CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A ESTÉTICA. OH ESTÉTICA...


REFERÊNCIAS DAS IMAGENS

tribulandia.blogspot.com
ecovegano.blogspot.com
compartilhandoservindo.blogspot.com
entretenimento.r7.com
coronacomingattractions.com
pt.wikipedia.org


OH ESTÉTICA, por que oprimes e ao mesmo tempo libertas? Sei, não podes responder, pois tua resposta é a insolência inocente, nem tanto às vezes...

OH ESTÉTICA, vejo que os passos de uma cadela humana no cio toca em mim sem que tenha a menor idéia do impacto que causa no coração incendiário dos tolos...

OH ESTÉTICA, porque exige tanto, porque tiraniza e escraviza tão grande parte dos corações, não posso me render para o que propões ao tempo todo... Sou feio, querida, paladino antigo de todos que pelas razões insondáveis da natureza não são contemplados por teus caprichos...

OH ESTÉTICA, colocar uma vira-lata antes de tantas mulheres que desfilam aos olhos foi uma boa vingança, não foi? Cuspo em teus empertigados cães e cadelas, eu amo a feiúra e o fedor das orcs, querida... Eu sei lidar com isso...

OH ESTÉTICA, eis-me aqui já arrependido, que miséria, eis-me aqui na sarjeta pedindo teu perdão, me leva novamente perto dessas mulheres com perfumes que nem mesmo poderiam algumas comprar e o fazem, me leve perto desses olhos profundos e tristes que estampam as escravas de teu poder...

OH ESTÉTICA, mas tudo já mudou e estou aqui agora sem o teu domínio, com minhas próprias regras estéticas, e que sensação de paz toma meu coração, consigo ser tão pleno que não existe feiúra em qualquer ponto ou papel que eu toque, a harmonia é suprema e estou imune ao sorriso zombeteiro que te traduz a galhofa quanto à permitir tu e tu somente, às vezes, uvas da raposa...

OH ESTÉTICA, eu me lembro dos olhos da Nilza sob o óculos, eu tinha 6, ela 7, talvez eu 5 ela 6, mas eu já percebi teu domínio, naqueles olhos castanhos, úmidos, de uma criança que estendia para a outra mais pobre, todas as uvas restantes... Eu me lembro a primeira vez que vi uma criança loira de olhos intensamente azuis e a confusão que isso causou em mim, do gueto... Anos mais tarde tocaria o corpo de uma atriz de teatro com o corpo perfeito de petróleo, os dentes perfeitos, o cheiro de mulher negra cuidada, aquele cheiro que comove a profundidade da alma e promove a mais básica e violenta das sensações da paixão...

OH ESTÉTICA, o olhar feito de espadas verdes e azuis, Margareth, sua alvez eternamente intacta, sua intimidade doce e rósea... Por que a escravidão das memórias? Olho outra mulher loira, tão linda que encolhe a antiga dançarina xanaduense, tatuagem no peito, olhar melancolicamente particular... O passeio dos dedos na guitarra, a escuridão atacada pelos flashes mal postos por profissionais mal pagos... Ei! Ei! Grita o vocalista, cansado, rezando para terminar uma noite maldita... As mulheres morenas, as Cleópatras dominam no final, são ESTÉTICA, o esmero de teus caprichos...

OH ESTÉTICA, quem não ajoelha por seus favores, quem não lamenta a carteira tão vazia para sustentar os antigos amores, que não roga, não prosta-se e humilha-se totalmente esquecido do brilho da dignidade, por apenas algumas migalhas de tempo guardado, seguro do olhar zombeteiro da multidão... OH ESTÉTICA, tudo parece tão pobre quando teu reinado resolve ser absoluto, até mesmo nossa RAINHA DAS RAINHAS, às vezes aliança-se a ti e diz  "sou a poesia que trai..."

Mas a beleza da feiúra, ESTÉTICA, será a vencedora do final dos reinos, esmagada toda a beleza, os cães sagrados perderão toda a casca que os oprimiu durante os séculos, as almas explodirão cada corpo e de seu interior sairão, não restará uma superfície intacta sequer, nus, como profecia Dylan, todos nós voltaremos, e os valores da escrita sagrada da beleza, OH ESTÉTICA, tão comprometida, esfacelarão com gosto todos os livros que permitiram essa barbaridade chamada exclusão

E não sorrirei em teu leito, pois tão fatal será essa hora que todas as forças das ondas eternamente implacáveis se inclinarão para a titânica varredura,

Mas agora, OH ESTÉTICA, concedei uma aliança maldita comigo, fazei com que teus serviços às vezes me sirvam, pois escravo de ti corro a noite e o dia, obrigado a deparar com tua obra na natureza e na construção dos homens,

Concede-me às vezes, ou com o pequeno poder que me é concedido a combaterei no Céu e No Inferno, e mostrarei que afinal somos nós os pequenos poetas que somos capazes de reger tua Glória, pois os grandes tem papéis outros, não são capazes de tocar em ti como tocamos...

Preciso de todos os teus toques, de todas tuas nove musas mensageiras, de uma só vez às vezes; preciso navegar em silêncio e tocar teus favores; preciso segurar com minhas mãos a natureza, preciso do sorriso lindo das mulheres que nada dizem, pois não precisam dos favores complexos do falar; preciso ser o herói e mocinho bandido, bandido mocinho, preciso de pactos pontuais... das circunstâncias, preciso de ti, miserável estética... perdão, OH ESTÉTICA... 

ESTÉTICA, que escraviza os homens, pequenos ou grandes, mas sem saída, és também escrava dos caprichos de um senhor maior, o Senhor de Lorenz... O CAOS quando quer a põe de joelhos, perdão, senhora; OH ESTÉTICA...

3 comentários:

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Essa blogada começou pela inspiração na beleza arrasadora de uma amiga de facebook que tenho; prefiro a beleza morena, mas devo admitir, essa loira pertence ao tipo de beleza que indifere de classificações... Ela é muito, muito, muito linda, loiríssima e de olhos cristalinos. Se fosse negra, seria lindíssima, se tivesse olhos nesgados e fosse amarela, lindíssima; vermelha, lindíssima... Uma musa, é o que digo. E talvez, se ela permitir, venha uma foto para confirmar o que digo :o) .

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Embora seja para uma minoria evidentemente desnecessário, para que não haja confusão na relação musa-poesia, o "cadela no cio", nada tem a ver diretamente com a musa (moça que sob visão ordinária é retrato distante do termo em questão); trata-se de mera linguagem sensual e profana, e só. Ela nos emprestou sua beleza inigual, sua sensualidade natural, na verdade inocente pois Deus a deu em grande parte. A musa é intocável, o que ela provoca é por nossa conta e somente :o) !

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Relendo neste instante essa poesia que me agradou especialmente; vejo que soa como uma mágoa sob o poder da beleza. Não, não pode ser, a beleza está na base de tudo que me motiva e do que produzo. Talvez um lamento com um toque de tirania que existe. Quando essa tirania é da própria Natureza, claro, além de isenta só serve o melhor da contemplação se nos livramos de nossos demônios; porém, quando serve os ardis da produção televisiva ou de cinema "todos lindinhos, branquinhos" seguramente é merda da sociedade cega. Mas, a moça que serviu de inspiração para essa poesia é lindíssima e de uma persona aparentemente bastante franca, é familiar e agradabilíssima. Tenho receios de usar musas que declaro, pois tenho dissabores anteriores; mas foi irresistível revelar de onde veio... Me agradei muito da beleza dela :o).