CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

sábado, 15 de janeiro de 2011

A MELANCOLIA SOB A VELHA CHUVA DA TELEVISÃO







REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
esconderijo-do-observador.blogspot.com
julinhoesteves.blogspot.com
icicom.up.pt
jdikas.wordpress.com


Ser pobre é um estado que não é tão simples. Basta ver que um de meus romancistas favoritos, Somerseth Maughan (se não me engano, história contada por Moacyr Scliar, em Zero Hora; me perdoem não tenho data e mais etcs referenciais), levou uma "chinelada" bem dada de Chaplin quando quis se referir a um tipo de alegria, felicidade, presente somente na pobreza . O genial humorista devolveu que o que principalmente existe na pobreza é a própria pobreza, as mazelas de simples a profundas necessidades materiais. Chaplin sempre batalhou por uma vida próspera e confortável e, como relata o médico escritor M. Sclyar, condicionou a mãe a uma vida confortável até seus dias finais.

A pobreza às vezes é ainda mais desconcertante quando percebemos as grandes armadilhas e peças que nos pregam sem que possamos dizer com firmeza e efetividade: "Não!". Novelas canastradas ao máximo, jornalismos chá das cinco ou "vai-te à merda mesmo", hiperpesos grotescos, desviando todos das chances de coletivizar aproveitadamente... As chuvas, as mortes, os espetáculos trash, as novelas estúpidas de branquelos péssimos de atuação artística, gritos, gritinhos, diálogos forçados, roteiristas para lá de ruins tesourando-se... "Fulana (uma coroa com mais estratégias para rejuvenescimento que qualquer hipótese sadia suportaria), terá (veja bem, TERÁ) que 'aparecer' com apenas três décadas de vida e não o dobro dos anos que tem... Sabe, que critérios são esses e o pior: "para que, e por que...". Um absurdo jogo de compadres pobres que não canso de criticar, pois é o melrose mais absurdo que posso ver... E a chuva... chuva... muita gente morta, e gentes engravatadas dizendo "isto..."; "aquilo...", "aquele...". "aquele outro...". E as mortes, e em 2012, mais mortes, mesmas novelas bobas, mesmos "isto..."; "aquilo..."; "aquele..."; "aquele outro...". Sabe... é f... Por isso Renato Russo e Rilke antes, às vezes entregues e percebendo a inutilidade das palavras em circunstâncias romano-circenses, só puderam dizer, o último: "Eu celebro..." e o primeiro "Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações, nossa corja de assassinos, covardes...; ...vamos celebrar a juventude sem escola (frase muito além do que possamos pensar), as crianças mortas... celebrar a água podre..."

Não sou perito em educação, nem mesmo entendo mais que professores formados do que tratam e como tratam, mas, parece-me que o esporte desbotou nas escolas médias, enquanto as drogas avançam, parece-me que a premiação social e disciplina encolheu-se em tal timidez que vergonha é pouco, é estranho... muito estranho... Em 2012, janeiro, haverá chuvas, enchentes, haverá gente morta... Espero que haja menos pessoas ou nenhuma, sendo otimista... Temo, porém, que... Renato Russo, Rilke... Ou então lutar: esporte, arte, talvez façam os principais pilares... Bedelhar, é o que resta, "celebrar", "celebrar", "celebrar"... Gladiadores, heróis, precisamos deles, de espelhar-nos neles... Celebrar, celebrar, celebrar... Não só a estupidez humana, sim sua incrível capacidade de ter uma identidade, nem que seja em um específico ponto temporal... ARTES, ESPORTES, CELEBRAR, CELEBRAR, CELEBRAR....


video FONTE: YOUTUBE

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