CAMPO DOS GUAICURUS

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

POR QUE A REBELIÃO DE LÚCIFER?


REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:

dubfilmes.blogspot.com
a-casa-real-de-avyon.blogspot.com
portaldaluz.com
todaoferta.uol.com.br
rosangelaferrisangels.blogspot.com
blogprocurandoeles.blogspot.com

A bíblia é antes de qualquer coisa um legado literário. Instrumento de sábios, tolos e espertalhões, é sobretudo fonte de pesquisa para muitos. Se tem valor divino para alguns, se é objeto de grande poder espiritual, não discuto muito isso pois basta muito pouco para entrarem tolos e tolices em questões muito mais de cunho social, filosófico ou literário, sem recursos para lidar com suas dificuldades psicológicas, ancorando-se quase a babar, em algo que deveria ser a centelha para a inteligência o mais ampla possível.

Meu crítico orientador, Bloom, diz que somente a obra shakespeareana rivaliza com a bíblia. Estou com ele, em parte, e fuço coisas literárias do cânone judaico-cristão... Mas, sinceramente, a maioria das coisas bíblicas que 'fuço' ou são 'pops' ou nem mesmo estão na bíblia diretamente, sim em ondas históricas, cabalísticas, apócrifos, ou mesmo resíduos já presentes em outros livros.

Fé? Fé demais não cheira bem. Crer em Deus é muito mais de fórum íntimo, escandalizar tua fé é despropósito social.

Propagar, evangelizar, deve ser um pouco mais inteligente, em respeito a um Deus tão sutil "Veja a Natureza"...

Pois bem, entre todas as tolices fracas sob o ponto de vista de propósito, argumentação, para a questão da Rebelião de Lúcifer, encontro o "ele sentiu inveja dos seres humanos, quando Deus nos criou", uma tolice, isso é inaceitável mesmo para um médio pensamento, se refletir com liberdade na questão. Mas, sabendo-se que o homem torna-se cretino até mesmo de maneira surpreendente a si próprio se faz uma varredura em seu ser, no que tange à natural busca de poder e status, sim é possível imaginar que o Archanjo número 1, se tinha parte de nossa essência, possa ter se sentido profundamente lesado em ter que curvar-se a Jesus ou à Virgem Maria, e 'o pau comeu'...

Isso me interessa... É nisso que tenho me curvado (com importância ao lado fantasioso da 'coisa') para escrever um livro que espero levar à cabo ainda em 2012. Não lesarei no livro a beleza das coisas cristãs, em respeito ao espírito dessas coisas, e não em razão da papagaiada e micaiada que sai em nome de Deus por um bando de oportunistas ou fracos de espírito, dos quais procurarei me distanciar o máximo possível quando estão imersos em fanatismo oportuno, fazendo-se crer que vivem à cozinha de Deus, encostados na pia, tomando cafezinho e dizendo, pois é Senhor, querem saber mais das coisas aqui que "nós" os "verdadeiros" cristãos, superiores até mesmo aos "verdadeiros" socialistas.

4 comentários:

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Estou escrevendo um livro sobre Lúcifer. Se eu olhasse para cima, desistiria; gente poderosa como Papini e tantos outros empreenderam passos sobre tal tarefa, destacando-se em primeiro Milton, com seu "Paraíso Perdido", infelizmente acessível somente em verso, por enquanto. Adoraria que alguém com o poder e argúcia de Saramago transformasse em prosa a destacada obra. Não Saramago, rsss... Meu favorito transformaria tudo em poderosa ironia e deboche, seria mais um livro genial, mas não a prosa que espero de Milton. Enquanto aguardo que algum gigante faça prosa pra valer da obra de John Milton, átomo letral metido, vou escrevendo meu livro. Quando amigos me perguntam o que é mesmo o livro, respondo com a maior sinceridade: "Cavaleiros do Zodíaco para adultos". Sou fantasioso, nasci assim e assim morrerei, então não poderia escrever diferente que impor em letras meu objetivo, com furtos do próprio Milton, de escritores biblais, de Papini, de pesquisadores sobre o assunto, e ainda do Punk, da Anarquia, do Surrealismo, de Salvador Dali, tudo originado em escritores de gibis, que é onde minha doença incurável começou, a doença de achar que a realidade não existe, que toda carne e materialidade existente é uma saída para as letras encontrarem sua própria vaidade; "No princípio era o Verbo" :o) !

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Agradeço Ricardo Agra, Ubiratan Daniels, Alessandro Sputnik e minha mais nova incentivadora, Nelma Leonardi; estes e outros de maneira mais periférica tem feito em meu espírito o que Gundolf (aliás, faltou Tolkien na lista acima) fez com o adormecido, tirou-lhe o 'encosto' rsss... e 'disse': Faça, rapaz, porque aquele que não termina é fracassado.

Jarbas, o Teísta disse...

Essa tirada dos "íntimíssimos de Deus", que vão direto para a cozinha da divindade, foi demais. Como todos os intermediários se julgam assim, super-íntimos, não sei como esse deus ainda não lançou licitação para substancial aumento das dimensões cozinhais. Deve estar faltando espaço, panelas e alimentos.

Reputo que o deus bíblico foi um tremendo retrocesso. Depois dos deuses gregos, que interferiam pouco na vida humana e, porisso mesmo, eram respeitados e mereciam tratamento de divindade, veio o deus fantoche, assacável do bolso de trás por qualquer louco desvairado pela aridez do deserto.

Um mangá japonês, "O Mito de Arata" me forneceu essa pista. No reino paralelo a que o personagem contemporâneo foi lançado, os deuses são todos "sacáveis", para a exclusiva conveniência dos seus portadores. Se o portador morre, o deus a ele ligado deve procurar outro ou... fica no limbo da inatividade e da impotência.

Graças a Thor, não existe apenas esse deus bíblico, geminado com o deus-bode-expiatório chamado Lúcifer. Não respeito um deus que não assume responsabilidades e não se dá ao respeito, aceitando que qualquer pilantra se auto-nomeie seu intermediário (ou portador, ou, na terminologia do mangá, "shou").

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Ótimo ter a aguda visita de nosso, Jarbas, o Teísta, que sabe tocar nos pontos de maneira acurada, necessária, e com sua costumeira densa e qualificada linguagem. Quaisquer outras palavras poderiam causar ruídos; melhor é "ouvir" a seco como bom vinho, nosso contundente e justamente crítico amigo. Ao deleite, caros amigos outros.