CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A MORTE (?) DE 2010, PÍLULA AZUL, HAPPY CHRISTMAS, IRMÃO, HAPPY CHRISTMAS... PILULA AZUL...











REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
ospoemaspreferidosdebarbarah.blogspot.com
rafabrugger.blogspot.com
crisbolivia.net
sanantoniopperty.org
overmundo.com.br
flickr.com
photo.net
kinesismarketing.comuk
idaysy.egodigital.net
isaacefilho.blogspot.com

Em pouco entrará para o mais real e poderoso universo paralelo do homem (a História) o ano de 2010.
A mais propensa maneira de se errar sobre um período factual é julgá-lo antes que se torne, de fato, história, diz Hobsbawm (Era dos Extremos, Cia das Letras, 1995).
Mas, "isso aqui é um blog, lembram?"; com exagerada "licença poética", inclusive para abusar da misteriosa (vide Luis Fernando Veríssimo) utilização do ponto e vírgula, ou seria ponto.vírgula? Ou ponto;vírgula? Ou ponto/vírgula? Muito mais um lugar de erros (desde que haja evidente esforço em não caluniar ou injuriar, ou ofensa grave outra), no caso de assuntos amenos e insultados por Sartre (Que é a Literatura? Editora Ática, 1993). Observando-se que meu genial amigo, o pintor Luciano Alonso, diz que a base do conceito central sobre Arte é que ela não tem uma finalidade, em si, a não ser a pura estética. E sempre "encosto" aqui, na arte, o que me leva a pensar que tenho direito a certas concessões.

A interpretação distorcida de textos divinos ancestrais chegou a níveis inimagináveis, para aqueles que apostam na fuga do homem para o universo unicamente popfashion, em sua eterna busca de ouro e luz mariposal. A preguiça humana para coletivizar os utilitários e bens naturais e estabelecer uma fraternidade de menor cinismo, nunca foi tão evidente. Parece que os confortos tecnológicos e as maravilhas de consumo estão matando não alguns homens, mas toda a humanidade (morte no conceito poético de Mac Arthur: "ser jovem" - existente aqui mesmo, no blog). Assim, os contadores de lorotas mágicas assumem lentamente, novamente, grande parte do poder, que querem sempre maior, ao custo das generosas e omissas cegueiras coletivas. E só não há maior lesão ao humanismo porque a "monarquia" e "burguesiaS" mais vigorosas requerem com força, e muitas vezes com amplas violências, os seus quinhões; seguram seus gigantescos bocados com mais rosnados sérios que cães debruçados sobre ossos frescos.

Pílula azul ou vermelha? Sinceramente, gostaria de fazer como o vilão do filé em "Matrix", esquecer a realidade, prover-me de coloridos abstratos na mente, de perfumes imaginários, de sorrisos generosamente falsos, de bobas mensagenzinhas positivas, somente. Colocar a merda do "então é natal..." na vitrola, uma camisa indiana branca ou bufosa, gel no cabelo e postar-me ao mundo mostrando-me cinicamente estupefato com os pessimistas, descontentes, revoltosos... "Como, gente?" (a vírgula anula o efeito Serra, ok?) A vida é maravilhosa..." É, eu gostaria, sim... Mas não consigo, há mais coisa conspirando em minha alma para que não reja a pílula azul, a reger por completo meus entendimentos e percepção do mundo. E creio que mesmo que eu estivesse todo nababo e não "toco" como estou nesse findiano, ainda assim, francamente, seria esse meu estado.
Trecho da entrevista de Mariana Ximenes (para o UOL), uma "global" (seja que diabos realmente signifique isso de "global") a mostra dizendo que cresceu ouvindo Gonzagão e que por quantia fabulosa alguma posaria nua. Sua resposta quase ingênua, simplista ao máximo, mais fashion impossível, dá que quer agradar a patuléia (expressão de propriedade primária de Elio Gaspari) e em segundo (conforme a resposta e não seus íntimos pensamentos) (penso) não tem a menor idéia do que significa o nu na Playboy, Sexy ou outras revistas, e da sensualidade como poderoso esteio na arte, principalmente cinema, novelas (tolas que sejam) e teatrinhos comerciais (que o termo seja entendido apenas brutalmente pejorativo) e o significado natural da nudez de alguém famoso, o que gera na libido do "povo". Tem mais coisa na entrevista... Mas, paremos por aqui, sobre as branquelas do mundinho melrose, do grande pastelão de compadres. Essa é a parte mais light, do light, do light, do problema onde parece não haver problemas, do reino do "Chá-apanhe-das 5" (expressão do General Mota).

Um pai matou os dois filhos, um de 13 outro de 12, junto com a madrasta deles, e os esquartejou e espalhou os restos pela cidade (não lembro o nome, mas creio que é interior de SP). Os lixeiros "desvendaram" o crime, o "casal", pegou perto de sessenta anos... Mas, considerando implacavelmente, talvez saiam a tempo de ter mais filhos...
Então é natal... Tenho certeza que em playmobilândia, os playmobiles, milhares deles, acham que a Simone é que fez essa música. Pretty Vacant... Essa a Simone não canta para o povão... (o que é povão? O contrário de povinho, uma quantidade maior de gente, as gentes que aparam pão no ar, mesmo que não precisem, os popspops, os popsfaChions, ou os mais chiques, os fashionspops). Amo o Brasil, amo sim, de verdade, principalmente porque sou de fato brasileiro. Mas tem acoisa aqui, na arte, e principalmente na artezinha, que há décadas aqui substitui a arte, que só dá para engolir se há um estoque de vermelhas... Ou azuis?

