CAMPO DOS GUAICURUS

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domingo, 11 de julho de 2010

QUEM É DEUS?







REFERÊNCIAS (IMAGENS):
rafaelvictor.wordpress.com
sagaz.wordpress.com
coisas-interessantes.blogspot.com
usefilm.com
linguadetrapo.blogspot.com
cronopios.com.br

Tenho feito uma oração única, na parte da noite, com quase invariavelmente os mesmos pedidos. Minha crença em Deus não é como eu gostaria que fosse; e muito menos minha integração com os teístas que vejo estarem bem nesta questão. Para mim é tudo muito confuso, muito tremulante; mas tenho me sentido bem com a situação. Não tenho doutrina alguma, olho para o espaço, converso com o misterioso ser que chamo de Deus, agradeço, peço, tudo muito simples. Mas minha alma é aflita e conflituosa quando essa inquietude, que me transformou em observador um pouco mais íntimo da vida e do homem, através da arte, preside meu raciocínio. E são longos e bastante confusos os caminhos interrogativos e hipotéticos. Quem é Deus? Pergunta simples e complexa que baila sobre e sob tantas vozes que acabaram por ter importância nos meus ouvidos e olhos... Livre-me o destino de me tornar um velho hipócrita e temeroso nas últimas frações de anos de minha vida; mas alivia-me, Destino, o fardo do natural medo da morte e inconsistência na solução do crer ou não crer, a questão. O mais importante da vida é viver; frase também só aparentemente simples, mas salvadora, que colocou o pensador Montaigne para todos. Quando eu era adolescente, em 1979, apaixonado por uma garota de tristes olhos verdes e voz enrouquecida e trêmula, embrenhei-me em um jaboticabal alheio, e com saco plástico pendurado à cinta, pus-me a um furto em que alternava o direcionamento dos frutos negros e brilhosos sob chuva fronteiriça à entrada do inverno... estalava na boca alguns e outros iam sendo armazenados... Era para ser uma coisa simples de moleque apaixonado... Mas, algo me levou a parar, e perceber que era como se eu estivesse num recorte único no tempo e no espaço, mas tudo é recorte único no tempo e no espaço... Não, não é não, há no infinito mosaico alguns pedaços especiais... Quando não há medo, não há preocupação com passado, com o futuro, com nada, só o viver, e uma comunhão sem igual... Eu estava ali, furtando jaboticabas, debaixo da chuva que visivelmente traria muito frio... Pois fui depois, já tremulante com os efeitos tempestade que tomara nos lombos, e entreguei as jaboticabas para a mãe da menina... Dona Dione, dona de olhos também tristes que transmitira à filha... O mundo, como diz Pascal, poderia ter me esmagado com facilidade, através de algum cão, de um dono cruel dos frutos no ato do furto, com uma queda da árvore lisa da chuva, , com um raio no dia, com um atropelamento, pois eu passeei distraído após o sucesso da empreita. Tanta coisa poderia ter me matado, mas não... E eu sei que aquela dona Dione entendia a pureza em meu furto, e o quanto eu amava sua menina... Aquela dona que tinha tantos sonhos vencidos, sabia de coisas que jamais saberei; talvez com tudo que vi e li, morra sem saber o que ela sabe; quem é Deus...

Um comentário:

Sol Stabile disse...

Amei essa postagem...

Você é o louco mais lúcido que conheço... rsrsrsrs

Beijo grande pra você, amigo.

Sol.