CAMPO DOS GUAICURUS

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domingo, 15 de agosto de 2010

A BELEZA







REFERÊNCIAS (IMAGENS):
De alegria pode passar rápido à tristeza, a maravilha poética de vermos, de enxergarmos, seja o que for, quando vêm as explicações físicas e biológicas... Por que simplesmente ver uma maçã no ponto de ser devorada, ou a tarefa de abelhas sobre as flores não são simplesmente explicadas por um, "A natureza é sábia e refinada, tem pincéis, cinzéis e alicates mágicos". E mais assustador ainda é pensar que possa haver um propósito parecido ao que temos aos bois no campo, pastando, de posse de alguém ou alguéns, sobre essa Terra. Por isso é magnifico observar que Molina, o grande poeta argentino, diz que a diferença entre a criança e o poeta é que o primeiro não sabe que é mortal. Isso traz aspectos fantásticos, um paradoxo digno de milhares de gozos, o poeta tem como espelho negativo a crítica sobre a raiz de sua criação, sobre aquilo do seu mundo social, que é responsável objetivamente pelos seus entendimentos. Mas se virar-se, pode dar de cara com outro espelho, aquele em que do outro lado vê a inocência, o mundo liquefeito das crianças, a indefinição das coisas, ou a definição em que a fuga da realidade forma uma infinidade de mundos muito mais atraentes que todos aqueles que conhecemos... A beleza sem inteligência, em seu estado bruto, fluente como as cachoeiras ou mares que espancam as pedras sem dar razão alguma, das flores que gozam sob as patas abelhares, a beleza brutal como um dia vi no Horto Florestal, uma moça que me perturbou para sempre; mas que felizmente hoje é meramente uma amiga, por ordens dela e de seus destinos. A beleza brutal de um cavalo que graçou em fugir da tolice de donos pobres burgueses que o expõe de bochechas cheias de empáfia, e pasta achando que jamais o reencontrarão para escravizá-lo novamente... Mas, e a beleza sob e com inteligência? Essa, a contragosto da maioria esmagadora dos tolos, não é facilmente acessível, sabe? Para começar, tem a ver com quase tudo que é recusado pela maioria humana... Lembram-se do que escreveu Gaspari em sua coluna sobre a invasão do Coringa no museu de Gotham? O quadro que Coringa salva da própria destruição: "Esse não!". Na primeira vez que li de Saramago, ele dizia sobre a prostituta Madalena, que não atendera as pedradas sinalizando freguesia, e fizera intenso amor com Jesus Cristo; em um instante o olhara, e seu olhar era como "águas que deslizavam sobre águas...". A "podridão" e tristeza implicam na beleza inteligente. A supremacia dos modelos atuais de beleza, que causam-me repugnância principalmente no que se baniu da nossa principal tv novelas com feiura e verossimilhança razoável para a instalação de um universo tosco e pobre disfarçado nas faces criadas a iogurte e mamãozinho com mel, na descarada primazia dinástica para colocar papéis e personagens nas mãos de "atores". Diga-se, não estou atacando a construção do homem e da natureza, as péssimas atrizinhas são belas, muitas, e sinceras (toda péssima poesia é sincera - O. Wilde). Amo a beleza boba, estamos, porém falando da beleza inteligente... Sempiternas, inclusive blogadas, são coisas sem início, e principalmente sem fim, como falar da beleza e feiura, e melhor, daquilo que é belo porque é feio... estranho mundo de Vitor Hugo...
Remo Bertelli, ao observar sobre a blogada comenta que conversaria com uma nobel feia, mas levaria para a cama sua bela secretária; e mais filosoficamente lembra que a beleza é dependente do observador; passageira, porque ninguém admira nada tanto tempo; e nota que Sócrates se referia à juventude e beleza como efemeridades e "a beleza morria no sujeito ou objeto de beleza"...

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