Minha felicidade, olhar meu filho e saber que ele gostou muito de Suskind; que gostou muito de "A porta no chão", com Jeff Bridges; que está gostando de "Rome"... Minha felicidade, olhar na Rocío e saber que tenho a namorada mais interessante e bela do mundo... Minha felicidade, saber que tenho um amigo que pagou antárticas no Barfly sob blues; que tenho o melhor dos capitães, San Lucas... Que o Robbie sempre poderá me socorrer o micro, quando seu humor estiver suscetível ao "aê"...", e der aquela risadona e um "passo aê...", que o Bira me faz visitas às tardes wildianas, e o bom centurião Maninho passou a fazer o mesmo; que o Alessandro liga: "Jorjão..."; que o Gunther me socorre com seu alazão vermelho, que seu primo Arilson contrapõe-se ferozmente as minhas idéias e com suas críticas obriga-me a reavaliar e reapraender; que o Luciano pinta quadros fantásticos e fantásticos, tenho a visão crua e requintada, aguda e suave, do Patrick nas artes, sobretudo, e temos o João; que tenho mãe e irmãos, e uma irmã brilhosa e brilhante que chama Lua e ama Filosofia. Tenho um tio chamado Ramão, sua companheira fiel, a japonesa Teresa, tenho primos, um parceirão de canastra chamado João, um inimigo feroz no xadrez chamado Guarda Giba e um tio de humor irreparável chamado Álvaro. Tenho alguns loucos que leem meu blog; Tenho o Google, tinha um pai herói, tenho o surrealismo e o punk juntos.... No meu país nasceu Renato Russo, Machado de Assis, nasceu Bernardo Rezende do voleibol, aqui nasceu Ademir da Guia, aqui veio Saramago, que fala português e para sempre falará... Às vezes, de manhã, faço suco de laranja com gelo e açúcar, ovos fritos e torradas de pão dormido; tomo café enquanto leio Bloom. O poderoso Nolasco não curte muito ele, mas, embora eu seja fã também de Nolasco, puxa... Amo os defeitos de Bloom, sabe... sua paixão torta, maliciosa e injusta. Amo entre todas do letrado mundo, Rosana; Rosana nas alturas, Rosana nas alturas....

A literatura está morrendo, concordo, não há como não concordar que diminui, diminuirá ainda mais, e morrerá, vítima da "evolução", onde miseravelmente os fortes sobrevivem e tudo será chips. Mas estarei morto antes da morte da literatura, e felizmente meu filho terá tempo de tê-la por amante, a mais-mais de tudo e todas, a quem antes de se dizer "tudo se escreve para se tornar tela", dizia-se "tudo acontece para se tornar literatura". Falo bobagens, posso dizê-las. Mas é séria e bela minha alegria que após o RPG e cinema, vem para meu filho, a literatura... Esse foi meu presente divino de 2010 e para sempre. Ele está em companhia de Humberto Eco, pode? Então, A chama da Rainha Loana...

Então é natal... Pílula azul, consegui por alguns instantes.... consegui... Pílula azul, Happy Chistmas... Pílula azul.... Happy the Christmas... Mas??? Pílula azul Happy the Christmas... Mas, mas... mas (?)... Pílula Azul... Happy The Christmas.... FELIZ NATAL, PENSE!

sábado, 11 de dezembro de 2010

FLORES, CORES E KEATS









REFERÊNCIAS DAS IMAGENS (obs, não por esforços em tentar encontrar, faltaram algumas, em caso de reclamação, reporte-se com os direitos ao meu e-mail descrito no perfil).
renocogensoc.blogspot.com
keats-shelley-house.org
mitodepandora.blogspot.com

