CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

MICHEL TELÓ VAI LONGE. LONGE DE MIM, VOCÊ E O REI-MACACO GEL DA HORA






REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:

entretenimento.r7.com
rogeliocasado.blogspot.com
obviousmag.org
thatsonpoint.blogspot.com

Teló vai longe. Pô, gente de alta lucidez apoiando a porcariada toda, em razão (deve ser) de uma mesma camisa regional. Então, ao final, o rock do rock, e somente. Claro, sabendo-se que também este, mesmo com poderosa herança sócio-cultural-crítica, carrega toneladas de porcarias, de bobagens. Mas ele, ele o ROCK é que tem a "Coisa". A "coisa" misteriosa da arte, tem as razões de das grutas azuis perdidas na antiguidade do Oeste Central e os ruidos de seus pingos solitários; tem a fonte de Ponce de Leon, a Atlântida, as dores de pai de Nostradamus, o olhar de Da Vinci sobre o enforcado, sua estréia; tem o Quinto Elemento, a esporrada milenar e o fruto da árvore sacra. A arte não é feita apenas de esforço, isso é menos que um centavo, menos que a maçã mordida esquecida na pia, sem doce, cheia de artifícios. A arte é muito mais que tudo, tem a magia titânica em que se digladiam e ao mesmo tempo mesclam-se a selvageria e domesticidade, em uma pacifidade perfeita, com o antagônico alinhado pela imperfeição: "A puta era um poço de bondade" (Geni de Chico, para milionesimamente repetí-lo); mas putas não querem só o dinheiro da sociedade, do cinismo da comunidade, da escuridão dos passos dos senhores e senhoras?; e "Mudaram as estações e nada mudou..."; "Não tinha medo o tal João de Santo Cristo que comia todas as menininhas e roubava do altar..."; "Como? Explique-me, seu Deus é três, ao mesmo tempo um e vocês mataram um de seus deuses? Quem me dera ao menos uma vez..."; "Até quando esperar a ajuda de Deus... posso cuidar do seu carro, engraxar seu sapato?..." Oh, Plebe, tão comum nos dizeres incomuns; selvagem e lamentosa, crítica... E que dizer do infinito Renato? Mordam-se os tolos que não conseguem reconhecê-lo como o rei dos reis do rock, mas é isso... Mas, afinal, qualquer um pode fazer arte? Óbvio que sim, ou seríamos menos que pulgas, com nossos cerebrões... Pulgas tem seu circo, cães seus aplausos: "Au-au, quero mingau!"... Palmas, biscoitos, toscos trocos... Mas o que tem nessa frase canina? Nada!!! E não o tudo, nada e vezes nada. Macacos imitam, não como Aristóteles sentenciou, que a arte é imitação... Isso é influência, Aristóteles, claro, não diria uma tolice desse porte. Imitar tem outro sentido na grande arte. O esforço compensa o artista? Sim, não viram o cão ganhar biscoitos? E sem esforço (Beethoven e seu famoso suor) não há arte... Mas... mas... Se a arte ordinária merece seus biscoitos e toscos trocos, a ARTE, essa é feita de muito mais. É preciso reconhecer que há muito mais na Arte, que mero esforço. FAMA NÃO É GLÓRIA, pois essa última implica em muito mais que jogadas ou estratégias somadas a esforços e macacada imitando a rodo, depois que o "macaco rei-da-hora" (Cristiano Ronaldo) macaqueou a merda. A arte é a rainha das rainhas dos sentidos todos em si e em tudo... Exige um toque dourado de compreensão muito maior que saber a combinação óbvia entre pênis, vaginas e rabos, isso é basicão... mesmo que colocado com humor raso. Mais que "o pobre e injustiçado", isso é surradíssimo na arte, tem que ser "mais". Mais que "a pinga é um lenitivo espiritual" (BAH!!!); mais que o lado tosco do patriarcado (mulher levar porrada), QUE MERDA! A ARTE, para ser reconhecida como gloriosa nem mesmo é possível ser explicada, e é sutil e ao mesmo tempo reconhecida, por loucos, pops-gentes-mil, por intelectivos seres, por todos, enfim... Ela tem um poderoso, poderoso eu disse, ponto universal reconhecível, justamente esse que faz com que ouçamos a Nona de Beethoven (lamento os que não alcançaram essa pequena e tão facilmente alcançável dádiva) e além de obrigatoriamente acreditar em Deus sintamos "há algo aí..." O que há aí? ARTE, em seu poder extremo e não distante do alcance de qualquer um mesmíssimo mortal após o nascimento da 9ª. O que??? Não sei... Mas há algo... assim... Grandioso! Como quando víamos Senna dos Domingos na pista e aquilo tudo parecia um grandíssimo e mágico palco em que ele ao mesmo tempo regia e tocava todos os instrumentos e ouvíamos música... ele era música... É! É música... É ARTE! Estranho e familiar exemplo em que não é apenas o esforço (quantos pilotos se esforçam? Schumacher Salada de Chuchu não se esforçou? Não é um super campeão? E não o atormenta a sombra doce de Senna?) A arte é o que os separa, algo que ninguém é capaz de mostrar definitivamente, algo ao mesmo tempo ponto harmônico e discordante. Teló, meus parabéns, rapaz, pelo teu talento, parabéns pelo seu esforço em busca da fama, esforçado, artistão, vai longe... LONGE DE MIM, e leva junto Cristiano Ronaldo e todos seus macacos imitadores... perdoadas as crianças de verdade, pois estas não sabem o que fazem...

2 comentários:

Jarbas, o Amigo dos Felinos disse...

Voltou com a corda toda, Jorge! Parabéns!

Michel Teló: não curto, mas dias atrás me peguei, sem querer, usando o refrão de sua música ("Assim você me mata!"). Nosso novo gatinho (que já mudou de nome 4 vezes, de Bastardinho Abduzido a Pezinho-na-Cova) adora afiar as unhas no tronco do sabugueiro. Também não curto esse tipo de exercício, mas o compreendo, pois o bicho faz isto com arte e elegância supremas. E faz arte (verdadeira) porque não está perseguindo a fama ou o dinheiro. E nem porisso fica sem a sua ração de cachorro (ou seu leitinho, ou seu bifinho nervurado).

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Ótimo felino... E você falando de sabugueiro me transportou à infância; ao temor que eu tinha de ser necessário tomar chá do dito cujo... É muito ruim... Mas as lembranças da infância são um ótimo, um grande refúgio. Abraço, Jarbas, valeu a preciosa visita e comentário!