CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

sexta-feira, 15 de julho de 2011

"Aquele que não está contra nós, está a nosso favor" (Deus); "Se é inimigo de nosso inimigo, é nosso amigo" (em Alien x Predador)...


REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:

comdeusconversando.blogspot.com
nildomello.blogspot.com
amazon.ca
wook.pt
cinemacomrapadura.com.br
g1filmes.com


“Aquele que não está contra nós está a nosso favor” (Deus) e “Se é inimigo de nosso inimigo, é nosso amigo” (em “Alien x Predador”) são duas frases nem tanto sustentáveis, apesar do poder da assinatura presente na primeira. Aliás, justamente por tal assinatura, pode-se inferir mais que uma interpretação, o que paradoxalmente tira o vigor objetivo na máxima.  Lembrando-se que o contexto basifica primordialmente os sentidos, noto (se não me falha a lembrança) que a primeira frase aparece sobre uma reclamação de discípulo que teria dito: “Mestre, estão pregando em teu nome...” (com tons de preocupação sobre uma possível usurpação).  A segunda frase é um raciocínio que dá origem a uma estratégia vencedora, quando aliens e predadores começam a estraçalhar com a costumeira facilidade, uma equipe de pesquisadores e adendos de apoio, em uma gigantesca estação subterrânea. Aliás, cabe dizer que esse filme é muito bom, para quem é universalista na absorção da qualidade artística. Lembro que fui assistir o “1” com grande má vontade não externada superficialmente, afinal, como bom “pãe” ia para agradar meu filho; fazer-lhe companhia. Puxa vida! Acabei gostando tanto quanto, ou mais que ele, do filme carregado de essência trailer. É um campeão de ação, de suspense, apesar de termos que aguentar a tradicional gosmice, estouro de estômagos humanos e a gritaria comum ao terror. (mudança brusca, mas prometo, virá a coerência): O Papa Júlio II foi um sujeito terrível em cargo e pessoa, carregado de manchas que o tornam um alvo fácil para justos moralistas, embora tenha sido louvado em façanhas por Maquiavel (bem...). O que interessa daí e nos liga aos dizeres primários na blogada? O impulso, o ímpeto... Infelizmente, como diz Wilde, não há às vezes tempo de nos socorrermos em uma base segura, nem mesmo um Wikipédia está às vezes (de novo) ao alcance. Mas, antes de ir adiante, citemos Maquiavel (Cap. XXV, Círculo do Livro, Cultrix, p. 145): “O papa Júlio II agiu em tudo impetuosamente; e viu as circunstâncias e as coisas conformarem-se tão bem a sua maneira de proceder, que sempre acabou por ter êxito”... Bem, vocês todos sabem, Maquiavel é foda na escrita, na literatura. Aliás, embora não tenha lido isso nem de Bloom, meu guru 1, ou de outros, (aahhh, tilinta-me a memória, sim, um crítico da Veja, perdoem-me, não tenho como pesquisar o nome correto do dito cujo, disse algo... “Se há um consenso sobre Maquiavel, é que escreve bem...”, o cara, o crítico, falou nisso enquanto massacrava um incauto escritor que propunha em “O Príncipe” um tratado de marketing). Quase cometo um desprezo acidental de terrível ordem. Mas, ia dizer que se Bloom e outros desprezam o “xamanismo” (psicanálise) de Freud em favor de um poder maior dele, o poder de escrever genialmente, creio que isso pode valer de diferente forma para Maquiavel. Bem, vamos dar coerência aos três eixos perdidos... Às vezes não temos como ser prudentes o suficiente, às vezes não podemos nos guiar seguramente nos atos, o que fazer? Não temer o erro, SIM NÃO TEMER O ERRO (se a fatalidade não aparece como possível) e aceitar alianças temporárias... Não é preciso transformar a paixão em amor em cinco minutos... Mas é necessário nos aliançarmos com vigia superficial (adicionar gente que não conhecemos pessoalmente, no facebook, por exemplo), enquando não temos as luzes suficientes; e, sim, quem não fala diretamente contra nós, e diretamente não está a fazer contra nós, ainda não é nosso inimigo, sendo, portanto, nosso amigo, em primeira instância... E quem luta uma mesma luta, contra um mesmo inimigo nosso, ao menos inicialmente é nosso amigo... E por fim, sim, é preciso decidir muito rápido às vezes... E é bom saber rezar com efeito...

7 comentários:

Valdir DM disse...

Nesta questão, Dante (ou talvez seja melhor dizer Jorge), jogo outro peso pesado: Carlos Drummond de Andrade. Ele dizia, muito apropriadamente, que "no meio do caminho havia uma pedra". Dizia e repetia, com variações estilísticas para cativar o eventual leitor.

Mas o mais importante foi o que o poeta não disse. Ou não fez. Note que ele nem pensou em explodir a pedra com uma bazuca. Nem acusou a pedra de postar-se ali a mando do Demo. Drummond era de Paz. Como eu (embora às vezes possa parecer o contrário).

