CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

domingo, 26 de abril de 2009

SER JOVEM

GENERAL DOUGLAS MAC'ARTHUR: FONTE: bymyart.files.wordpress.com
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O General de cachimbo, Douglas MacArthur quase foi presidente dos EUA, perdeu para Eisenhower, junto com ele um dos únicos cinco generais de cinco estrelas dos EUA. A disputa, portanto, não lhe ficou feia. Acabou tomando conta do Japão destruído do pós-guerra e ajudou tal país a ser economicamente o que é hoje. Era um sujeito impressionante é o que dizem todos que o conheceram. Certo dia lendo cartas, durante a segunda guerra mundial mantinha uma correspondência encorajadora com os jovens, ao estar com uma delas, enviada por uma garota, leu-a em voz alta: “... e tal, e tal, és simpático, lindo, por assim dizer, mas, essa bengala que o senhor usa parece deixá-lo mais, velho”. Sem perder seu passo fleumático, ao passar por um cesto em um canto, lá atirou a bengala e continuou a leitura como se nada tivesse ocorrido. Ele foi herói de guerra, foi um líder impressionante, um sujeito de caráter exemplar, mas tudo isso é pouco perto da essência contida em um texto, uma pequena prosa poética que deixou sobre a juventude:

Ser Jovem

Juventude não é um período da vida; é um estado de espírito, um efeito da vontade, uma qualidade da imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, do gosto da aventura sobre o amor ao conforto

Não é por termos vivido certo número de anos que envelhecemos; envelhecemos porque abandonamos o nosso ideal.

Os anos enrugam o rosto; renunciar ao ideal enruga a alma. As preocupações, as dúvidas, os temores e os desesperos são os inimigos que lentamente nos inclinam para a terra e nos tornam pó antes da morte.

Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e pergunta, como a criança insaciável: E depois?... Que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida

És tão jovem quanto a tua fé. Tão velho quanto a tua descrença. Tão jovem quanto a tua confiança em ti e a tua esperança. Tão velho quanto o teu desânimo

Serás jovem enquanto te conservares receptivo ao que é belo, bom, grande. Receptivo às mensagens da natureza, do homem, do infinito.

E se um dia teu coração for atacado pelo pessimismo e corroído pelo cinismo, que Deus então, se compadeça de tua alma de velho.

(General Mac'Arthur)

A juventude precisa de otimismo! A juventude precisa de inteligência! A juventude precisa ser ouvida e precisa de alianças com os mais velhos! A juventude precisa de pintura, música, leitura e bom cinema! Fotografias! Orkut e messenger à medidas certas! Precisam beijar; de sexo no momento ideal da juventude e sem doenças e sem gravidez irresponsável para lhes destruir os sonhos; eles precisam realmente conhecer a natureza, a si e a equação irregular, mas prudente, das aventuras! Os jovens precisam uns dos outros, torcer por algum time, mas sem fazer disso uma idiotice e obsessão! Sobretudo os jovens precisam de quem os oriente sem fazer disso tirania, auto-ajuda barata, religiosidade enganosa ou tosca, precisam encontrar a Deus como encontram os melhores cheiros e cores da natureza! Simplesmente os jovens precisam não apenas de amor, mas que saibamos o que é a linguagem “amor” para poder conversar com eles, ser aceito em seus mundos e por eles... É fácil? Não! Nossos próprios filhos nos impõe grandes graus de dificuldade de uma aproximação, que diremos então dos jovens em geral? Mas é impossível? Não! E não é esse o melhor dos desafios do mundo? Melhorar nossa espécie e nisso envolver o que nos distingue de qualquer outro ser vivo, a comunicação... E que a comunicação seja arte, e que a arte nos aproxime, sempre... E que ao menos minimamente desconfiemos os verdadeiros significados na palavra arte e no que principalmente a podemos entender simplesmente como “Isso É arte”... (D. Sempiterno).

domingo, 19 de abril de 2009

MONTE CASTELO

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FONTE: Arquivo pessoal.