Wilde, sem dúvida, era elitista... Mas, já leram sua compaixão? Como todo Gênio, ele faz você se perder tanto em seu eixo deslocável principal, o cerne de sua alma, o cravo que o define como ser, como nos pequenos planetas que constrói que por uma infeliz falta de termos direi "especificidades". É muita gente grande que se rende, e porque poderia ser diferente?, a Oscar Wilde (notaram o ponto de interrogação e depois a vírgula? A linguagem é plástica, senhores). Wilde gostava de flores e alardeava a influência em si, de Keats, e em Chá das Cinco (Trad. Marcello Rollemberg - Lacerda Editora, 1999:15-18): "...quando vi as violetas, as margaridas e as papoulas que cobriam o túmulo, lembrei-me de que o poeta morto havia dito certa vez a um amigo que 'o maior prazer que teve na vida foi ver as flores crescerem'"; "em outra oportunidade, após permanecer durante algum tempo deitado e imóvel, murmurou com um estranho pressentimento a respeito de sua morte prematura:'sinto as flores crescendo sobre mim"... E eis um pequeno trecho de Wilde, inspirado em San Sebastian e Keats: "Libertado da injustiça e da dor do muno,/Ele finalmente descansa sob o véu azul do Senhor,/Tirado da vida quando vida e amor apenas principiavam/Aqui descansa o mais jovem dos mártires/Como Sebastian, belo e impiedosamente morto./Nenhum cipreste sombreia seu túmulo, nem qualquer teixo funerário,/mas apenas margaridas rubras, violetas orvalhadas; E sonolentas papoulas, que recolhem a chuva do entardecer.?Oh, orgulhoso coração que a tragédia destruiu!//Oh, o poeta mais triste que o mundo jamais viu/ Oh, o mais doce cantor das terras inglesas!/ Teu nome foi escrito com água sobre a areia,/Mas nossas lágrimas manterão tua memória viva,/E a farão florescer como a um pé de manjericão. E sobre o túmulo de Keats está escrito: "Este túmulo contém tudo quanto de mortal havia em um jovem poeta inglês, que em seu leito de morte, na amargura de seu coração, pediu que se gravasse na sua placa funerária: AQUI JAZ UM HOMEM CUJO NOME FOI ESCRITO EM ÁGUA".
Mas, falei de Wilde e sua compaixão e em meu estilo "a meio segundo de mudar a direção de segundos e segundos" e acabei enveredando por sua admiração por Keats e suas flores. Wilde abre seu coração sem deixar uma janela sequer fechada, em De Profundis. E falar de De Profundis é perigoso, não pela tolice que invoca no mundo mental raso, sim pela sua "profundisdade"... Sobram maravilhas literárias em De Profundis sustentadas pela ruína wildiana, cujos contornos dramáticos, embora sejam impossíveis de serem separadas dor artística e dor verdadeira, mostram a fúria titânica de uma aliança onde a sutileza em mais uns poucos instantes explodiria... E o perigo maior vem de o pequeno falar do grande, de tentar transportar toneladas, com braços desprovidos do devido poder... Mas, mesmo com simplicidade e mediocridade conscientes, não resisto em mencionar que Wilde, com seu estilo epistolar único, faz arrasadoras denúncias sobre o ambiente carcerário inglês da prisão em que se encontrava e especialmente defende um guarda carcerário que não resistiu à visão de uma criança (ficavam juntos com os adultos) mirrada, presa, esfomeada, e ofereceu um pedaço de pão, fora dos regulamentos. Claro que é preciso ler isso em De Profundis para receber um dos milhares de prêmios de Wilde, vítima às vezes voluntária da tragédia, e não só preciso mas genial escritor sobre a bestial e rica natureza humana... Mas, o melhor de De Profundis, relaciona-se às flores também... É o momento em que Wilde se aproxima da liberdade e escreve direcionado à situação em que estarão os jardins, as flores, em como estarão as esquinas floridas por onde em breve passará já em liberdade... Wilde, Flores, Keates... Flores... Flores, Mulher, eu vejo flores em você, eu vejo flores em você... (Ira).

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A NATUREZA SEMPRE DARÁ RESPOSTA À OMISSÃO, MAS FELIZMENTE








REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
mosaicos-cida.blogspot.com
docecomooachuva.blogspot.com
coisasdabrenda.blogspot.com
experienciadevidacomdeus.blogspot.com
viciodeamar.loveblog.com.br