Se há inimigos, há guerra. Se há obstáculos, há diálogos. Com a pedra de Drummond, por exemplo, acho que eu teria um bom diálogo. Começaria por fotografá-la em diversos ângulos, procurando desvendar toda a sua beleza plástica (sim, o "outro" também tem qualidades, talvez maiores do que as nossas).

Negociar, negociar, negociar. Uma vida bela não é a do cidadão ou cidadã que se "doa" aos outros (tipo Madre Tereza). Muito menos é a do cidadão ou cidadã que "toma" dos outros (tipo... ?). Vida bela é a de quem sempre negocia (ainda chego lá, ainda chego lá!). Não negociar-para-enganar, mas negociar para ser feliz e para espargir gotas de felicidade ao derredor. (Pô, o seu texto marcadamente poético, apesar do tema filisteu e do fluxo prosaico, me contaminou!).

Quanto a filmes de alienígenas ou anti-humanos, meu predileto é o velho "2001 - Uma Odisséia no Espaço". Também gosto do igualmente velho "Jogos de Guerra". Tirante estes, prefiro uma dança de fractais à dança das bombas e dos foguetes. E não acho bonita a covardia do bullying (escolar ou ONU-USA-OTANal)...

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Prefiro que me chame de Jorge, o considero já sanguíneo. E, sendo assim, já devo dizer que a poesia começa a remoldar-se a partir de teus dizeres. Não tendo simpatia por Drumond, a partir de tuas palavras as coisas modificam, vejo-o de outro ângulo, se meu amigo de poderosas pinças e veres/sentires põe Andrade de modo que antes eu não via. Gostei muito de sua assunção de um posicionamento de paz, sim, creio, é sempre o melhor a estar, e ser, se possível. O diálogo é espaço e instância que pode nos separar de tudo que é medíocre ou “natural” a ser vencido. Em Tereza, em parte talvez discordamos, tive antipatia por ela um tempo, hoje a amo, acho-a um símbolo de aceitação e mudança; ao mesmo tempo, em uma frase “posso fazer isso, ir até aqui... é o que posso, sobre esta tão grande ferida do mundo...”. Mas não discordo que doação não é tudo... E você tem uma personalidade complexa, a meu ver; nada fácil de ser revelada facilmente... Você me deixou sinceramente feliz, bastante feliz, com o “marcadamente poético... me contaminou”, foi um belo presente junto a sua vinda, que espero seja constante, que venhas a cada blogada, e quem sabe até nas antigas, pois tua escrita direta, contundente, (que remete ao “embora às vezes possa parecer o contrário” que disseste), sempre doura, cristaliza (bom sentido, diamantização viva, digamos, cristalização móvel/flexível), sempre enriquece, e o principal, justifica o blog, sem tua vinda era o eco, agora há a riqueza de um retorno generoso, agradável... E que sempre, sempre venhas. Kubrick, que tem a dizer dele? Cara, “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, que cena escolher, que palavras? HAL-9000 e a estratégia para não ser desligado, o diálogo com David, que lembra muito a quarentena de Jesus, que agudamente Giovanni Papini observa “Não o expulsou, deixou-o em sua companhia, única, durante o período de solidão no deserto...”. É, meu caro amigo, prevejo que discordaremos de muitas coisas, criticaremos um sobre o outro, assim sempre exigiu a arte, essa fogueira que nos atrai especialmente... E isso me alegra, e me faz adiantar-se pedindo que tenha sempre em mim o amigo, embora, com certeza iremos discutir em diferentes trincheiras, às vezes, em um ou outro momento remoldando ou reforçando pensares... Vieste como anjo enviado por si próprio, e espero que não falte jamais o bater de suas asas aqui, que sejas constante, constante suas penadas, trazendo contras e a favores... Se um dia houver chave nesta porta, terás sempre uma cópia, e estarei atento, pronto a sorrir, ao ouvir o familiar estalo que parte de seus movimentos de chegada... Abraços... Sigamos aqui, sigamos...

Valdir DM disse...

Jorge: definitivamente, você é um poeta (nos bons sentidos). Estive, nestes últimos 10 dias, obturando algumas cáries dos meus dentes culturais: reli todo um curso (ensino médio) de Literatura Brasileira e Portuguesa. E essa imagem me foi sugerida pelo movimento modernista, mais especificamente pelos pândegos da Semana de Arte Moderna, de 1922. Pândegos estes que aliás detesto, pois se mostraram apenas isto: pândegos. Não tinham nada a dizer, e porisso se valeram quase que exclusivamente de paródias de obras de gente culturalmente mais séria. "Memórias Sentimentais de João Miramar" (Oswald de Andrade), por exemplo, é, na estrutura, uma imitação patética do estilo telegráfico de Machado de Assis. E no conteúdo, coisa de burguês falando de burguês. Depois desses pândegos é que surgiram os verdadeiros modernistas: Guimarães Rosa, Drummond, Cecília Meireles, os regionalistas (como Jorge Amado e Graciliano Ramos), etc. Manoel de Barros é uma cópia tardia daqueles semanantes (se me perdoa o neologismo) de 1922.