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Revisando o texto de uma psicóloga (é, eu faço isso) fomos às discussões, e é claro, outras coisas foram conversadas que não o objeto do trabalho... E ela disse, à queima-roupa, “você é mosaico!”. Ou seja, uma profissional da mente conversou comigo, pela primeira vez, e aos cinco minutos de prosa, sem jamais ter visto nada meu, chamou-me, em outra palavra, de sempiterno, justamente meu sobrenome adotado. Conversei com um anjo chamado Elaine (todos, sem exceção, que a conhecem sabem por que podemos chamá-la de anjo) e ela disse: “você será para sempre amorosamente infeliz por que não se resolve do único amor que teve”. Ela está na conta dos dedos de uma única mão quando enumero as pessoas mais importantes de minha vida, e entre as qualidades que me levam a percebê-la desta forma estão a franqueza absoluta e a agudez de raciocínio sobre uma síntese final no tocante ao comportamento humano. Como todo mortal, ela erra as primeiras impressões, mas como um anjo, com doçura, percebe a essência final das coisas. Ela erra (sob meus conceitos) com a palavra amor, quando a meu respeito, porque distingo de forma diferente do comum a paixão e o amor. Aliás, de início não, porque de maneira geral as pessoas encaram a paixão como um sentimento avassalador e envolto em efemeridade e o amor duradouro e ao contrário da paixão, envolto e essenciado na perenidade. Ou seja, as paixões podem ser fortes, poderosas, mas são passageiras e o amor duradouro e forte, em outra maneira de ser. Mas para mim, e talvez para muitos outros, há uma sutil (ou não tão sutil) diferença nisso tudo. A paixão vem em primeira ordem no antagonismo ao amor e não o ódio. Sendo que o próprio ódio é em casos o rei das paixões. Acho que a paixão é o espelho do amor, é seu contrário... Podemos ser apaixonados a vida toda. E não digo a paixão intermitente, que é a constante reconstrução de um sentimento, como estimular a cada dia o gostar de alguém ou de algo. Não se trata disso, é natural... Brutal, titânica, “twística”. No final, considero a paixão com o mesmo poder do amor e igualmente rara. John Ratey, um psiquiatra havardiano, explicou o que são as síndromes silenciosas, reflexos unitários de determinadas doenças mentais como a comovente Síndrome de Dow e outras. Na época que li seu último texto, haviam catalogado quase quatrocentas doenças que infernizam a humanidade porque parecem simplesmente atos indisciplinados ou destemperos emocionais normais. Sim, um inferno, pois se com doentes muitas vezes não se tem a devida paciência, imagine-se com doentes que não parecem doentes. Qualquer pessoa com o mínimo de senso emotivo realmente verte lágrimas quentes ao verificar seus relatórios, verificar de maneira dolorida o quanto estamos distantes de nós mesmos; e o quanto as palavras amor e paixão são mal resolvidas entre nós. O quanto podemos machucar quem jamais deveriamos ferir nem de leve. A Elaine acerta em cheio, sou infeliz, como Dante, porque me apaixonei em 1987 e hoje, 2009, não vejo como me livrar disso. Não creio na impossibilidade, pois no campo sentimental as possibilidades são vastas e imprevisíveis... E pode me aparecer alguém capaz de desconstruir o diamante maldito. Mas, realmente Dante, infeliz apaixonado (Beatriz e a história toda) e Sempiterno (mosaico, sem início, sem fim, eterna colagem de retalhos sentimentais), é em mim o apelido perfeito. Mas, sou um homem de sorte porque reconheço em mim o que muitos não reconhecem em si. Sobre o trabalho de Ratey, o psiquiatra estadunidense, creio que serve para metaforizar o amor... Existem realmente muitos amores, mas são poucos em relação ao que muitos pensam que é o amor. Renato "chupou" (bem chupado, como ele fazia –ops... sem trocadilhos, ok?) Corínthios 13 e dá uma boa pista sobre o engano de muitos... Pois amar, puxa, deve ser lindo, deve ser tudo o que dizem e muito mais que muitos como eu jamais saberão... Mas muito, muito difícil, Deus e o Amor, oh mistérios eternamente desafiados, eternamente risonhos, eternamente distantes dos infelizes, enganosamente próximos, pois os tolos enganam-se entre o simples e complexo; oh Deus, oh amor, oh Beatriz... Monte Castelo... Ainda que eu falasse a língua dos homens, e a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria... A não ser um mosaico, uma colagem de retratos memoriais perdidos na chuva do tempo... Monte Castelo, castelo... de cartas, de aço, esperando, a cada passo... Esperando... Monte Castelo... lágrimas, passos, aço... Passo...
CLIPE: MONTE CASTELO - LEGIÃO URBANA. FONTE youtube.com

