CAMPO DOS GUAICURUS

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

MACHADO DE ASSIS, O MAIOR ESCRITOR BRASILEIRO, MAIS MADURO QUE OS TITÃS DO LAMENTO CRÍTICO.



REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:

escritoresalagoanos.com.br
reflexoesevangelicas.com.br
devanil.com

ÓBVIOS DA LITERATURA. Sem dúvida a angústia participa da literatura portentosa, titânica. Talvez esteja muitas vezes entre pequenos escritores. Minhas considerações pelo que defino "titânico" em literatura, excluem Paulo Coelho; mas por se tratar de recordista de venda de livros, aí presente o fato de que é um marketeiro marca Duda Mendonça, tipo top, e conseguir fazer um monte de gente desesperada acreditar em Carocha, devo definí-lo como gigante, em outros termos. Mas, diferentemente do que ele pensa, por usar o fardão ridículo, ser "bonzinho", leitear as "pessoas certas", ter chupado laranjas com Raul e cositas más, ser um escritor capitalista por excelência, não passa nem perto de ser "O Borges" brasileiro... A angústia não aparece em Paulo Coelho, por isso o iço como exemplo de exclusão dos titânicos, ele é alegrinho e curandeiro de almas, recusa o título mas é xamanzito, remedieiro auto-ajuda, e serve-se fartamente do maná oriental e do Surrealismo, o El Dorado ao alcance de todos os fantasiosos. Machado de Assis, se Bloom tem razão em dizer que se passarmos uma lâmina em "Pensamentos" de Montaigne, o livro sangra, creio que se fizermos o mesmo com as melhores obras de Machado, também sangrarão os livros, mas se o sangue em Montaigne representa a dor que incomoda também a alma de Saramago, um lamento, pela parte de nosso escritor Machado, verterá um sangue também azul, mas com um toque de amadurecimento que nem mesmo o poderoso Montaigne e meu preferido dos preferidos, Saramago alcança. O amadurecimento de Machado de Assis é supremo, é superior, e quase, quase Harold Bloom o alcança, seu saxonismo impediu isso, seu bairrismo, que não afasta meu amor por ele, evitou isso... Ele glorifica Machado de Assis, mas não o suficiente. Quando respondemos porque a salada de jiló (ainda acho que deveria se escrever jiló com g) é tão especial, ou porque gostamos de algo tão exótico e a resposta é insuficiente, há um tom metafórico do que proponho. Se os escritores fossem vinhos, na prateleira onde Machado estaria, muitos alcançariam, pediriam, beberiam, mas perceber o melhor de seu gosto não estaria ao alcance nem mesmo pelos leitores de Montaigne, Saramago, Borges e outros iniguais. Machado de Assis, como Airton Senna, sim, representa um orgulho para nós, que arrepia os átomos dos átomos dos pêlos, que eriça o espírito na questão que move a evolução social restrita, o "somos nós", ou como diz um amigo "É nóis na fita". Seu ceticismo não é simples, e em sua complexidade tem o lamento de Borges e Saramago, mas de forma tão refinada que só uma amadurecimento único, presente em Machado, é capaz de dar. Não sou tão cético, tão pessimista que não acredite que haverá um resgate machadiano, passada essa onda tão sórdida de valores culturais tão enganados sob a capinha cretina do arte para todos, lançada pelo diabo que Baudelaire jamais cansou de denunciar... Aquele que articula-se fazendo-se que não existe... Sigamos... ah, se Machado nos pega, sigamos... sigamos... é preciso prosseguir...

4 comentários:

Inês Sempreviva disse...

Dante, hoje resolvi ler sua última postagem. Lá estavam Machado, Saramago, Bloom, Baudelaire, gente da melhor estirpe. Vamos lá: ignorei o PC, o pop do culturalismo e do capitalismo rastaquera. Você soube conciliá-los todos em um texto muito bom. Abraços saudosos, Inês Sempreviva.

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Inês Sempreviva; simplesmente a mulher para mim imbatível na proposta de tratar a literatura. Não sei se aprendi de fato com ela, mas sei que meu espírito é muito mais rico, muito mais literato, e a literatura é para mim muito mais valiosa, após conhecê-la. Obrigado, Inês; seu brilho contagia tudo do melhor do mundo :o)... Me deixou muito feliz com a visita!!! Muito mesmo!!!

VERDADES SUTIS NO TEATRO SOCIAL disse...

Excelente texto sobre Machado, alguns pequenos detalhes penso diferente, mas na maior parte os argumentos são fantásticos, e nas palavras desenhadas por você, com o seu conhecimento acumulado, é sempre um elixir para nossa alma.
Abraços,
Rogério

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Obrigado, Rogério, pela sempre agradável e intelectiva visita. Sim, não fossem os pensamentos contrário em literatura e ela não existiria maravilhosa como existe; recheada de luminosas contradições e contrários entre um e outro. Sinto-me bastante agraciado por sua estima em metaforizar o "elixir"; que continuemos; com nosso grande Machado de Assis, cuja obra não tem fundo nem fronteira de extensão. Abraço!!! Sigamos!!!