Cultura e divergências. Não há cultura sem divergências. É Cultura ou Cemitério. As divergências não podem, entretanto, ser totais (podem chegar a perigosos 99%). O que está faltando no Brasil é mais diálogo cultural. Há muito (falso) diálogo político, com duas alas ininterpenetráveis se digladiando nos blogs da Internet. Verdadeira guerra, com cada bloco recusando-se a fazer qualquer concessão, por menor que seja. Eu de vez em quando interfiro malhando o MST, índices de produtividade do Incra, etc., o que me faz um "esquerdista" (bem moderado) hereje. Não, não sou fazendeiro; apenas chacareiro. Havia, ano passado, um bom saite de discussão, o do Normann Kalmus, e eu sempre participava prazeirosamente, embora discordasse de muitas proposições do ecólogo-economista. Mas com a aproximação das eleições ele radicalizou (passou dos 99%) e aí já não me dava pé para opinar. Em outro blog, um meu comentário recente não foi publicado porque chamei os 21 vereadores campograndenses de "aberrações". O blogueiro, respeitável, nem consultou o dicionário antes de me vetar...

Mas retomando o pensamento depois dessas digressões, Cultura é coisa dinâmica, sempre mudando (conceitualmente para melhor). E o que a faz mudar é justamente o encaixe (ou combinação) de opiniões conflitantes, prova de que a divergência não era tão grande assim. E a participação de todos é muito importante. A maioria dos leitores dos blogs culturais ainda não percebeu que toda opinião é válida e útil, independente de o autor ter um estilo épico ou romântico ou vulgar. Precisamos de mais opiniões, de mais participações! Em último caso, no desespero, poderíamos criar personagens-leitores (à maneira dos heterônimos de Fernando Pessoa) que levassem aos blogs os sabores da cozinha baiana. Se é que a metáfora é apropriada...

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Espero, sinceramente, que não tarde eu atingir o propósito de fazer com que haja maior foco sobre este pequeno espaço de digressões - :o) -; pois, por idéias como desfilas, Valdir, é que podem enveredar alguns jovens, e, de repente, de fato realizarem uma revolução hoje impensável, quando vemos em que tem se ocupado culturamente a maioria das moças e rapazes de aqui e Brasil. Russel falava muito desse aspecto do cinismo e apatia juvenil, e outros, então talvez seja uma eterna doença social, sempre precisando de heróis que curem... E, sinceramente, penso que discursos como o seu, diálogos como os nossos, por alguma "via mágica", podem "despertar" algum Ulisses, Homem-Aranha ou Maldoror, e acontecerem "coisas", que façam furos, buracos de minhoca, não sei. Talvez percebam o quanto a arte é importante, arte de verdade, a única saída; melhor que naves que nos levem a estações em Titã, com novos ares e plantares... Como você disse, há tanta mesquinhez, covardia, acomodação, que parece, de repente haver tal propensão ao travamento até das idéias, de melancolia maligna (pois temos a benigna), que quase dá vontade de jogar o rifle no chão e se jogar em cima, esperando que venha a neve suja de poeira e sangue trazer o alívio final... Caro Valdir, esteja sempre por aqui, a cada blogada, se possível, como eu já disse, e poderemos melhor ficar à espera de que algo aconteça, enquando expandimos essa e outras amizades... Acreditemos, caro amigo e sigamos... E, obrigado, me deixou bastante feliz com o "você é um poeta" Abraço!

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

SUAS DIGRESSÕES; AULAS VIVAS!

Valdir DM disse...

Acho que a aparente apatia da Juventude atual vem do excesso de opções, ou da falta de limites. Limites são referências importantes; a tal pedra no caminho é mil vezes bendita!

Eu tive muitas limitações na minha juventude, e agradeço aos deuses por elas. Posso dizer que sou obra daquelas minhas limitações. Mas atualmente vejo-me obrigado a lutar contra o excesso de opções (ou falta de limites): tocar quatro projetos ao mesmo tempo periga resultar em realização nenhuma!

"Viver é muito perigoso!", dizia o Riobaldo. E sempre complicado. Mas sempre vale a pena, "se a alma não é pequena" (como dizia Fernando Pessoa).

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Faço voto de que os quatro projetos se realizem a mais que o esperado, que frutifiquem muito, a partir da mais que constatada sensibilidade que tens. Sim, os limites, principalmente na juventude, são balizas seguras para um amadurecimento frutífero, e lhe dou parabéns pela sorte e aproveitamento. E agradeço a sorte de tê-lo cada vez mais como um grande vizinho. A propósito, aos poucos tenho olhado um blog, que creio ser seu. Abraço!