CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

quinta-feira, 5 de março de 2009

AINDA SHAKESPEARE - THE SHIELD

FONTE: www.entertainmentwallpaper.com
FONTE: g1.globo.com

FONTE: edgarb.blogspot.com


FONTE: ditospelomaldito.blogspot.com


"SÓ SEI QUE NADA SEI..." FONTE: admin.opovo.com.br

Sou muito ruim para decorar as coisas. Fórmulas, onde deixei as chaves, que dia é o aniversário de não sei quem, quem é que estudou isso ou aquilo e jogou merda no ventilador do teórico anterior. Uma vez, nesta coisa de ter tornado a arte meu nicho de fuga da realidade, cismei que seria músico. Arrumei um violão velho e embalei-me na esperança de vir a ser um Joe Sartriani, ou ao menos uma caricatura do Raul. Gosto do Raul, (Seixas), gosto da música dele, da maneira como lidou com a simplicidade complexa das letras e harmonia sonora. Acho que o maior problema do Raul são seus fãs. “Toca uma do Raul aê!!!” é uma frase que esfria a região da batata das pernas de gerentes de boteco: “...se derem uma batita tô f...”. Li num dos livrinhos de música que viraram doação após a desistência de minha promissora carreira de músico, que os fãs de Raul quase o lincharam como impostor de si próprio num show onde apareceu aos trapos em aparência carnal e roupas... Mas deixemos claro que nem só de marofeiros é feito o séquito raulista. E também bastante claro que o fato de ser marofeiro não manda automaticamente alguém para o Inferno. Que a droga é uma merda, qualquer coisa em contrário é papo furado, mas é óbvio que o cara que fuma erva pode ser bom sujeito; e há muitos. E quando afirmo isso estou falando do cara que não fica um só dia sem queimar alguns até a última ponta e não dos saudosistas hippies ou eventualistas. Pois bem, entre outras coisas que fui desanimando com música é que realmente não consigo decorar as letras por muito tempo... Ainda mais se tinha que enfrentar público para içar o letrado... Meu irmão um dia comentou: “É incrível que se lembre com perfeição o roteiro de algo que leu ou viu há décadas e se esqueça onde há pouco deixou um treco ou um mero endereço”. Mas é que uma história que li “lá...” na cartilha “Caminho Suave”, nos iniciais anos setenta tem coordenadas sentimentais. Minha memória é feita de emoção. Só consigo lembrar com eficiência aquilo que de alguma forma, bem ou mal, me emocionou e cuja emoção não foi feita de uma explosão, de um impacto apenas, mas de uma costura de pontos. Acho que isso, entre tantas outras “cositas mas” é que me afasta das novelinhas da globo. Pois se a verossimilhança é golpeada durante a linguagem artística, que resta? Frases independentes, coisas assim meio “prompts”. Tudo que na arte é dinástico traz a ausência de uma necessária refrigeração, oxigenação, e do principal, a renovação. Não há como uma redoma ser espaço onde surja algo realmente bom como “The Shield” (seriado muito, mas muito bom, tão bom que a revista Entertaimente Wekly o colocou como o programa número 29 entre os 100 melhores da televisão dos últimos 25 anos. Mais uma? É a primeira série/drama a receber um Globo de Ouro na história). Quando houver realmente democracia (ô palavrinha dura de usar, ô palavrinha tão espezinhada... tão vilipendiada, tão fodida, diga-se, mas tão boa) onde hoje é um cirquinho particular onde todos são belinhos, cheirozinhos, perfeitinhos, com dialogozinhos tão fofinhos, com choros tão chorinhos, com dramaturgias tão exageradinhas, poderá renascer e apresentar uma arte que seja ao menos do porte de Chaves; que mostrou que a qualidade dos atores é essencial à representação artística. Não curto (ao menos por enquanto) o que li de Manoel de Barros, mas uma notícia não confirmada dele me agrada. Disse-me um amigo que ele é fã de Chaves (sem querer querendo...). A arte agradece... Eu não poderia jamais ser um ator, isso me faz ainda mais admirador daqueles que o conseguem... Mas ator ok? Não uns caras que não conseguem atuar melhor nem mesmo que participantes dum treco chamado Big Brother. Caramba! Mas, um grande professor disse que gosta de novelas, isso me fez pensar em muitas coisas. Não é só ele de grande qualificação perceptivo-artística que gosta, aí reclamo uma melhor percepção de minha parte, porque realmente a dramaturgia brasileira me parece muito fraca, e vivente apenas de exceções, no que se refere à novelas e filmes. E exceção para mim é gente do porte de Raul Cortez, esse sim, grande ator, Não conheço o “grande teatro”, do pouco que vi não me animei em seguir adiante. Sem dar nomes, tem certas “unanimidades” que o gordão das tardes bobas de domingo chama de “monstro sagrado da TV Brasileira”, que a mim não diz nada. Ainda sou medíocre, me olha ali da estante, decepcionado, Derrida indagando: “até quando? Até quando?”.
Nota: recebi um slide musical e textual maravilhoso da Prof. Sandra Hahn, que iluminou com as cores primaveris e outras o meu olhar que sempre pede a natureza floral e o que nela é inspirado e a cerca. E presente no belo objeto o providencial alerta “Só sei que nada sei”... Quem quiser e não o tem, peça e com prazer envio.

Obrigado pelo tempo que me dão, vocês, que mais que os outros o tem tão precioso, com justa razão. Até a próxima!


FONTE: Youtube .

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