DEUS é uma questão de fato espinhosa, sanguínea, bastante difícil; mas, sobretudo o maior problema existente na questão religiosa é separar a materialidade da espiritualidade. Não foram os próprios construtores da idéia chamada "alma", e da separação "corpo" e "alma" que propuseram uma distinção de naturezas, e a prioridade da última sobre o primeiro? Estou quase chegando a meio século de vida, e considerando meus infortúnios e fortunas pessoais (níquel não tenho um só sequer, vou logo avisando a interessados; quando me refiro à fortuna digo que sei ler Saramago e Suskind, por exemplo, e olhar vários minutos Dali ou Michelângelo, ou ser um dos poucos a entender o que de fato representou o raio chamado punk rock) tenho certeza absoluta de que ao menos tenho mais paz interior no tocante à questão. Enfrento idiotices diárias de gente de natureza mental simples que mostra na materialidade, no sucesso material, na prosperidade financeira uma resposta de Deus para as pessoas de fé. Isso é uma piada no mínimo grotesca e cruel. A picaretagem tem chegado a níveis extremados, baseada na mais antiga (e felizmente na literatura, maravilhosa) confusão entre os homens, a babel chamada "interpretação". O cinismo é um jogo especial no mundo religioso e livrar-se do aperto a que somos submetidos cada vez mais pelo crescimento da fuga simples da responsabilidade humana sobre si própria, em que cada vez mais ao invés de solucionarmos as coisas através de uma verdadeira união e desprendimento, dizemos "Deus vai ajudar". Bem, o Plebe Rude já falou genialmente disso em uma música, procurem, no Youtube deve ter. Então, o que é o passo inicial? Mostrar que a compaixão e não o estalo de níqueis e disputa de superpompas de falastrões é o que deve ser a base da humanidade enquanto sofre. E depois, se conseguirmos e der tempo, Deus poderá nos ser dionisíaco, poderemos ser todos hedonistas, logicamente sem a perfeição utópica que é outra cartada cínica que vem sendo aplicada a ciclos variados desde que o homem organizou-se em sociedade. Compaixão... Sempre conto, talvez até já tenha contado aqui, um lance real de minha infância miserável. Eu tinha 4 anos de idade, e aliás, surpreendo-me de lembrar com tanto rigor de detalhes (que aqui não poderei descrever todos) a passagem. Pois bem, tinha eu 4 anos e pouco, e tínhamos uma senhora de vizinha, creio que de nome Edith. Abençoada, santa em estender a mão e tentar salvar nossos constantes desesperos. Ela tinha uma filha, Nilza, com olhos castanhos e úmidos, já naquela tão verde idade usava um óculos de aros iguais ao do Roy Orbyson. Em uma tarde passada de morna, estávamos sozinhos em casa, meu irmão dormia no cubículo que chamávamos de casa, e há pouco escapara de uma crise de desidratação e eu era o frágil guardião de tudo por ali. Ouvi um ruido na grama vizinha à janela da "dona" Edith. A porta estava fechada, a janela deles aberta. Eu sabia que a Nilza estava na peça. Fui até o pequeno quadrado irregular de grama agulha bem verde; caiam cascas de uva. Não titubeei, em pouco já terminara todas e conforme caiam eu as levava goela de miserável abaixo. Então cessaram, e antes que eu me desse conta do que acontecia, dei de frente com a menina. Ela me olhava fixamente, com um pequeno cacho de uvas em metade, estava, em sua magreza natural, linda como um reflexo de sol suave entre castanheiras esparsas em um final de tarde em jardim europeu de bons cuidados... Lábios úmidos (eu tinha 4 anos e meio e percebia isso), tinha o rosto inclinado, e com a voz de anjo, vestida em blusa branca e saia xadrez (uniforme de escola do qual não se livrara) disse: "que está fazendo?". E eu, com a frieza e desconcerto controlado, natural às crianças miseráveis, respondi "comendo as cascas de uva". E ela não disse nada, estendeu a mão e ofereceu o restante do cachinho (talvez tenha dito um: "tome, coma"). Isso, somente, já vale o universo humano, o ato daquela menina, também pobre como nós, e ali, sozinha, sem ninguém a impulsioná-la no ato misericordioso; com 5 anos de idade, entendendo o que se passava. Então eu disse algo que faria com que eu chorasse muitas vezes no futuro, toda vez que tentasse contar a história, que em anos não tive coragem de contar, embora tenha começado a me perseguir em determinado instante da adolescência em que contamos histórias uns aos outros. Disse: "não... eu como as cascas mesmo, coma as uvas...". Ela segurou minha mão (sei, é difícil de acreditar, mas é verdade), pôs o cachinho de uvas pela metade, e se afastou. Aliás, deve ter se afastado, pois a partir dali tudo é uma bruma. Ela era filha de uma senhora umbandista. Mas tenho plena certeza que isso não importa, creio que poderia ser filha de ateus, de evangélicos, católicos, budistas ou qualquer outra... Ela teria feito o mesmo, tenho absoluta certeza. Aquela garota, fiquei sabendo há pouco tempo, é hoje uma mulher materialmente rica, e não tenho a mínima idéia sobre sua espiritualidade atual. Mas não acredito que seja rica porque Deus a compensou, pura e simplesmente. Embora certamente tenha a graça e luz divina em si, creio que deve ter administrado muito bem sua vida, ter controlado seus sentimentos, e deve ter feito as coisas certas nas horas certas. Ela não é omissa, e com certeza descobriu o que é compaixão com cinco anos de idade, ao passo que pessoas dadas a esquentar com suas bundas o banco de templos, têm muitas vezes muito mais que os cinco anos, muito mais que dez vez isso, às vezes, e acham que compaixão é tudo menos dar um cacho de uvas, sempre, sempre e sempre, e sempre. A natureza sempre dará resposta à omissão, e se o mundo ainda tenta ir adiante, sob fogo cerrado de materialistas selvagens e de cínicos disfarçados de benfeitores, é porque esta mesma natureza responde também às Nilzas do mundo. Curiosamente o vinho, as vinhas, tem relação com a vida, com a partilha, no universo cristão, com o sangue irmão... Muitas vezes, quando me sinto muito angustiado, sou libertado por lembrar aquela menina e suas vinhas, felizmente, não um jogo de cena, ela Era, aliás, espero, ela É.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

SILÊNCIOS: PEQUENOS IMPÉRIOS DA VERDADE










REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
iaramaniadeescrever.blogspot.com
palavrasdacoral1.blogs.sapo.pt
snake.fotosblogue.com
destinoseculo21.blogspot.com
wallpaperbase.com
so-lotus.org

