CAMPO DOS GUAICURUS

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A PAZ É UMA PRISÃO TEMPORÁRIA... DOCE...





REFERÊNCIAS DAS IMAGENS

recordar-maria.blogspot.com
arquidiocesedecampogrande.org.br
poesiasdeflaviocurervo.blogspot.com
ultradownloads.com.br
pt.dreamstime.com


A PAZ. Ela pode ser uma merda se não for compreendida e usufruída humanamente. Ser humano é acreditar em coisas metafísicas, sobre-humanas, está em nossos “chips” essa obrigação, esse medo de não acreditar e, frágeis como somos, sucumbirmos e ainda ter o nada a nos esperar. Mas estamos vivos. O que falaram, prometeram; falam, prometem das coisas luminosamente divinas, com exceções dos Santos Loucos, Jeremias, São Francisco, San Sebastian e outros, vem da boca de gente que garante sua materialidade, buscando seu poder sobre nós. Querem o governo de parte de nosso comportamento e ações, como levar a mão aos nossos bolsos ou a nossa bunda enquanto nos explicam como é o Céu... sacerdotes, tem os bons, mas... ô raça... Estive numa prisão, dois anos em uma prisão “normal” e seis meses em uma prisão de segurança máxima, nessa última porque desconfiaram que minha liderança na prisão comum não era apenas para fazer os irmãos de prisão pintarem telas, escreverem cartas, discutirem bases filosóficas, conversarem sobre o tudo. Na prisão conheci Deus e a paz, e, claro conversei também com o Diabo. A experiência de conhecer Deus e sua grandeza justamente porque o afrontava com orgulho tolo de falso ateu (acho que o motivo principal foi esse, o restante cabe a ele, não entendo). E percebi que a paz tem uma relação direta com a prisão. Atingir um estado de espírito em que você fez o máximo que pode de suas ações “lá fora” e não há nada mais que possa fazer para mudar as coisas e então vem uma quietude... Um silêncio, uma coordenação rigorosamente programada de coisas; regras, regras, regras e mais regras que não me incomodavam tanto; davam-me, pelo contrário, a alegria muda, parada, silenciosa; a alegria de estar rigorosamente em dia com o fazer... Aí podia ler de verdade, uma queima, um incêndio interno, mental, espiritual; Blanchot diz: “a parte do fogo” quando fala em escrever... Mas não existe escrever sem ler... Escrever é ler, ler é escrever... Existem autores de livros que jamais esboçaram uma linha, mas pensaram histórias “perfeitas” e quando leem... puxa, pena que não temos acesso, pois quantos e quantos mais geniais pontos de vista que existem sobre as coisas ficaram perdidos... A PAZ, precisamos dormir, descansar, repousar... Dormir das coisas... A PAZ, precisamos nos isolar de pessoas que nos fazem mal facilmente, de ficar isentos dos fogos amigos, dos inimigos na trincheira... Deus, Jesus, ficou em paz na Terra 40 dias, o acompanhou enquanto o tentava, o poderoso Lúcifer; conversaram... Papini (escritor italiano de uma fantástica peça radiofônica constante em “O Diabo”) relata algo sobre a prosa, diz que Jesus, Supremo, poderia ter agido de maneira diferente... mas Jesus é Paz, certo? A PAZ, isolar-se, prender a si próprio em uma regra de pouquíssimas regras... A PAZ, em vida, é o sono, é o parar harmônico, e se preparar para as aventuras... PAZ, PRISÃO, doce... Dentro da obviedade que não existe apenas uma paz, que a solidão pode ser tantas coisas; precisamos nos prender por nós mesmos às vezes... Ficar em PAZ, pois logo vem o Verbo, e o verbo pode ser a aventura, a batalha... Seguir...

Um comentário:

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Entenda-se o ficar em paz 40 dias, sobre Jesus... É o contexto... Obviamente, sendo Deus, está em Paz no tempo absoluto... Assim imagino, embora contem de momentos em que irritou-se; naqueles templos que queriam vender trecos... livrinhos, lembrancitas, coisinhas sagradas, animaizinhos para sacrifício... Isso?