sábado, 11 de abril de 2009

O QUE É UM BIOGRAFEMA? PODE SER UM OVO DE PÁSCOA?

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Putz, tanta gente deve ter escrito novamente sobre a páscoa... Alguns requentaram matéria do ano passado, outros bisbilhotaram matérias alheias e... requentaram também... Outros devem ter deixado para em cima da hora, “ah... falar da páscoa, moleza...”... E na correria, com cigarro acesso na boca, copão de café, começaram... ...bla, bla, bla... era uma festa tals, e tals, perdeu o sentido, e blaus, e blas, e blas... E no pensamento, (putz, que merda, será que ainda consigo um ovo pra fulana)... (Caramba, pra mim vou comprar aqueles amassados em promoção, na outra semana, é tudo chocolate...) Páscoa, Pode...?... os caras do capital conseguiram fazer essa, acreditar que coelho bota ovo... Mas é uma fogueira agregadora, até... e é empregadora... E afinal, é sempre assim, na falta do Amor Amor Mesmo, vai amor amor mesmo e deu...
O Roland Barthes é um nome preferencial até entre inimigos teóricos do campo das Letras. A faculdade me assustou um pouco sobre falar meio sem pensar, escrever sem muita reflexão... E principalmente, escrever sobre nomes sagrados sem base “sólida”... Mas a mesma faculdade me fez ver que há muita pompa e circunstância, e pior, muita gente que só trabalha com decoreba mesmo, com “está escrito...”. Logicamente falo de más exceções, felizmente a maioria dos professores que tive dão ao menos o benefício do silêncio à liberdade... Bem, o Roland Barthes é objeto do olhar de Leyla Perrone-Moisés num livro chamado Roland Barthes... ( ! ). Trata-se de trabalho biográfico, é de uma coletânea da Brasiliense, eu emprestei tantas vezes de uma maravilhosa amiga, a Ilma, que ela acabou me presenteando o livrinho azul. Ele é foto de um álbum meu de Orkut.
Nele a Leyla escreve (putz, “a Leyla”... vai vendo...) “De Sade, Barthes gostava de lembrar os punhos de renda branca; de Fourier, os vasos de flores entre os quais caiu morto; de Loyola, os belos olhos espanhóis. Biografemas...” Acho que já escrevi sobre isso... Mas, me deu vontade de lembrar isso em momento em que as memórias são tão importantes...
Eu adotei essa palavra com muita força assim que passei a conhecê-la. Para o próprio Barthes, o biografema nunca é uma verdade objetiva... Caramba, como gosto de verdades não objetivas, de coisas que são verdadeiras sem deixarem que as toquemos... Como uma virgindade teimosa e dolorida, gostosa, e eterna... e sempre nossa... Dizem que a virgindade física é uma defesa contra bactérias, vejam só que porcaria de frase: “ a virgindade é uma defesa contra bactérias”... Acho que se não existissem hímens, e o medo nas meninas antigas de as mães lhes olharem nas caras e ver escrito “já era”, simplesmente por causa de uma membranazinha descartável, o sentido de virgindade seria mais belo. A vaca está indo pro brejo na sociedade... Vamos comer tudo, e comer todos uns aos outros, e quando a igreja perceber a merda que fez não ajudando na natalidade consciente, aliás usando essa porcaria de natalidade a favor de marketing bobo, de clamar holofotes, já terão feito muito mais que matar Brunos e obrigar menininhas a serem mães. Hoje o gay enrustido Smith, disse pro Neo, pistoleiro de seus sonhos, com aquele tom de vilão de Sessão da Tarde: “...vocês não tem o comportamento de mamíferos, vocês são uma