O Jorge, aquele que atende pela Prefeitura, um Centro Social da Zona Noroeste, é psicólogo de formação. Me disse que um dia Freud, fumando um charuto enquanto era observado, (provavelmente exasperado) disse a seus alunos, que focavam tudo sob o prisma da psicanálise: "Há momentos em que fumar um charuto é apenas... fumar um charuto". Há momentos que o silêncio se impõe sobre a tagarelice de nossos mundos. Há momentos que nos recolhemos de forma tão surpreendente que parecemos ter perdido a regência central de nossos pensamentos. O silêncio parece se impor e dizer "tem que ser ou não será mais". É um silêncio de personalidade própria, que nos desconcerta pois é o silêncio honesto que nos diz quem somos. Mesmo aqueles caras de pau, com o cinismo violento que destrói o mundo. Sim, pois os assassinos brutais, os altamente desordenados e intensamente odiadores do mundo e de tudo que compõe a ordem, esses tem que ser vistos em um contexto especial. Então, aqueles extremamente cínicos, que já mataram tudo que há em si para se sustentar em um papel odioso para os esforços humanistas e iluministas, pois se servem da oratória mais apodrecida possível para desfilar de cadilac para uma corte miserável, enganam uns aos outros e segue a carruagem, digo o cadilac. Mesmo esses senhores que apodrecem o mundo comprando por bananas a dignidade coletiva e corrompendo tudo que podem, em algum momento são inquiridos, talvez, pelo próprio silêncio. Embora o Clube do Imperador, com Kline, diga tão bem como é a insistência e serpenteação eternamente má halitosa deles. Mas, deixemo-los, vamos ao que importa, ao geral das pessoas, ao comum das pessoas, nós, muito mais nós que qualquer vocês. O silêncio impera umas poucas vezes em cada magote de tempo à disposição de nosso viver real, e nos diz. E dizemos também aos imperadores e às nossas pequenas oportunidades e pequenas cortes, com o silêncio. Um sino zumbe sem agredir, é suave e percorre o universo de nossos ouvidos para dizer "Atenção!". A lava quente em vários planetas, galáxias afora, tão longe de nossos pequenos alcances é parente do vulcão terráqueo e as teremperaturas elevam-se em seus amarelos dourados e branco, e vermelho intenso, que tenho com isso se não o acolhimento e a impotência; cai uma lagartixa da parede recém frustrada na captura de um lanche, e Kate canta Wuthering Heights, não lembram? Tem no youtube... Youtube, são novos tempos, morreu Saramago, morreu Renato, morreu Puzo, morrem os titãs, morrerão os vermes, morrerei eu no casulo, e quem saberá quem fui? O silêncio, o grande silêncio regente. A tolice humana é uma repetição tão poderosa que muitos pensadores fortes já sairam da desistência de acreditar que pudesse ser neutralizada... Vejo as manchetes de revistas sobre os 'artistas', a pobreza só não é tão irritante porque felizmente desisti disso, são sempre os mesmos branquelos pobres no cercadinho que finge que não é falido... silêncio... Não se entende muito bem o que digo, às vezes, mas o consolo é que nem mesmo eu entendo assim tão bem, e se entendo esforço-me para não entender mais e esquecer, pois pousa a borboleta, pousa o beija-flor e zuam as abelhas, as flores sobreviventes deleitam-se, e não tem mente, não tem cérebro, e diria Rilke, e celebram, e celebram, eneon-nenê-eneon-nenê... Eu não consigo ficar em silêncio, eu preciso dele, do sono acordado, mas não o atinjo, eu preciso dele il silenzio... Estou em velocidade, as letras não me deixam em paz, querem mais do que posso lhes dar, cercam-me, parecem querer me afogar para sempre... Eneon-nenê... Eneon-nenê... Eneon-nenê... Meu silêncio engana, minhas palavras enganam, não vão a ninguém que possa pensar que fosse para elas, são apenas para mim e para o maravilhoso silêncio chamado leitor... Quem lê meu blog? Com tanta coisa para ler na internet... O silêncio... Il silêncio... Eneon-nenê... Eneon-nenê... The stars... the faces... SILÊNCIO! Feche os olhos, perceba-o, silêncio, feche os olhos, o tapete vermelho e o deserto silencioso abrem-se sob os olhares da vida, o tapete vermelho para que desfile teu silêncio, ele é poderoso e rege o olhar da verdade se você quiser lhe entregar sem medo, a ti próprio... temos tanto medo da nudez, e nascemos tão inocentemente desnudos, e nus éramos até que a inteligência e a moral nos atingisse e nunca mais nos libertássemos de uma nova natureza, tão bela, mas tão perversa, pois que somos afinal perante nós mesmos senão simples animais... Silêncio... novamente.... silêncio... silêncio... silêncio... silêncio... .... si .... lên... cio... ...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

