CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O MATERIAL QUE ME CONSTRÓI






REFERÊNCIAS (IMAGENS):

dizumano-dizumano.blogspot.com
ricci-art.net
romania.ici.ro
cnac-gp.fr
lacma.wordpress.com
hlmr.spaces.live.com
espacioniram.com

São os sonhos. E nem sempre são belos. Recebi há pouco uma seca, e talvez severa demais, reprimenda de um anônimo conhecido (assim ele quer ser tratado por aqui): "não escreva mais sobre mim, se eu quiser eu mesmo escrevo... não fixe seus sonhos em mim". Bem, não mais escreverei sobre ele ou seu nome, a não ser esta última e vaga menção que fiz. Mas o agradeço por cravar a mais importante observação a meu respeito, "ser feito de sonhos". Percebo que nada ou ninguém conseguiu, querendo, ou nisso não se importanto a mínima, ser foco central da minha atenção perenemente. Exceção faço ao meu filho, mas é a mais objetiva das exceções.
Por outro lado, a Sol Stábile, amiga que torna excelsa a palavra sensibilidade, deixou um recado elogioso que me fez muito feliz, lá na blogada "Quem é Deus?". E também, de outra forma, afirmou, para minha satisfação, a condição de que sou feito de sonhos e loucura. Nasci desmaterializante e desmaterializado, e às vezes tenho a impressão de que esse meu amor tão forte pelas palavras é apenas a afirmação de que é o único lugar "real" em que posso realmente me sentir vivo.
Eu deixei de acreditar na amizade há muitos anos, mas o Ubiratan me aconselhou com sucesso, e de alguma forma passei a entender que se tratarmos suavemente essa questão, algo pode de fato existir, livre dos interesses primordiais, por isso ainda viverá uma tênue chama, mesmo nos piores casos. Irremediavelmente, aprecio as projeções em detrimento à realidade, e se isso me preocupou muito um dia, hoje não mais o faz e tenho absoluta certeza de que apenas cumpro um papel de minha natureza, na qual não procuro a origem, apenas montaignearei, a viverei.
Hoje aconteceu uma coisa interessante; descobri que o olho esquerdo do Victor Brauner é parecido ao meu, é caído. E que a gravura que preciso dele, e que consta no Canto V de Maldoror, de Isidore Ducasse (ilustração feita para uma publicação), não existe (hoje 26.08.2010) no Google. Isso me deu satisfação, uma grande satisfação. É a óbvia constatação de que não se trata de algo pop raso. Talvez tenha até sido pop cult em algum momento, e até seja pop intelective em esferas intelectualizadas do cenário literário francês ou outro, em alguma instância. Mas não no geral do mundo, e não no meu universo objetivo e imediato com os gostos pops argh pela tv e aglomerações patis/johnys. A vantagem de se estar num universo com pop tão tolo é que qualquer coisa que você faça é revolucionário, mas isso também pode ser uma grande desvantagem e evocar forças que só de pensar dá vontade de dormir uma semana sem parar... Pulemos/Victor Brauner até mete medo , com seus quadros, e, sinceramente, não sei se é algo bom ou não, que o digam aqueles que entendem de fato de pintura. Mas que é impressionante, e que a figura para o Canto V é uma das coisas mais marcantes que eu já vi, isso sim, sem dúvidas é. Pena, faltará mostrar justamente essa do Canto V... Mas existe o scanner, e noutro momento, a figura constará por aqui.

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