exceção... os mamíferos sempre tendem ao equilíbrio, vocês fodem com tudo (não foi bem assim que ele disse, mas foi esse o sentido)... Vocês acabam com as reservas naturais (aí teve algum dedo do Green Peace ou do Panda) e partem para outro lugar... Sabe que espécie age assim? E o Neo, com aquela eterna cara de bobo bonitão não respondeu... E o Smith tornou: “...vírus... Mr Anderson... vocês são vírus...” A virgindade (isso, meu texto é sempiterno, voltei para a virgindade) seria mais bonita, mais poética e preservável de importância... Se não fosse física. Sempre digo que jamais amei ou fui amado, e que para mim isso é uma impossibilidade. Mas se amasse, o caminho principal na fusão amorosa seria providenciar que minha amada estivesse virgem a cada vez que fizéssemos amor... Por favor, não pensem em coisas patéticas, quem simplesmente passa uns dias de abstinência planejada e depois manda brasa tem uma pista do que falo.
O biografema é uma unidade memorial, uma lembrança, uma aranha que fazia teia debaixo da mesa, uma xícara de louça da casa da vovó (eu tive “vó”, mas, respeitando a maioria, aí fica o vovó); um beijo que ninguém poderá saber; um perfume na memória, um dia no campo, um cão especial (pode ser gato, Menina do Horto); um relógio, ou "aquele" ovo de páscoa... Enfim, já perceberam o que é. Mas não aprisionem o biografema, soltem-no, tentem perceber que além das memórias que sempre se repetiram, ainda existem duas possibilidades maravilhosas... Uma: são as hipóteses reais (putz, e o pior é que é isso mesmo, e, ironicamente, se é hipótese, não é real...), ou seja, o que realmente poderia existir além de tudo que me lembro neste pedacinho memorial... Tinha aquele trincado na xícara, mas como trincou? Com o calor do chá de canela (ahhhh, o chá de canela...) Viram? Virão outras lembranças... Outra: pode ser o biografema, um poderoso construtor de fantasias, isso, coisas irreais, dadas às crianças como o maior de seus poderes e aos adultos que se mostram mais homens que os outros, menos selvagens, mais humanos. A memória é nossa soberana, ela não é prática, é a nossa salvação, será nosso renascimento, sempre, aqui e após a morte... Construa-as boas, preserve as melhores, será o DNA que o reconstruirá... Assim uns aconselharam... Acredito nisso... O presente um mero meio, o passado nosso eu mais verdadeiro e o futuro a hipótese, a esperança de ainda restar em nós vigor, energia, capacidade e sorte de fazer sempre algo um pouco melhor.
Vamos encerrar com a poderosa Leyla falando do poderoso Barthes:
“Esse mestre nunca assumia a mestria. Queria e conseguia que seu seminário fosse um círculo descentrado, que a palavra circulasse como no jogo de passar anel, que o ambiente de suas aulas não fosse um cenáculo, mas uma área de jogo, onde o saber se criava à margem do poder acadêmico, como um suplemento do prazer e do afeto”... ... “...se incomodava com os alunos que anotavam tudo, palavra por palavra. ‘Para quê?’perguntava ele...”; “...a diferença não é o conflito... o conflito é apenas o cenário realista, a paródia grosseira da diferença, uma fantasmagoria... A diferença, o que é? Que cada relação, pouco a pouco (é preciso tempo), se originalize: reencontre a originalidade dos corpos tomados um a um, quebre a reprodução dos papéis, a repetição dos discursos, desmonte toda encenação de prestígio, de rivalidade...”

