CAMPO DOS GUAICURUS

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O CHEIRO DE PAPAYA VERDE



REFERÊNCIAS DAS IMAGENS

osirismelisadavila.blogspot.com
saboryculturadebrasil.blogspot.com
marthasbest.com

MAMÃO PAPAYA VERDE. Já cheirou a resina do papaya verde? Sabe a que cheiro se assemelha? Não entendo o ataque feroz que alguns fazem contra "O Cheiro do Papaya Verde". Se arrasta, claro, é lentíssimo, é estranho em seu contar sobre a subserviência da mulher, e especialmente da mulher oriental; da subserviência de servos (red. consc.). Todo filme tem sua proposta e a proposta do chatíssimo (paradoxo) Papaya Verde é aquela; é maravilhoso em tratar da infidelidade e da falsa complacência da esposa, em tratar do próprio amor, do amadurecimento de uma relação com muro de décadas que rui sob o poderoso sexo, aquele que Erasmo diz: "...quem pode resistir à concupiscência?". E não o sexo simplesmente carnal, sofá de novela das oito... Talvez até pareça, mas a sutileza afasta Papaya verde de uma má sorte destas. O sexo é o mais exótico de todos os demônios com quem podemos nos relacionar e saber do insondável. É aquele com quem conversamos dentro de nós mesmos com tal solenidade que chega a ser assustador... Nunca sabemos tudo, porque nada se repete (Heráclito). Hoje em dia é proibido falar em sexo feito com empregadas domésticas, pois isso ficou horrivelmente marcado pelas brasas impuras de milhares de filhinhos burgueses e seus pais que... Mas isso é tão presente na história passada (de outra forma que hoje, fato que "não existe", e se existe é sob o signo da maldição) que queimou há poucas décadas certa figura de grande destaque no cenário intelectual "comecei como muitos... com uma empregada doméstica"... É, o cara se refere ao pai dele como "Papai...", é assim... Mas no fim, o japonezinho burguês junta com vontade, paixão e amor, a antiga serviçal, e entram em jogo outros elementos shakespeareanos... Sim, Papaya Verde é "chatíssimo" para quem é ansioso ou quer encontrar doçura em jiló (acho que jiló deveria ser escrito com "g"); jiló é para quem sabe comê-los (ainda é necessário acento nestas palavras, jiló; comê-los??? (... hum....) em hora de menor preguiça checarei pelo professor Youtube ou Nossa Senhora Gramática)... Nunca te vi, sempre te amei... outro! "Chatíssimo"...


2 comentários:

Jarbas, um homem disse...

Bom, Jorge, a chinesinha do cartaz do filme é um encanto. China, China! Se não existisse, seria preciso inventá-la. Gosto de gente de olhos puxados (de mongol a índio, passando pela praça da paz celestial, onde uma vez um chinês corrompido posou para câmeras ocidentais). Gosto também de gente que não tem olho puxado. Quando falo "gosto", não sei porquê, penso num estereótipo feminino.

Mulher! Se não existisse, precisaríamos inventá-la. Suspeito que o inventado foi o homem (nada contra, sou um deles, e me sinto confortável no papel; uma das coisas mais nobres da vida é poder admirar as mulheres, coisa que as mulheres, os machistas e os homossexuais não podem fazer). Convivo com muitas mulheres, de todas as idades, e tenho um certo conhecimento do assunto. Porisso, por amar as mulheres, ás vezes sou confundido com homossexual (gente que inveja as mulheres). Por "homens" (de pés-de-chinelo a governadores) que não amam as mulheres, mas apenas querem ter uma escrava. Na nossa sociedade machista, quem tem pelo menos uma escrava é "superior"; quem adquire uma arma vira adulto; quem compra um computador, fica inteligente; quem dá 10% dos seus vencimentos a uma igreja ganha, barato, o reino dos Céus.

O que é ser Homem? Não quero desanimar ninguém (nem a mim mesmo), mas é preciso ler o poema de Kipling, "If", e ler o Gilliat de Victor Hugo (em "Os Trabalhadores do Mar") enfrentando a Fúria da Natureza, para saber. Não se pode ser Homem fingindo-se superior às mulheres. Não se pode ser Homem botando a culpa de tudo no deus-bode-expiatório criado por renegados persas e adotado por personagens bíblicos.

Bom, nada contra homossexuais. Cada um tem a sua história, talvez muito parecida com as dos outros. E eu gostaria de conhecer essas histórias, é claro, até para fazer uma tese acadêmica, onde concluirei que são mais homens do que os que querem exorcizá-los ou eliminá-los. Se me sobrar tempo.

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Seu comentário, com gosto de café da tarde e jornal (de papel) virgem, dos anos 70, torna agradabilíssimo o espírito próprio, após a lida. Foi muito prazeroso ler seus comentários com especial languidez e certo toque de Juan, bastante sutil, mas bastante presente. Como disseste, quem não sucumbe a olhos nesgados? Eles são muito... Já foi dito em tuas palavras... Que sobre, que se multiplique, que haja muito tempo para sua maestria de ler, interpretar e construir letras... Gosto muito, espero que estejas constantemente por aqui, pois o brilho de seus dizeres é da constituição mais esperada por aqui. Abraço, muito obrigado pela tua vinda e disposição :o) !