CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

quinta-feira, 3 de março de 2011

A ETERNIDADE DURA 5 MINUTOS











REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
canelada.com.br
rdnews.com.br
assuntosetc.blogspot.com
emfragmento.zip.net
boanoticia.com
cali-mera.blogspot.com
tairineceuta.blog.uol.com.br
honoriodemedeiros.blogspot.com
madeiraonline.eu
moniquebernardes.blogspot.com
de-mim.blogspot.com
raizescomletras.blogspot.com
evaldocosta.blogspot.com

Não tem como durar mais que isso. Claro que essa é um proposta indefensável. Claro que só aqui, num blog ou lugar livre como tal é possível anularmos o poder da lógica, fazendo a nossa própria. Qual a lógica de a eternidade durar 5 minutos? Aliás, a literatura rende homenagens geniais e medíocres a esse pedacinho de cronologia feito "à marketing". Como diria George Carlin em seu poderoso manifesto humorístico sobre os "Dez Mandamentos": "Como? 11 mandamentos?; 'como? 9 mandamentos? ahhh, vá te danar!". Mas dez, sim, funciona, diz ele; as casas decimais, etc, etc... 5 minutos... A humanidade é cheia de desequilíbrios na sorte de vilões e heróis. Nós, os caras perfeitos para mostrar para aquela menina o que é o amor, somos nós os caras para isso... Mas vem um malvado e ele é que dará o beijo, aliás, que nunca vemos, para nós ele maltrata aquela menina de nossos sonhos e, como em "O último americano virgem", é dele, do safado, do bandido, que ela gosta. Mas o tempo passa, e dentro de no máximo uns dois minutos, fica guardado para sempre aquele beijo que jamais aconteceu, que o fazemos viver com tamanha intensidade que em certo momento já não sabemos se é mesmo fantasia... Esse certo momento, claro, dentro da eternidade de 5 minutos... Aquela surra que damos no malvadão que nos atormentava na escola também dura poucos minutos... 30 segundos... 35... 37 (para não ficarmos só em números marketeiros)... 37,5 (para não dizerem que não fomos socialmente corretos), 40, 50... (é, o marketing é poderoso, voltam os redondos), 1,20' e poft... socamos de novo o pilantra. Ou pior ainda, martelos, serras elétricas, para os mais aborrecidos e de mais sangue frio, ou quente, para a vingança... Mas, vamos ficar apenas com John Wayne, "poft!", e tá lá, nocauteado como o Spinks, o vilão de nossa história... Levou 5 minutos? Não... O repetiremos milhares de vezes sem jamais chegar em cinco minutos... Quando eu fiz parcial de Letras na UFMS, construi uma caixinha particular de 5 minutos, tornei-me um colecionador de eternidades... smacKkks... poftsss... Eu duro muito menos que 5 minutos, desde que nasci, em 1963... Foram várias eternidades... Vários eternos 5 minutos... uns atrás dos outros... Estranho pensar que o beijo é doce, estranho constatar que é doce, é gostoso... molhadinho... devagar... Mas, voltando ao tempo... Einstein, dentro de um trem, "descobriu" que o tempo é relativo, na fila do banco ele estica, mas lembramos de filas de banco somente quando vamos enfrentá-las, xingamos, odiamos, mas jamais pertencem aos nossos 5 minutos... A eternidade é divina e infernal, somente fatos pertencentes a Deus ou Satã fixam-se na eternidade... Nada de mixarias devidas ao limbo, ao purgatório... Coisas divinas mesmo, poderosamente divinas ou infernais, como a raiva do gordão que nos batia e dizia humores horríveis destroçando nossos egos, cabem... E o bom da eternidade, e que ela dure 5 minutos (lembrando que isso é força linguística pois na realidade o título é mentiroso, dura menos que 5 minutos a eternidade... 5 minutos foi só para estabelecer uma lei, não somos bicho organizado automaticamente, como abelhas e formigas, ao contrário, precisamos de leis saídas de nós mesmos) é que temos espada contra o "devorador Cronos" (expressão de Luciano Alonso, O Pintor). Bloom lembra que os poderosos Shakespeare, Milton e outros escolhidos pelo bardólatra, cuja escolha causa tantos bicos tortos e tentativas de fazer bolo de maizena virar pavê (perdão, foi o máximo que pude chegar com minha barriga e sua história pobre), então, eu dizia, os caras souberam dominar a ansiedade. O que é a ansiedade? Tantas coisas: gordura a mais, o discurso mal feito, as ofensas gratuitas, isso só para falar de uns trocadinhos, são tantas merdas provocadas pela ansiedade, além do terror de ser uma das portas mais escancaradas para toparmos com a satânica depressão. Precisamos de calma... precisamos de eternidades, de pequenas eternidades... Daquele dia em que nos elogiaram com sinceridade, de entender que a feiura pode ser driblada, que a amizade não é construída por material de passarelas ou de contas bancárias, que podemos nos desviar do estado devorador do capitalismo em bolhas mágicas e abertas de 5 minutos, que os sorrisos não são propaganda de dentifrício, que os filmes ficaram baratos, que caminhar é possível, e que se caminharmos menos de cinco minutos conosco mesmos, com domínio das pequenas eternidades, a ansiedade sofre fissuras e pode estilhaçar-se, ao menos o suficiente para avançarmos terreno... As pessoas nos olham estranhamente, sempre olharam, sempre olharão em nós o que é diferente, o que é menor, designs fracos, cores fracas, sempre foi assim, sempre será, mas eles não são donos das nossas eternidades, e muitas vezes o que pensamos estar nos olhares, na verdade não está, está esperando que expulsemos de nossas eternidades... E quem sabe, mais cedo que pensamos, descobrimos como anular a perseguição imaginária... E até que o dono de um olhar torto é na verdade dono de um olhar amigo... Somos donos de vários 5 minutos... E a eternidade dura 5 minutos, porque os melhores beijos, imaginários ou reais, reais/imaginários, imaginários/reais, duram um eternidade... muito menos que cinco minutos... Uma vitória... dura uma eternidade... menos que cinco minutos... Quantos minutos dura o tesão de um pódio? Mas quantas vezes ele vai se repetir... A eternidade dura cinco minutos...

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