"PENSEM...SEMPRE...PENSEM... NÃO SE EXTINGAM DE SI PRÓPRIOS... PENSEM, SIMPLESMENTE PENSEM, SEM NADA, SÓ PENSEM... COMO FLUTUAR... GRATUITAMENTE...PENSEM" (vários autores).

Kafka dizia que o universo não tem outra saída senão se explicar a quem pergunta com o silêncio total, com o pensamento descomprometido...

É, Ilma, você foi fantástica comigo me dando esse livro maravilhoso, valeu! :o) !

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O AMOR NÃO É NADA, É TUDO; NÃO É TUDO, É NADA

FONTE: www.blu-ray.com
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FONTE: cadernodemensagens.net


FONTE: www.wallpaperbase.com


FONTE: www.adorocinema.com.br


FONTE: arttoheartweb.com

FONTE: gorgeousforgod.com

FONTE: www.fraternidaderosacruz.org

FONTE: meusromancesblog.blogspot.com

Estou feliz de ter sido encontrado por minha amiga Angélica. Tenho certeza que ela representará uma nova força nos meus projetos literários, principalmente nos ajustes estruturais e necessárias colocações de pontos de vista pragmáticos, além de emprestar sua particular visão no que tange à prosa poética. Assim como eu, ela é outra admiradora da linha Zanelatto de pensamentos literários e outros, e tem uma fome inesgotável na busca das razões da arte, especialmente praticada pela escrita. A Angélica é dessas pessoas perfeccionistas, que gostam de ir ao extremo do acuro em lavrar algo, e agradecerei aos céus se em sua apertada agenda colocar espaços para dar atenção às verificações em meus escritos romanescos e poéticos. Sempre digo, se eu tivesse mil filhos, gostaria que todos tivessem ela como professora em algum momento, suas colocações claras sobre qualquer ponto, seus discursos didáticos são invejáveis. Seja bem vinda Angélica, toda vez que vier aqui, e espero que venhas sempre, e traga outros :o)...


