CAMPO DOS GUAICURUS

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sábado, 11 de dezembro de 2010

FLORES, CORES E KEATS









REFERÊNCIAS DAS IMAGENS (obs, não por esforços em tentar encontrar, faltaram algumas, em caso de reclamação, reporte-se com os direitos ao meu e-mail descrito no perfil).
renocogensoc.blogspot.com
keats-shelley-house.org
mitodepandora.blogspot.com

Wilde, sem dúvida, era elitista... Mas, já leram sua compaixão? Como todo Gênio, ele faz você se perder tanto em seu eixo deslocável principal, o cerne de sua alma, o cravo que o define como ser, como nos pequenos planetas que constrói que por uma infeliz falta de termos direi "especificidades". É muita gente grande que se rende, e porque poderia ser diferente?, a Oscar Wilde (notaram o ponto de interrogação e depois a vírgula? A linguagem é plástica, senhores). Wilde gostava de flores e alardeava a influência em si, de Keats, e em Chá das Cinco (Trad. Marcello Rollemberg - Lacerda Editora, 1999:15-18): "...quando vi as violetas, as margaridas e as papoulas que cobriam o túmulo, lembrei-me de que o poeta morto havia dito certa vez a um amigo que 'o maior prazer que teve na vida foi ver as flores crescerem'"; "em outra oportunidade, após permanecer durante algum tempo deitado e imóvel, murmurou com um estranho pressentimento a respeito de sua morte prematura:'sinto as flores crescendo sobre mim"... E eis um pequeno trecho de Wilde, inspirado em San Sebastian e Keats: "Libertado da injustiça e da dor do muno,/Ele finalmente descansa sob o véu azul do Senhor,/Tirado da vida quando vida e amor apenas principiavam/Aqui descansa o mais jovem dos mártires/Como Sebastian, belo e impiedosamente morto./Nenhum cipreste sombreia seu túmulo, nem qualquer teixo funerário,/mas apenas margaridas rubras, violetas orvalhadas; E sonolentas papoulas, que recolhem a chuva do entardecer.?Oh, orgulhoso coração que a tragédia destruiu!//Oh, o poeta mais triste que o mundo jamais viu/ Oh, o mais doce cantor das terras inglesas!/ Teu nome foi escrito com água sobre a areia,/Mas nossas lágrimas manterão tua memória viva,/E a farão florescer como a um pé de manjericão. E sobre o túmulo de Keats está escrito: "Este túmulo contém tudo quanto de mortal havia em um jovem poeta inglês, que em seu leito de morte, na amargura de seu coração, pediu que se gravasse na sua placa funerária: AQUI JAZ UM HOMEM CUJO NOME FOI ESCRITO EM ÁGUA".
Mas, falei de Wilde e sua compaixão e em meu estilo "a meio segundo de mudar a direção de segundos e segundos" e acabei enveredando por sua admiração por Keats e suas flores. Wilde abre seu coração sem deixar uma janela sequer fechada, em De Profundis. E falar de De Profundis é perigoso, não pela tolice que invoca no mundo mental raso, sim pela sua "profundisdade"... Sobram maravilhas literárias em De Profundis sustentadas pela ruína wildiana, cujos contornos dramáticos, embora sejam impossíveis de serem separadas dor artística e dor verdadeira, mostram a fúria titânica de uma aliança onde a sutileza em mais uns poucos instantes explodiria... E o perigo maior vem de o pequeno falar do grande, de tentar transportar toneladas, com braços desprovidos do devido poder... Mas, mesmo com simplicidade e mediocridade conscientes, não resisto em mencionar que Wilde, com seu estilo epistolar único, faz arrasadoras denúncias sobre o ambiente carcerário inglês da prisão em que se encontrava e especialmente defende um guarda carcerário que não resistiu à visão de uma criança (ficavam juntos com os adultos) mirrada, presa, esfomeada, e ofereceu um pedaço de pão, fora dos regulamentos. Claro que é preciso ler isso em De Profundis para receber um dos milhares de prêmios de Wilde, vítima às vezes voluntária da tragédia, e não só preciso mas genial escritor sobre a bestial e rica natureza humana... Mas, o melhor de De Profundis, relaciona-se às flores também... É o momento em que Wilde se aproxima da liberdade e escreve direcionado à situação em que estarão os jardins, as flores, em como estarão as esquinas floridas por onde em breve passará já em liberdade... Wilde, Flores, Keates... Flores... Flores, Mulher, eu vejo flores em você, eu vejo flores em você... (Ira).

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