CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

sábado, 18 de fevereiro de 2012

VOCÊ FUGIU DO TEMA, OH SANTO CRISTO!!! E SANTOCRISTO NÃO SABIA O QUE FAZER...



REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:

sabordebaunilha.blogspot.com
luispellegrini.com.br
humortalha.com
fotocomedia.com

"Você fugiu do tema". Essa frase me massacrou durante o período mais marcante de minha vida estudantil. Odiando injusta e tolamente física, matemática e química, em parte pela eterna parcela professoral que carrega em si uma ineficiência natural misturada ao desinteresse de suprir tal carência com esforço sintético, que seja, eu seguia com amor aos momentos de história e em que o "Português" se tornava Literatura (perdoe-me, professora Rosana Zanelatto, por colocar letra maiúscula em Literatura, não resisto).

Diziam professores "ginasiais" ( pré ens. médio), "você fugiu do tema". E depois no médio, "você fugiu do tema". E nesse período viria uma frase libertadora "surreal demais", criticava um professor. Eu não tinha a mínima idéia do que se tratava o surrealismo. Eu me esforçava para fazer boas redações, eu queria aquela minúscula glória que transforma a alma de meninos, o elogio. Mas ele não vinha. Não de professores, pelo contrário, vinham desestímulos, muitas críticas sobre a confusa abordagem que eu fazia de concretismo e outro ismos. Mas, sem chororô... É assim mesmo, e de alguma forma havia compensação, alguns amigos de turma reconheciam em mim ao menos alguém que gostava de escrever... fosse torto, fosse o quê.

Que porra é concretismo? Que papel a merda do concretismo desempenha de fato nos espíritos juvenis que buscam a porra da escola para enriquecer o espírito, avançar na prática intelectiva que além de os colocar profissionalmente dará evolução espiritual... Oh, Santo Cristo. E eu precisava da fuga, eu precisava correr como Beethoven fez, e pelo mesmo motivo, em "Minha amada imortal". Viria então a terrível palavra, carregada de toneladas de equívocos "de toda parte possível", "mo-no-gra-fia", como pronunciaria Renato e o fez com a maldita "Te-Vê".

A monografia é afinal uma impossibilidade de o termo sofrer um mínimo sequer de fuga da simplicidade. Mono, um apenas; grafia, escrita; mais óbvio impossível: escrever sobre apenas uma coisa. Mas falar de um lápis, por exemplo, evoca sua fábrica, tudo que escreveu, sua história. Então a monografia tem um "problema". Um professor arguto escreveu certo dia sobre monografias: "se você não tem um problema, você tem um problema". Professores acadêmicos idiotas costumam transformar isso em um terror, em uma prática torturante, como a maioria dos pontos que são trabalhados em metodologia científica, termo que dá arrepios geralmente em todo ser estudante assim que é proposto. "Você fugiu do tema"; "Você não tem um problema de pesquisa".

Sabe, essas são merdas muito mal explicadas por professores de merda que costumam escrever em enormes trechos produzidos a suor sangue e lágrimas "melhorar" (sem dar uma mínima pista, melhorar o que, caríssimo? Mostra-me, da-me pistas, é teu papel, 'mestre'...). Um professor de verdade trabalhará essa porra de fugir do tema com jogo de cintura, que é o que todo professor deve ter se entende que isso de dar aulas é mais que ganhar o pão e disso até o fim dos séculos será indesviável. E trabalhará com simplicidade a explicação sobre problema de pesquisa, que é afinal só escolher uma especificidade no geral. 

A incongruência que levará toneladas de professores aos caldeirões luciferianos é o seguinte, além de ser o fato de ele fugir do básico do básico que é explicar com inteligência, com clareza, o que é de fato uma construção de pesquisa, não apoiar mesmo, de verdade, seu aluno na formação da estrutura do trabalho proposto e sem frescura no rabo mostrar uma linha que sustente do começo ao fim a condução da suposta curiosidade acadêmica em favor da ciência.

E, POOOORRRAAAA, não é para exigir que o acadêmico apresente talentos de escritor, uma revolução teórica (o que até pode acontecer, mas não é a finalidade) é apenas uma verificação se ele consegue estruturar razoavelmente em sua língua um assunto científico e explicá-lo, em parte a sua maneira, dizer o que pensa desse assunto que pertence a sua área, tocando nos pontos principais. Não é uma revolução tecnológica, científica, é apenas uma demonstração de domínios, razoável, em média. De resto irão ao mundo da pesquisa aqueles que de fato se sentirem impelidos.

Claro, deve haver cobranças, determinado rigor é lei em se tratando de pesquisa acadêmica, de produção científica. Mas, terror não, isso é de professor bosta, que precisa de tratamento de cuca, de terapia, para não fazê-la sobre acadêmicos que carregam uma herança maldita construída em parte por nós, professores. Os melhores professores que tive, entre eles a melhor entre os melhores, Rosana Zanelatto, nos fazia produzir conhecimentos, sem jamais a metodologia científica usurpar o papel principal, do saber de fato. E o modo simples que ela faz isso demonstra claramente que está ao alcance de todo professor que queira de fato cobrar uma monografia e não fazer do ensino um meio infernal de mostrar o quanto ele pode ser improducente e desestimulante, aí sim... TOTALMENTE FUGIDO DO TEMA! Um professor estúpido que lança mão de estratégia indigna como esta, dizer simploriamente "você fugiu do tema" e só, é no mínimo um covarde e ultrapassado. Oh, Santo Cristo... Monografia não é fácil, mas não é o Jason, não pode ser... Jasons são os péssimos profissionais da Educação, que perpetuam suas bundas e pegadas em solo sagrado para uma humanidade de fato inteligente.

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