Bobagem pensarmos que somos realmente capazes de escrever sobre o amor. Ainda bem, pois isso sustenta das mais simplórias coisas, como as composições new-sertanejas repetindo infinitamente as mesmas frases e estas sempre com vigor suficiente para que as pessoas ajam como periquitos faceiros, até as composições shakespearianas; para irmos logo aos exemplos mais fáceis da mensageira por excelência dos amores e ódios, a arte. Bobagem pensarmos que podemos saber realmente e realmente saber escrever sobre o amor; e estranhamente é isso que justamente nos leva a falar e escrever tanto sobre ele. E os benefícios de o amor não poder ser domado em sua conceituação não são, obviamente, somente esses. Até mesmo as conquistas todas, as possibilidades teológicas, e até mercadológicas – vamos colocar juntas essas palavras que nunca se deram tão bem como em nossos dias-. Falar de amor é como transformar tudo em nós ou outros e o que há dos outros em nós, em um momento. Como se de repente o coração, a mente e o espírito pudessem ter um fantástico espelho, de muitas dimensões. Então, apesar de ser bobagem pensar que existe a possibilidade, não é bobagem a tentativa. E creio que nisso todos são iguais, todos fazem momento ou outro uma reflexão séria sobre o amor, e claro, com todos os outros sentimentos que ele desperta, inclusive seu contrário, o ódio... Sim porque são separados por margem tão estreita que muitas vezes parecem aliados ou às vezes um o outro.
Posso dizer que para mim o amor representa o fracasso. Fracassei com a pessoa que mais amo no mundo, fracassei com meu filho. Fracassei com a Elaine, e ela foi talvez o que mais próximo cheguei do amor conjugal, e a prova definitiva de que amar me representa o impossível. Infelizmente a perdi para sempre, como perdi outras mulheres maravilhosas que passaram pela minha vida de homem de sorte em conquistar, fracassado em manter. Um dia me disseram uma coisa boba, mas, como esses dizeres bobinhos sempre trazem uma armadilha feroz, reparei que não era exceção: “É mais fácil conquistar mil mulheres que conquistar a mesma mulher duas vezes”.
Enfim, fracassei com Deus, fracassei com meu filho, com meus pais e com meu irmão, fracassei com a Elaine, fracassei com o Luís, o Rone, e outros entre os melhores amigos que tive na vida. E creio que fracassarei com o amor às Letras e com a Literatura. Paro! Olho! Indago... A mim, à solidão à frente de meus olhos quando saio na varandinha à noite e olho o que chamo de “Quem é você?”, olhos luminosos no azul escuro e oscilante, no céu. Fracassei comigo mesmo... Eu precisava de amor para conseguir honrar a sorte chamada vida, mas algo aconteceu... Não sei quando, como, mas em algum lugar na linha de minha vida, todas as chances sobre o amor desapareceram. Nas igrejas, na voz dos homens que falam em Deus nada encontrei que me fizesse contratar realmente com Ele, em minha busca solitária por Ele e na vontade de servi-lo, no final virou tudo interpretação literária ou poética (o que não deixa de ser maravilhoso), mas nada de amor... Bem que tive rompantes maravilhosos de algo que jamais poderia explicar, em minha busca a Deus em lugares e situações extremamente solitárias... Isolado na mata sob chuvas torrenciais, passeando sobre gigantescas pedras praianas em dias solitários no sul de Florianópolis, em Campeche, onde Saint Exupery esteve, olhando meu filho dormir de boca fechada, quase sorrindo, sereno, em sonhos, na beleza inexplicável de algumas mulheres maravilhosas, na voz da música erudita ou do rock... Sempre sozinho, sempre sozinho...
Se fracassei com o amor, também fracassei com o ódio, meu ódio nunca durou... Tenho ressentimentos antigos, solidificados, mas todos úteis para a poesia. Nenhum de meus ódios sobreviveu como ódio, propriamente dito. Não consegui odiar nem quem tentou efetivamente me matar, não odiei quem com a frieza matou por anos tudo que de melhor havia em mim... Nem quem sistematicamente pisoteou ou esnobou quando devia entender e atender, ou quem devia simplesmente dizer: “siga adiante”. Não consegui odiar a personificação total da mesquinhez, defeito humano ao qual mais meu coração devota espanto e recusa, talvez um tipo complexo de nojo.
