganadora que escondia o tal Satã sob a acusação do tal Baudelaire (O diabo tem seu maior truque em fazer com que ninguém acredite para valer nele... ter medo não é acreditar... ter medo de Deus não é acreditar nele... ter medo do diabo não é acreditar nele).

A festa duraria três dias, três dias de tortura em que o lenitivo era a maravilha "walkman", embora naqueles tempos recarregar com pilhas o aparelho era um pequeno inferno particular.

Tive um momento especial de solidão, quando fui verificar a segurança na área em que os animais descansavam para participar cruelmente da festa... Senti no ar a penosa compreensão que eles tinham de seus próprios destinos; eles sabiam, a preço de se aproximarem dos homens, que serviriam, semi-escravizados, a estes, em troca de fiapos de vida; sentiam isso, sob a espiritualidade básica que possuiam...

Grandes olhos, úmidos e brilhosos olhavam com curiosidade a origem de ruídos... Eu era a origem de ruídos naquele momento e foi também constrangedor suportar a atenção sutilmente acusatória ou pedinte de todos eles... Que sonhavam? Aliás, sonhavam?

Certo dia vi um curta premiado em que cavalos de um carrossel por um momento se libertavam das amarras metálicas do brinquedo e, com vida, ganhavam o etéreo, onde o artista lhes criara pastos verdes claros, brisas fortes, um céu azul de poucas nuvens, e árvores... Todas essas coisas se tornaram apenas minhas muito cedo.

Tinha que demonstrar apenas entendimento de coisas práticas, e tornando-se minhas opiniões desastres inoportunos, já no início da adolescência passaram a desfilar apenas à convite. Conservei, porém, a implacabilidade que me caracterizou, quando havia abertura, mais para se livrar o mais rápido possível de discussões infrutíferas(pequeno trecho inédito do capítulo: "preparando-se para ser Belzebu, em "A Batalha..." - a 2012, espero...).
 
A palavra cansaço tomou-lhe todo, qualquer canto do corpo ou da alma. Jamais antes sentira-se tão esgotado. Mas aquele cansaço, que fazia com que imaginasse por frações de segundos que não seria capaz de alcançar a velha e solitária poltrona, ou talvez nem mesmo conseguisse pensar racionalmente daqui uns poucos minutos, era o responsável por se sentir herói, se sentir o máximo de si como nunca antes.

Então viu aquele que seria, anos à frente, conhecido nos pressentimentos e intuição universais como Belzebú... Patife! Como pudera dizer simplesmente "É o suficiente por hoje", e abandonar o capricho das águas que resolvera oferecer grande perigo iminente para a represa e a todos que estivessem em seu caminho, se saíssem de controle. E olhando-o, algo de suas entranhas de espírito parecia dizer que aquele ali calculara tudo, precisamente... Que alguém ficaria e doaria cada átomo de fibra ou centelha de espírito para assegurar o retorno da represa à quietude.

Poderia jurar, nas brumas de seu olhar prejudicado por lamas finas e umidade renitente, que havia um sorriso naquela face que parecia sempre a mesma, fosse qual fosse a situação... "Oh, se eu tivesse mais algumas frações de energia", pensou... Mostraria ao patife...

Embora se lembrasse de como todos que antes ousaram desafiar seu "amigo", terminaram... Lembrou que seu nome chegara já cercado de lendas urbanas sobre crimes, sobre lesões, sobre apelidos que gelam mesmo homens de fibra como Jeremy. Por sua vez o outro analisou seu amigo; deu-lhe uns poucos segundos e pôs-se de volta à tigela... Sabia quais seriam os próximos movimentos, sabia o que pensava o extenuado rapaz e que não precisaria fazer nada, apesar de visível a raiva contra ele... tolices...

Os homens são tolos sempre prontos a temer e seguir os fortes. Jeremy era em parte exceção, mas algumas semanas adiante compreenderia que herois a menos ou a mais são apenas papeis destinados pela torta e firme escrita dos acasos e suas costuras com o que deve ser... Pobre Jeremy, pobre diabo. (pequeno trecho do rascunho: "A batalha..." em "Preparando-se para ser Belzebu" - DS, p. 2012... espero...).

2 comentários:

Jarbas. o Crítico Literário disse...

Conta mais! Conta mais! Tá muito bom, e fazendo sentido!

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Cara! Curto dizer o seu, mas, SINCERAMENTE; SINCERAMENTE MESMO; a mais importante coisa que "ouvi" nestes tempos últimos, em se tratando de quem és e como preza as palavras literatas. E, creia, servirá de incentivo, para eu realmente terminar neste 2012 este romance "infernal"... rsss Abraço, Jarbas! Valeu meu bom amigo!