CAMPO DOS GUAICURUS

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

SILÊNCIOS: PEQUENOS IMPÉRIOS DA VERDADE










REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
iaramaniadeescrever.blogspot.com
palavrasdacoral1.blogs.sapo.pt
snake.fotosblogue.com
destinoseculo21.blogspot.com
wallpaperbase.com
so-lotus.org

O Jorge, aquele que atende pela Prefeitura, um Centro Social da Zona Noroeste, é psicólogo de formação. Me disse que um dia Freud, fumando um charuto enquanto era observado, (provavelmente exasperado) disse a seus alunos, que focavam tudo sob o prisma da psicanálise: "Há momentos em que fumar um charuto é apenas... fumar um charuto". Há momentos que o silêncio se impõe sobre a tagarelice de nossos mundos. Há momentos que nos recolhemos de forma tão surpreendente que parecemos ter perdido a regência central de nossos pensamentos. O silêncio parece se impor e dizer "tem que ser ou não será mais". É um silêncio de personalidade própria, que nos desconcerta pois é o silêncio honesto que nos diz quem somos. Mesmo aqueles caras de pau, com o cinismo violento que destrói o mundo. Sim, pois os assassinos brutais, os altamente desordenados e intensamente odiadores do mundo e de tudo que compõe a ordem, esses tem que ser vistos em um contexto especial. Então, aqueles extremamente cínicos, que já mataram tudo que há em si para se sustentar em um papel odioso para os esforços humanistas e iluministas, pois se servem da oratória mais apodrecida possível para desfilar de cadilac para uma corte miserável, enganam uns aos outros e segue a carruagem, digo o cadilac. Mesmo esses senhores que apodrecem o mundo comprando por bananas a dignidade coletiva e corrompendo tudo que podem, em algum momento são inquiridos, talvez, pelo próprio silêncio. Embora o Clube do Imperador, com Kline, diga tão bem como é a insistência e serpenteação eternamente má halitosa deles. Mas, deixemo-los, vamos ao que importa, ao geral das pessoas, ao comum das pessoas, nós, muito mais nós que qualquer vocês. O silêncio impera umas poucas vezes em cada magote de tempo à disposição de nosso viver real, e nos diz. E dizemos também aos imperadores e às nossas pequenas oportunidades e pequenas cortes, com o silêncio. Um sino zumbe sem agredir, é suave e percorre o universo de nossos ouvidos para dizer "Atenção!". A lava quente em vários planetas, galáxias afora, tão longe de nossos pequenos alcances é parente do vulcão terráqueo e as teremperaturas elevam-se em seus amarelos dourados e branco, e vermelho intenso, que tenho com isso se não o acolhimento e a impotência; cai uma lagartixa da parede recém frustrada na captura de um lanche, e Kate canta Wuthering Heights, não lembram? Tem no youtube... Youtube, são novos tempos, morreu Saramago, morreu Renato, morreu Puzo, morrem os titãs, morrerão os vermes, morrerei eu no casulo, e quem saberá quem fui? O silêncio, o grande silêncio regente. A tolice humana é uma repetição tão poderosa que muitos pensadores fortes já sairam da desistência de acreditar que pudesse ser neutralizada... Vejo as manchetes de revistas sobre os 'artistas', a pobreza só não é tão irritante porque felizmente desisti disso, são sempre os mesmos branquelos pobres no cercadinho que finge que não é falido... silêncio... Não se entende muito bem o que digo, às vezes, mas o consolo é que nem mesmo eu entendo assim tão bem, e se entendo esforço-me para não entender mais e esquecer, pois pousa a borboleta, pousa o beija-flor e zuam as abelhas, as flores sobreviventes deleitam-se, e não tem mente, não tem cérebro, e diria Rilke, e celebram, e celebram, eneon-nenê-eneon-nenê... Eu não consigo ficar em silêncio, eu preciso dele, do sono acordado, mas não o atinjo, eu preciso dele il silenzio... Estou em velocidade, as letras não me deixam em paz, querem mais do que posso lhes dar, cercam-me, parecem querer me afogar para sempre... Eneon-nenê... Eneon-nenê... Eneon-nenê... Meu silêncio engana, minhas palavras enganam, não vão a ninguém que possa pensar que fosse para elas, são apenas para mim e para o maravilhoso silêncio chamado leitor... Quem lê meu blog? Com tanta coisa para ler na internet... O silêncio... Il silêncio... Eneon-nenê... Eneon-nenê... The stars... the faces... SILÊNCIO! Feche os olhos, perceba-o, silêncio, feche os olhos, o tapete vermelho e o deserto silencioso abrem-se sob os olhares da vida, o tapete vermelho para que desfile teu silêncio, ele é poderoso e rege o olhar da verdade se você quiser lhe entregar sem medo, a ti próprio... temos tanto medo da nudez, e nascemos tão inocentemente desnudos, e nus éramos até que a inteligência e a moral nos atingisse e nunca mais nos libertássemos de uma nova natureza, tão bela, mas tão perversa, pois que somos afinal perante nós mesmos senão simples animais... Silêncio... novamente.... silêncio... silêncio... silêncio... silêncio... .... si .... lên... cio... ...

Um comentário:

Marcelo Velozo disse...

Salve,salve!!!

Meu caro o silêncio de suas palavras foram ensurdecedoras. O meu antigo blog condenados a liberdade apresntou um problema e não consigo mais acessar. Agora estou em um novo EU, simulacros do eu.

O silêncio sempre será o mais eloqüente, e como dizia Saramago "Há coisas que nunca se poderão explicar por palavras.." e creio que uma delas é o silêncio, e olhar será que traduz o silêncio?.

Quem lê o seu blog?, talvez pessoas que saibam usar o silêncio em prol da eloqüencia escrita e pensada, para que muitos fujam da aflição do caos silencioso.

Um abraço!.