EU NÃO TE ESCUTO, VOCÊ NÃO ME ESCUTA, NÃO NOS ESCUTAMOS














REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
eabuga.blogspot.com
2pensadores.wordpress.com
tamarisrodrigues.blogspot.com
shelyak.blogspot.com
o_antonio_fala.blos.sapo.pt
Não com os ouvidos comuns, sim com os ouvidos e a fala da alma, a fala e audição dos olhos. Com meus olhos te ouço, você me ouve, te respondo, você me responde e nossas almas tornam-se apenas uma. Este é o mundo dos amantes internautas. Daqueles que se conhecem em rede, por tortuosas buscas inseguras, e de insatisfação e solidão originadas. Não a patética solidão, a solidão comum... Uma solidão que multidões de contatos reais não supririam, uma secura que todos os mares e rios não aplacariam. Como nas relações reais há uma confusão dos diabos e dos anjos nas relações amorosas, em que o tempo e o espaço operam como se duendes magros, compridos e coloridos pulando e trocando tudo de lugar o tempo todo e enganando todos os conceitos, acertos e erros nos quereres, quero alguém alguém me quer... Eu a achava perfeita! Não é! Eu o achava romântico, eram apenas estratégias verbais... Ou constantemente: Eu celebro, eu celebro, eu celebro, eu quero, eu amo... amor... O amor é uma instância mágica, um planeta sobrevivente à devastação cósmica que não poupa reino algum. Sobrevivem aqueles que realmente tem nas palavras os atos; que fazem os atos a extensão das palavras... Eu seduzo, tu me seduzes, e isso é apenas o princípio, princípio do amor, ou princípio do fim do que nunca foi nem nunca será. Diga-me, eu te escuto, eu te amo, ouça-me, eu te amo. Bloom diz que os gênios não ouvem ninguém, pois só podem escutar a si próprios... Talvez todos, no mundo moderno, não ouçam senão a si próprios, o Ego parece querer assumir, em parceria ao Superego, matando toda a imensidão do ID (interpretação pessoal, NÃOOOOOOOOO CIENTÍFICA, do que diabos seja isso que discutem até hoje e peguei um erro para usar na linguagem, ok? -isto aqui é uma porra de blog, senhores-). Queremos que aquilo que é imediato, agora, já, regencie nossas vidas? O amor não pode ser isso, o amor é um exercício de solidão, de verdade, mesmo quando estamos tão próximos de quem amamos, que o cheiro de sua intimidade mistura-se ao nosso... O amor sofre ataques externos constantes, intermitentes ou às vezes até rajadas contrárias ao seu ser e estar... As antigas cartas de amor, os novos e-mails de amor, "mensagem para você", diz Meg a Tom, Tom à Meg, encontros e desencontros, mas sempre encontros... O que escrever, escrever, já foi, agora, o que vem... vê-se que escreve lá do outro lado, o que? O amor, mesmo quando amadurecido, seguro e verdadeiro, felizmente sempre temperos no não saber as pequenas repetições, as pequenas surpresas, letras, todas, como diz o Ubiratan "quatro letras no coração", e acrescento ao Genial poetamúsico: quatro mil vezes mil quatrocentos...". Você não escuta, mas você me escuta, você me lê, eu escuto tudo que você diz, eu ouço as batidas do teu coração, o teclado tem o suor suave de tuas mãos perfumadas de tua essência e dos cremes femininos que escolhes, não nos escutamos pois temos tanto a dizer, e eu sou você, você é a mim, e em minha pele tua voz passeia, e tudo isso porque não preciso te escutar, nem você a mim, nos lemos, pele a pele, olhos a olhos, letras a letras, Escuta-me: Eu te amo!

domingo, 10 de outubro de 2010

O MAIS DIFÍCIL É ENCONTRAR A SI PRÓPRIO










REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
cantodooraculo.wordpress.com
juliorckrs.zip.net
tatacrisgarcia.blogspot.com
filosofix.com.br
phy.no.sapo.pt

