CAMPO DOS GUAICURUS

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sábado, 11 de abril de 2009

O QUE É UM BIOGRAFEMA? PODE SER UM OVO DE PÁSCOA?

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Putz, tanta gente deve ter escrito novamente sobre a páscoa... Alguns requentaram matéria do ano passado, outros bisbilhotaram matérias alheias e... requentaram também... Outros devem ter deixado para em cima da hora, “ah... falar da páscoa, moleza...”... E na correria, com cigarro acesso na boca, copão de café, começaram... ...bla, bla, bla... era uma festa tals, e tals, perdeu o sentido, e blaus, e blas, e blas... E no pensamento, (putz, que merda, será que ainda consigo um ovo pra fulana)... (Caramba, pra mim vou comprar aqueles amassados em promoção, na outra semana, é tudo chocolate...) Páscoa, Pode...?... os caras do capital conseguiram fazer essa, acreditar que coelho bota ovo... Mas é uma fogueira agregadora, até... e é empregadora... E afinal, é sempre assim, na falta do Amor Amor Mesmo, vai amor amor mesmo e deu...
O Roland Barthes é um nome preferencial até entre inimigos teóricos do campo das Letras. A faculdade me assustou um pouco sobre falar meio sem pensar, escrever sem muita reflexão... E principalmente, escrever sobre nomes sagrados sem base “sólida”... Mas a mesma faculdade me fez ver que há muita pompa e circunstância, e pior, muita gente que só trabalha com decoreba mesmo, com “está escrito...”. Logicamente falo de más exceções, felizmente a maioria dos professores que tive dão ao menos o benefício do silêncio à liberdade... Bem, o Roland Barthes é objeto do olhar de Leyla Perrone-Moisés num livro chamado Roland Barthes... ( ! ). Trata-se de trabalho biográfico, é de uma coletânea da Brasiliense, eu emprestei tantas vezes de uma maravilhosa amiga, a Ilma, que ela acabou me presenteando o livrinho azul. Ele é foto de um álbum meu de Orkut.
Nele a Leyla escreve (putz, “a Leyla”... vai vendo...) “De Sade, Barthes gostava de lembrar os punhos de renda branca; de Fourier, os vasos de flores entre os quais caiu morto; de Loyola, os belos olhos espanhóis. Biografemas...” Acho que já escrevi sobre isso... Mas, me deu vontade de lembrar isso em momento em que as memórias são tão importantes...
Eu adotei essa palavra com muita força assim que passei a conhecê-la. Para o próprio Barthes, o biografema nunca é uma verdade objetiva... Caramba, como gosto de verdades não objetivas, de coisas que são verdadeiras sem deixarem que as toquemos... Como uma virgindade teimosa e dolorida, gostosa, e eterna... e sempre nossa... Dizem que a virgindade física é uma defesa contra bactérias, vejam só que porcaria de frase: “ a virgindade é uma defesa contra bactérias”... Acho que se não existissem hímens, e o medo nas meninas antigas de as mães lhes olharem nas caras e ver escrito “já era”, simplesmente por causa de uma membranazinha descartável, o sentido de virgindade seria mais belo. A vaca está indo pro brejo na sociedade... Vamos comer tudo, e comer todos uns aos outros, e quando a igreja perceber a merda que fez não ajudando na natalidade consciente, aliás usando essa porcaria de natalidade a favor de marketing bobo, de clamar holofotes, já terão feito muito mais que matar Brunos e obrigar menininhas a serem mães. Hoje o gay enrustido Smith, disse pro Neo, pistoleiro de seus sonhos, com aquele tom de vilão de Sessão da Tarde: “...vocês não tem o comportamento de mamíferos, vocês são uma exceção... os mamíferos sempre tendem ao equilíbrio, vocês fodem com tudo (não foi bem assim que ele disse, mas foi esse o sentido)... Vocês acabam com as reservas naturais (aí teve algum dedo do Green Peace ou do Panda) e partem para outro lugar... Sabe que espécie age assim? E o Neo, com aquela eterna cara de bobo bonitão não respondeu... E o Smith tornou: “...vírus... Mr Anderson... vocês são vírus...” A virgindade (isso, meu texto é sempiterno, voltei para a virgindade) seria mais bonita, mais poética e preservável de importância... Se não fosse física. Sempre digo que jamais amei ou fui amado, e que para mim isso é uma impossibilidade. Mas se amasse, o caminho principal na fusão amorosa seria providenciar que minha amada estivesse virgem a cada vez que fizéssemos amor... Por favor, não pensem em coisas patéticas, quem simplesmente passa uns dias de abstinência planejada e depois manda brasa tem uma pista do que falo.
O biografema é uma unidade memorial, uma lembrança, uma aranha que fazia teia debaixo da mesa, uma xícara de louça da casa da vovó (eu tive “vó”, mas, respeitando a maioria, aí fica o vovó); um beijo que ninguém poderá saber; um perfume na memória, um dia no campo, um cão especial (pode ser gato, Menina do Horto); um relógio, ou "aquele" ovo de páscoa... Enfim, já perceberam o que é. Mas não aprisionem o biografema, soltem-no, tentem perceber que além das memórias que sempre se repetiram, ainda existem duas possibilidades maravilhosas... Uma: são as hipóteses reais (putz, e o pior é que é isso mesmo, e, ironicamente, se é hipótese, não é real...), ou seja, o que realmente poderia existir além de tudo que me lembro neste pedacinho memorial... Tinha aquele trincado na xícara, mas como trincou? Com o calor do chá de canela (ahhhh, o chá de canela...) Viram? Virão outras lembranças... Outra: pode ser o biografema, um poderoso construtor de fantasias, isso, coisas irreais, dadas às crianças como o maior de seus poderes e aos adultos que se mostram mais homens que os outros, menos selvagens, mais humanos. A memória é nossa soberana, ela não é prática, é a nossa salvação, será nosso renascimento, sempre, aqui e após a morte... Construa-as boas, preserve as melhores, será o DNA que o reconstruirá... Assim uns aconselharam... Acredito nisso... O presente um mero meio, o passado nosso eu mais verdadeiro e o futuro a hipótese, a esperança de ainda restar em nós vigor, energia, capacidade e sorte de fazer sempre algo um pouco melhor.
Vamos encerrar com a poderosa Leyla falando do poderoso Barthes:
“Esse mestre nunca assumia a mestria. Queria e conseguia que seu seminário fosse um círculo descentrado, que a palavra circulasse como no jogo de passar anel, que o ambiente de suas aulas não fosse um cenáculo, mas uma área de jogo, onde o saber se criava à margem do poder acadêmico, como um suplemento do prazer e do afeto”... ... “...se incomodava com os alunos que anotavam tudo, palavra por palavra. ‘Para quê?’perguntava ele...”; “...a diferença não é o conflito... o conflito é apenas o cenário realista, a paródia grosseira da diferença, uma fantasmagoria... A diferença, o que é? Que cada relação, pouco a pouco (é preciso tempo), se originalize: reencontre a originalidade dos corpos tomados um a um, quebre a reprodução dos papéis, a repetição dos discursos, desmonte toda encenação de prestígio, de rivalidade...”

