CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

terça-feira, 2 de novembro de 2010

EU NÃO TE ESCUTO, VOCÊ NÃO ME ESCUTA, NÃO NOS ESCUTAMOS














REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
eabuga.blogspot.com
2pensadores.wordpress.com
tamarisrodrigues.blogspot.com
shelyak.blogspot.com
o_antonio_fala.blos.sapo.pt
Não com os ouvidos comuns, sim com os ouvidos e a fala da alma, a fala e audição dos olhos. Com meus olhos te ouço, você me ouve, te respondo, você me responde e nossas almas tornam-se apenas uma. Este é o mundo dos amantes internautas. Daqueles que se conhecem em rede, por tortuosas buscas inseguras, e de insatisfação e solidão originadas. Não a patética solidão, a solidão comum... Uma solidão que multidões de contatos reais não supririam, uma secura que todos os mares e rios não aplacariam. Como nas relações reais há uma confusão dos diabos e dos anjos nas relações amorosas, em que o tempo e o espaço operam como se duendes magros, compridos e coloridos pulando e trocando tudo de lugar o tempo todo e enganando todos os conceitos, acertos e erros nos quereres, quero alguém alguém me quer... Eu a achava perfeita! Não é! Eu o achava romântico, eram apenas estratégias verbais... Ou constantemente: Eu celebro, eu celebro, eu celebro, eu quero, eu amo... amor... O amor é uma instância mágica, um planeta sobrevivente à devastação cósmica que não poupa reino algum. Sobrevivem aqueles que realmente tem nas palavras os atos; que fazem os atos a extensão das palavras... Eu seduzo, tu me seduzes, e isso é apenas o princípio, princípio do amor, ou princípio do fim do que nunca foi nem nunca será. Diga-me, eu te escuto, eu te amo, ouça-me, eu te amo. Bloom diz que os gênios não ouvem ninguém, pois só podem escutar a si próprios... Talvez todos, no mundo moderno, não ouçam senão a si próprios, o Ego parece querer assumir, em parceria ao Superego, matando toda a imensidão do ID (interpretação pessoal, NÃOOOOOOOOO CIENTÍFICA, do que diabos seja isso que discutem até hoje e peguei um erro para usar na linguagem, ok? -isto aqui é uma porra de blog, senhores-). Queremos que aquilo que é imediato, agora, já, regencie nossas vidas? O amor não pode ser isso, o amor é um exercício de solidão, de verdade, mesmo quando estamos tão próximos de quem amamos, que o cheiro de sua intimidade mistura-se ao nosso... O amor sofre ataques externos constantes, intermitentes ou às vezes até rajadas contrárias ao seu ser e estar... As antigas cartas de amor, os novos e-mails de amor, "mensagem para você", diz Meg a Tom, Tom à Meg, encontros e desencontros, mas sempre encontros... O que escrever, escrever, já foi, agora, o que vem... vê-se que escreve lá do outro lado, o que? O amor, mesmo quando amadurecido, seguro e verdadeiro, felizmente sempre temperos no não saber as pequenas repetições, as pequenas surpresas, letras, todas, como diz o Ubiratan "quatro letras no coração", e acrescento ao Genial poetamúsico: quatro mil vezes mil quatrocentos...". Você não escuta, mas você me escuta, você me lê, eu escuto tudo que você diz, eu ouço as batidas do teu coração, o teclado tem o suor suave de tuas mãos perfumadas de tua essência e dos cremes femininos que escolhes, não nos escutamos pois temos tanto a dizer, e eu sou você, você é a mim, e em minha pele tua voz passeia, e tudo isso porque não preciso te escutar, nem você a mim, nos lemos, pele a pele, olhos a olhos, letras a letras, Escuta-me: Eu te amo!

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