Já, quanto às paixões, não posso reclamar... Para um cara de latinha tão normal quanto eu, tenho uma lista (perdoem-me as feministas) que daria inveja a muitos atores famosos... Eu realmente tive mulheres lindas em meus braços, em minha cama, em meus lábios... A começar pela mãe de meu filho, ela tinha treze anos e eu vinte três quando a vi, namoramos quando ela tinha catorze, e quando ela percebeu a seriedade de minha parte, me deixou por um ano, durante o qual eu tive uma loira do RS de apelido Angélica (preciso explicar a beleza dela?). Parecerei patético, mas não tenho outra forma de falar sobre minha sorte, eu realmente tive namoradas lindas, e muitas. E algumas foram realmente apaixonadas por mim e me amariam até o final da vida se eu tivesse sabido lidar com o amor. Minhas paixões foram febris, virulentas, eu consumia até o final tudo que me despertava paixão... Corrompia sexualmente todas que entrassem em meu mundo, exceção àquelas que são realmente incorruptíveis e não entendem o sabor da barbárie sexual. Quando digo isso não me refiro às mumunhas de Sade, aquilo tudo para mim, explorado até por programinhas chulos das tardes de domingão (tiazinhas da vida). Refiro-me a uma barbárie refinada, nada de absurdo. Mas peraê... O sexo, por si é absurdo, então, vamos deixar isso tudo aí mal acabado e mal escrito mesmo. Lembrei de Erasmo (De Roterdã) inferindo sobre os estóicos e de como será que seriam suas caretas nos momentos sexuais, quando a todos é impossível escapar do “ridículo”, do “louco” da situação.
Sobre o amor, Cristo representa a reforma para muitos. Acho que é sim, não de Cristo somente, mas mérito de muitos homens destacáveis, Rousseau, por exemplo, além do Homem-Deus, o nascimento da compaixão. Se a compaixão e a ética se tornarem o objeto do homem, a humanidade se salvará de Tomas Hobbes, ou seja, de si próprio. Isso sim, talvez seja o tal do amor.
Sobre a capacidade de o poeta transformar a mulher real na poesia, penso que Dante merece ser desafiado, pois recriou todos os mundos celestiais e infernais só para reescrever um nome de cinco Letras, Beatriz, nomezinho que incomodou até Luis, Jorge Luis Borges.
Casanova comeu todo mundo, será que amou alguém?
Todos dizem eu te amo, é o que disse Woody Allen, vale a pena ver porque. Assistam...
Taj Mahal ou os Jardins Suspensos? Bem, sabe, eu tive muita vontade de fazer amor com nenhuma das duas que incendiaram essas arquiteturas pelos seus hérculeos amantes, mas com uma mulher que dizem que foi nariguda, e que Isidore Ducasse deu grande importância e disse, distorcendo o Santo Pascal, “O nariz de Ceópatra, se houvesse sido mais curto, toda a face da terra teria mudado”. Imaginem o tesão (aqui, registre-se com justiça a moralidade presente no Word, o editor automático, aquele da linhazinha trêmula verde, tentou trocar a palavra tesão por excitação... rss) que sentiram César e Marco Antônio. Porque se não são muito mais as pompas bem engendradas, que vão desde a arte correta da maquiagem e do vestir até o jogo dos gestos e palavras de uma mulher de verdade, suas curtas, médias e longas estratégias na construção de suas histórias, o que faz com que todo o sangue do homem trabalhe abrindo um teatro mental que explode todas as torres morais internas e o faz parecer um animal ensandecido pelo cheiro escondido no ar... (e não me venham dizer que escrevi pornografia barata, por favor, trabalhem bem o “cheiro escondido no ar”, não é um cio animal, pura e simplesmente... Trata-se de querer muito, desejar muito, ao extremo, uma mulher. Eu desejei tanto uma, que a obsessão gerou um romance de mais de 300 páginas (será publicado, e creiam, é um história linda) e uma amizade fantástica. Se fizemos amor? Graças aos céus, neste caso a doce obsessão foi atendida, e como...
Garfield diz que ama Arlene, mas disse a ela: “Você é o segundo gato que mais amo!”, e a bobinha ainda perguntou, “quem é o primeiro?”...
Que pena, não posso perguntar para essa geração: “Você chorou quando Clarke Gable beijou Vivien Light?”. Pena, acho que não posso nem mesmo perguntar, “você chorou quando Richard Gere chegou numa limusine Branca, e se borrando de medo enfrentou seu pânico com alturas para ir à busca de seu verdadeiro amor, numa prostituta das ruas de Bervely Hills...?” Nestes dias não sei porque choram de emoção, na arte, os jovens...
Eu conheci o Paraíso, conheci o Purgatório e conheci tão de perto o Inferno que concordei com Baudelaire sobre o truque do Diabo, mas não conheci o amor, nunca deixei que me amassem, jamais amei alguém. Talvez seja porque os diabos dos escritores, mesmo os de rodapé, como eu, têm mesmo é uma cruz para carregar, viver as vidas alheias, tão alheias que constroem personagens e distorcem a realidade transformando as mulheres em deusas e os homens em diabos. E o Ricardo lembra Wilde “O mistério do amor é maior que o mistério da morte”. Ele acabou há pouco uma Skol 500 ml, é formado em Letras, é músico e compõe,... Sabe de amor, de poesia, poesia e amor... Talvez saiba mais que nós, pois músicos guardam segredos tão bem que nem mesmo escritores conseguem esmiuçar. Discordou aqui o Ricardo dizendo “...na realidade a música empresta da literatura...” Viram, essa discussão vai longe... um milhão de blogadas adiante, não só minhas, é claro...


UMA LINDA MULHER