Nietzsche tem uma frase inquisitória, que coloca na abertura de um de seus livros; cuja obra me diz um amigo que é sua melhor, nos esclarecimentos sobre nós, humanos: "Genealogia da Moral". A frase é: "Como vamos nos encontrar se nunca nos procuramos?". Na época em que eu li essa frase, andava indignado com a falta de procura verdadeira entre os universitários; do foco 'picuinha' que fazem em detrimento ao que seria de fato bom, generoso, a si próprios em primeiro, e pouco a pouco aos muitos grupos sociais carentes de vida/vida intelectiva. E pensei, sua frase é perfeita, afinal, não nos encontramos, mesmo precisando tanto que isso aconteça. E durante um tempo essa interpretação serviu a várias outras indignações e raciocínios sobre a sociedade, para mim. Acontece que adiante, percebi na pele o que Bloom chama de "má-interpretação produtiva" (em outras palavras). Na realidade, lendo melhor a frase em seu contexto, percebi que o que o genial pensador alemão (e sempre haverá um para dizer: mas ele não é pensador, é filósofo... quá) quis dizer foi sobre nossa busca de nós mesmos. Como nós próprios vamos nos encontrar a nós mesmos, se não nos procuramos. E vamos ser justos com o poderoso filósofo (mas ele não era um pensador? Que importa tanto isso, pensador ou filósofo? Quem pode de fato separar a essência de um e outro, sem recorrer ao mais cretino dos sistemas classificatórios?). Pois bem, ele disse: "Nós, homens do conhecimento, não nos conhecemos de nós; de nós mesmos somos desconhecidos - e não sem motivo. Nunca nos procuramos: como poderia acontecer que um dia nos encontrássemos? Com razão alguém disse: "onde estiver teu tesouro, estará também teu coração". Nosso tesouro está onde estão as colméias do nosso conhecimento. Estamos sempre a caminho delas, sendo por natureza criaturas aladas e coletoras do mel do espírito, tendo no coração apenas um propósito - levar algo "para casa". Quanto ao mais da vida, as chamadas "vivências", qual de nós pode levá-las a sério? Ou ter tempo para elas? Nas experiências presentes, receio, estamos sempre "ausentes": nelas não temos nosso coração - para elas não temos ouvidos (NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da Moral - Uma polêmica. Tradução, notas e posfácio de Paulo César de Souza - São Paulo: Companhia das Letras, 1998). Posso estar novamente interpretando errado; mas pareço perceber que há aí uma desvalorização ao efêmero, ao imediato que desvanece após seu encontro conosco, pois, para que nos serve tanto, espiritualmente, a badalada que anuncia meio-dia, 13 horas, ou o sorriso acompanhado do mais falso dos "bom dias". Ou o desprezo mal disfarçado do mestre que pouco se importa com teu avanço ou potencial... Pois a opinião alheia, poderosa ou superficial, certamente tem valor objetivo; mas sobretudo tens que ter uma proximidade contigo próprio. Não creio que seja muito fácil encontrarmos a nós mesmos; mas isso será mais difícil ao mesquinho, aquele que dá tapinha nas costas e diz, "não se preocupe, Deus vai te ajudar", enquanto pensa "mas não eu"; ao materialista raso, que prefere o conforto do atalho para aliviar a consciência que arregaçar as mangas em favor "daquele". Creio que afastar de nós mesmos a possibilidade de fazer algo pelas pessoas e pelo mundo, meio sem se importar o quanto não merecem ou não merece o mundo, ou o quanto isso é dispendioso e cansativo, nos afasta desse que tanto gostamos de falar com as mais altas vênias, dotando nossos discursos de ares proféticos e poderosos; e muito pior, afasta-nos de encontrarmos conoscos mesmos; pois o homem é singularmente dotado de inteligência, e somente através dessa "coleta sobre a coleta" sobre o mel da sabedoria, da instrução, poderá encontrar a si mesmo; onde perceberá que a distância entre o abstrato e o objetivo é muito menor do que possa pensar. Encontrar a si próprio, enfim, é buscar cada vez mais fugir das reflexões confortáveis e enfrentar o desafio da complexidade presente na arte, principalmente literatura chata. Mas também podemos utilizar a ferramenta dignificada por Platão, o diálogo, sendo que o primeiro passo é descobrir o que isso de fato e não pateticamente representa. E isso é tão difícil, pois, fale em trecos bobos e não terás dificuldade em achar "o outro"; mas fale em reflexões um pouco mais avançadas, e rapidamente poderá estar sob a acusação de prepotente ou "viajão". Talvez por isso o mesmo Nietzche tenha dito em certo momento que a natureza dá longos rodeios para escolher uns poucos... Mas, existem muitos desses poucos, o diálogo é sim uma dádiva existente, apesar dos cruéis "estou sem tempo"; "não tenho tempo"; "tenho andado tão sem tempo"... Jamais seremos inteligentes o suficiente, e felizmente jamais seremos tolos o suficiente; inteligentes o suficiente para dialogar e agir facilmente em todas as situações e com qualquer tipo de tolos; jamais tolos o suficiente para ignorarmos que há o lado de fora da caverna... Mas, antes de encontrar o lado de fora da caverna, é preciso entender que não há apenas uma delas, há uma pandora, e a primeira é em nós mesmos, e a segunda, e a terceira, e não se sabe quantas mais são necessárias ser vencidas, para então sair à imensidão do mundo... O mais difícil é encontrar a si próprio; sem dúvida.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

RELACIONAMENTO COM A MORTE






REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
orasbolas.wordpress.com
br.taringa.net
Ioronix.blogspot.com
bbc.co.uk

Entre as tantas coisas irritantes que temos que suportar, às vezes, em fãs de livrinhos auto-ajuda ou raso emprego da herança doutrinária cristã é que muitas vezes querem destruir direitos imperiosos no SER. Por exemplo, encontro extremas dificuldades em explicar para as pessoas que a tristeza, e não somente a minha, é salutar. É um encontro do homem com o que tem de mais puro em si, em outros e nos objetos importantes. É claro o desequilíbrio no mundo no usufruto da herança dos bens terrenos, vindos após os dinossauros terem sido deletados via meteoro ou outra estratégia esclarecida pela National. É claro que existe tanta crueldade no mundo que um milhão de Datenas não seria número suficiente de narradores comercialmente estupefatos para transmitir e redramatizar. Basta eu sair na minha varanda e já ouço injustiça, seja pela própria natureza, um gato que abocanha um filhote de gorrion (sob o ponto de vista da cadeia alimentar natural, ou o gorrion ou o gato, claro, a perspectiva é outra), ou seja pela "consciência torta de humanos". Mãe xingando uma filha de menos de seis anos, de "Sua biscate". Enfim, o mundo é triste, como um todo, e nem todas as cachoeiras lindas, as flores dançando com as abelhas e colibris, praias paradisíacas, vislumbrar fantásticas engenharias naturais ou humanas, e tantas belezas (observe-se, mais à mão de quem tem o dindim, e não venham contrariar isso dizendo rasamente 'está ao alcance de qualquer um a felicidade, a beleza, e outras bobagens simplistas'). A tristeza não é doença, é apenas um estado de espírito mais reflexivo e verdadeiro, a alegria sempre nos trairá, a tristeza, poucas vezes. Como diz Voltaire, a consciência não é má conselheira, não adula. Nós é que procedemos errado com a verdade que nos sopramos a nós mesmos... A tristeza pela indesviabilidade da morte é um fato. Claro, existem pessoas extremamente fortes e indiferentes, mas a maioria se abala, ou pelo medo de perder tudo, ou pela impotência perante essa fatal despedida. Me sinto feliz em perceber que lido com a morte como mais um dos eventos únicos que temos, claro, top de linha. Tem uma música da Ângela Maria que diz: "hoje, alguém pôs a rodar, um disco de Gardel no apartamento junto ao meu, que tristeza me deu..." É o início das reflexões de um personagem se aproximando da inexorável morte... E procede com a maravilha rilkiana perante o inevitável "eu celebro": "...Garçom, põe a cerveja sobre a mesa, Bandoneon, toque de novo que Teresa esta noite vai ser minha e vai dançar para eu sonhar...". Sonhos no início da vida, sonhos no final dela, esta é proximidade à alma. Tudo, um entrevero de subjetividades... Mas, pode ter algo mais lindo, mais poético sobre a morte que esse grito musical de Ângela Maria? (há empates; é um momento poético lindo e desconcertante) - "A luz do cabaré já se apagou em mim, o tango na vitrola também chegou ao fim, parece me dizer que a noite envelheceu, que é hora de lembrar, e de chorar...". A memória é sumprema; o futuro é ou armadilha quando mal; esperança criadora quando bem... Às vezes concordo que sou poeta, com alguns amigos, pois quando essa música me chamou a atenção, eu tinha 19 anos e era um adolescente jogador de voleibol, já cinéfilo, namorado de andar de mãos dadas, enfim, cheio de vida... É, a poesia talvez nos escolha, apesar que todos somos a ela irremediavelmente ligados... todo homem é poeta, é um destino inescapável... Mas alguns sabem o valor da tristeza... Sorte... :o).