"PENSEM...SEMPRE...PENSEM... NÃO SE EXTINGAM DE SI PRÓPRIOS... PENSEM, SIMPLESMENTE PENSEM, SEM NADA, SÓ PENSEM... COMO FLUTUAR... GRATUITAMENTE...PENSEM" (vários autores).

Kafka dizia que o universo não tem outra saída senão se explicar a quem pergunta com o silêncio total, com o pensamento descomprometido...

É, Ilma, você foi fantástica comigo me dando esse livro maravilhoso, valeu! :o) !

2 comentários:

Tatyana Alves e Elika de Sousa disse...

Que texto é esse??? Meu irmão, que viagem!!! acho que esse chá poderia ser de tudo, menos de canela...
Olha, confesso a você que eu adoraria ler um livro e ter todas essas viagens e arcabouço suficiente para redigir pelo menos um terço de tudo que li aqui. Mas atualmente estou em uma completa crise de identidade causada por um professor de faculdade e uma monografia dos infernos que nunca sai. Acho que esse troço de faculdade não me fez muito bem não. Acho que quero um chazinho de canela na xícara de chá trincada da vovó pra relaxar.
Olha, tudo isso é para te dizer que adorei o seu texto. Eu entendi tudinho que você quis dizer. Da sua forma, do seu jeito, mas você disse... isso são apenas peculiaridades. O que você fez foi se permitir, você usou seu estilo sem medo para descrever algo tão complexo como o pensamento. Tá de parabéns. Eu não consigo mais, estou tão presa aos moldes, e padrões do uso medíocre e excessivo da prolixidade acadêmica que não consigo me concentrar em nada mais. Cheia, de tanto professor que só me confunde a cabeça e muitos não sabem nem o que tão dizendo. Por favor, parem o mundo que eu quero descer!

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Tatyana Alves e Elika de Sousa. Nossa! Eu que estou de fato surpreso. Isso foi algo muito bom. O melhor café da manhã em muito tempo. Ver alguém que tem o pensamento vivo e escrita clara, bem feita, deixar tal comentário aqui. Vocês (ou você :o)) Me fizeram muito feliz nesse surpreso 15.04. Beijão... E, olha, se precisarem de apoio monográfico (jorgetrabalhos@hotmail.com), que é outra versão do Dante Sempiterno. Bjões, gurias... Parabéns pelo texto vivo... amei!!!