CAMPO DOS GUAICURUS

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terça-feira, 22 de março de 2011

A AMIZADE É DIFÍCIL









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Por que poderia ser diferente? Sou mal forjado socialmente, pessoalmente me sinto muito aquém do que gostaria... Mas é tarde para mudar muita coisa... Só não é tarde para retomar bons aspectos personais que foram massacrados por forças do acaso e do mal das naturezas humanas sobre as crianças e adolescentes, mesmo que os resultados sejam tímidos. Tenho alguns amigos, entre eles tenho um chamado "Bira", do qual já falei por aqui. Ele é complexo. Roqueiro; vocalista/guitarrista, dirigiu uma banda indie durante mais de uma década, com escrita própria de músicas, criação própria de sons de rock. É assistente social e profissionalmente já lidou com uma sem conta de situações envolvendo indivíduos com grandes dificuldades mentais e sentimentais vindas dos efeitos das drogas. É um filho afetivo, dedicado. Certa vez, com ele no supermercado o vi escolher uma torta com solene olhar e dizer "é para a mamãe", de um jeito que só o momento explicaria adequadamente. Ato sequente, pegou outro regalo e também sussurrou para si próprio "para a Aninha" (sua amada esposa). Esse sujeito me resgatou de um caminho para a descrença sobre a amizade "Jorjão... você está enganado...). Me reeducou, me abriu os olhos para o encanto possível sobre a amizade. Não mudei minha opinião sobre os preços, altos preços presentes na manutenção de uma amizade. Amigos tem um custo, um alto custo psicológico e põe em baixa suspensão em nossas esferas vitais muitos perigos sobre as palavras desgosto e decepção, presentes sempre como uma possibilidade em ambos os lados. O Bira, como a Elaine, minha ex-namorada e anjo, estão fora de categorias comuns da amizade, então os excluo desses "perigos". São estrondosas exceções, então quando falo em 'perigo', os excluo. Aos poucos, graças à condução pedagógica do Bira, começo a entender sentidos presentes nessa arte de ser amigo, nessa tão difícil arte que não sei se terei acesso espontâneo, inteiro e intimamente honesto até o final de minha vida. Tentarei; pressinto que há nessa extremamente difícil arte, construir e manter amizades, algo altamente graduado e compensador na transcendência humana. Meu histórico infantil, infelizmente, produziu em mim escudos maleficamente ferozes contra a confiança e isso me transformou em um ser que vive mais a fantasia que a realidade, em indivíduo mais de imaginação que de "carne". Menos social e mais personagem literário ou de filme, para mim próprio e até para pessoas que participaram de minha vida. Não reclamo totalmente disso, tem sido um bom modo, às vezes, de viver, mas aos poucos constituo-me naquele que deveria ser no mundo, ou ao menos em 'parte' dele... Ainda há tempo, creio... Mas, jamais deixarei de pensar que embora tenha existido (como 'bloomista', acredito que ele existiu) Shakespeare, e que seja o homem mais genial que existiu, sobre a eterna vasculhação sobre o ser humano, prefiro pensar que são mais humanos que o próprio Shakespeare, Hamlet, Iago, Otelo, Julieta, Desdêmona... Como creio que o Jesus Humano é às vezes muito mais atraente que o 'cósmico'. Minhas lágrimas em filmes são para mim uma dádiva, e nunca me sinto tão eu quando abraço meu filho, recebo o carinho da Rocío ou vejo uma cena como em "O Clube do Imperador", quando Hundert, de cabelos grisalhos, tendo retornado à antiga universidade de onde saíra após perder uma batalha burocrática e 'capitalista' interna, ao inaugurar as aulas do ano, é interrompido por um aluno que chega atrasado e meio desajeitado, para a primeira aula. Ele, com um incrível trabalho de expressão, fixa com olhos percrustadores o garoto e movimenta-se até verificar quem o trouxe... Olha, com olhar da amizade, à grande janela aos fundos da sala, um antigo aluno a quem prejudicou, em uma manobra que afastou aquele, quando jovem, de uma disputa de habilidade intelectual, para fins que valem ser investigados assistindo-se o filme. Ele houvera confessado ao rapaz a ignóbil manobra, num reencontro saudoso entre todos eles... E ali estava o evidente perdão, num grande momento de catarse, ponto culminante da película. A amizade é difícil, às vezes até impossível, em casos, mas certamente é a busca que consagra o homem, ou não seriam tão fantásticos os resultados da amizade com nossos filhos, com nossas mulheres, com nossas mães, pais, conoscos mesmos e com nosso amigos... A amizade é difícil com nossos amigos, esses familiares que tem um nosso sangue não o vermelho e suas globinas, mas o luminoso, o sangue da alma... Obrigado Bira, sem tua amizade eu não entenderia muitas coisas das quais tinha até mesmo desistido. A amizade é difícil... tem altos preços, pois nada tem mais valor que nosso tempo... A amizade é complexa e sua diversificação é tão ampla que livro algum pode explicá-la, como não pode explicar o amor, reino onde a primeira mora. A amizade é difícil, o próprio Deus enfrentou dificuldades com amizade... Mas se o mundo tem uma chance, pagar o preço das amizades é o caminho indesviável. Sei que sou meio carolão às vezes, mas a carolice, tão facilmente cuspida pelos meus arrogantes e esnobes heróis é necessária ao mundo, se tem verdade... As palavras são diabólicas e angelicais, são nossas e carregam nossa condição, sejam mentirosas ou verdadeiras... A amizade é difícil... os preços são altos... Mas... é nossa chance de sermos nós mesmos na melhor das essências possíveis pela nossa passagem "nesse" "mundo".

Um comentário:

Antônio Moura disse...

Ah, o custo das conexões humanas... sempre muito alto, amigo blogueiro. Precisamos estar verdadeiramente imbuídos de estabelecer conexões, que são todas imperfeitas, como todos nós. E quanto ao custo, melhor andar sempre com o cartão de débito! Jamais utilize o cartão de crédito muito menos parcele. Quem paga pra ver uma hora ou outra vê o que não quer, e nunca é salutar passar meses pagando pelo que não prestou. Somos como átomos tentando criar moléculas: se você tiver um elétron pra trocar, oba! Tô lá. Mas prepare-se para os possíveis saltos entre órbitas e os eventuais fótons que volta e meia assustam. E nem perca tempo tentando trocar nada com gases nobres. Esses não precisam de elétrons. E a luta sempre começa quando o outro espera de nós algo que não somos e vice-versa. Haja química!