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

OLHAR EM NÓS MESMOS






REFERÊNCIAS DAS IMAGENS:
virtualiaaomanifesto.blogspot.com
simplesmenteamor.zip.net
victorianage.wordpress.com
ummodernoeremita.blogspot.com

É com certeza, a mais penosa das tarefas enxergar em nós nossas feiuras. Hoje li horrorizado, como não poderia deixar de ser; o assassinato de um pai na frente de sua própria filha; após tentar fugir do assassino. A menina relatou as últimas palavras do pai "deixe-me ir, vou voltar para a fazenda...". Ele, um homem adulto, o assassino, um jovem de 17 anos, namorado de sua ex-mulher. O garoto deu três tiros, um último, na boca da vítima, quando este estava semi-agonizante; pouco antes de partir a um novo destino ou exiguir-se totalmente, conforme uns ou outros acreditam sobre o pós morte. Pensei que eu poderia estar na situação de um dos dois; ou pior, na situação de pai do garoto; qualquer um de "nós" poderia estar. Fui um jovem ciumento, e em situação de dois namoros, penso que poderia ter cometido alguma grande imbecilidade, maior que a que cometi por "amor"... rsss. Eu poderia ter levado um tiro de um ex-marido ciumento. E tendo um filho, sempre tenho calafrios com a idéia de que ele possa se atrair de uma garota sob o ciúme de algum retardado ou ele, ser tomado de fúria ciumenta. Mas, creio, graças ao bom Deus em que acredito, que ele tem lentamente atingido um bom ponto de maturidade, e está isento disso. Ou seja, é um garoto cada vez mais "de boa"... Mas o pior aqui é pensar em nós; nós todos, o quanto podemos ser frágeis, tolos, e imensamente desastrados no tocante à paixão que nos confunde fazendo-nos pensar que seja amor, pondo-nos completamente cegos e idiotizados ao último. Hoje tenho alguém especial na minha vida; é uma espanhola linda e apaixonada; amorosa; verdadeiramente um amor de moça; e a gosto demais, eu a amo, diria Vinicius ou não. E posso dar o conselho que tantos me deram em uma época que foram inúteis aos moucos ouvidos pós-adolescência... E certamente ninguém ouvirá os meus... Mas; puxa, se conseguimos descobrir a maturidade, embora à custa da morte de algumas fúrias só presentes nas paixões cegas; amar é tão bom... Te amar é tão bom... tão bom, tão bom... Se o mundo acabar, não será por outro motivo senão porque não mais a arte se suporta reinventar. Digo arte, não seus arremedos; digo reinvenção, não a grotesca imitação daquilo que já é um produto raso e patético; putz, que vontade de dar nome aos... bois... Então, se acabar; será porque não mais se sustentam as tentativas de refazer Jeckyl, por exemplo ou "Frankie", naquilo que dizem "o domínio dos textos...". Caramba, lembrei como comecei meu texto; sim, foi um crime bárbaro, e que Deus nos livre a todos de lidar com coisas assim... E que nós mesmos acordemos logo com a urgência brasileira de se tratar a precocidade... Corrupção, hoje saiu uns trecos sobre corrupção, onde? Sim... Em uma das tais câmaras; bem, mas isso não é assunto meu, isso não é meu assunto... Perdi o bonde porque pequei outro na contra-mão, só na outra, poderei, enquanto isso, que outros existam; paladinos ou de conta própria... Devem existir, do contrário isto estaria muito pior... É, tudo é uma colagem serena ou brutal de coisas, resta a intermitência da imaginação e do amor... Amor... Te amar é tão bom, tão bom, tãooo bom... Te amo espanhola... pra que chorar... Te amar é tão bom, tão bom, tão bom... :o), tolos amantes, eternamente tolos... :o)...