CAMPO DOS GUAICURUS

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

SHAKESPEARE É INCÔMODO PARA A MEDIOCRIDADE

FONTE: etc.usf.edu
FONTE: www.apparitionfilm.com

FONTE: bitaites.org

FONTE: www.blogtalkradio.com/pics/hostpics/9352e3a8-...

FONTE: www.allposters.com

FONTE: www.sirianniart.com

FONTE: destinoscruzados.wordpress.com

Não sei muito de Shakespeare, mas pouco a pouco, através de Bloom (do qual não desisto por conselho algum) ou massiva abordagem em todo o mundo, em todos os tempos, vou sabendo dele, do “Bardo”, mais que ontem...Porque a alguns ele incomoda tanto? Porque a insistência em atacar Shakespeare e negar dele as obras e mesmo a existência? Não tenho lastro para uma discussão desse tamanho, mas sinto-me orgulhoso pelo fato de que de alguma forma isso tudo me causa inquietude e não o caminho para o mesmo, ou caminho para as bobagens das oito; ou um desvio para a retaguarda."Não sejais fracos, tampouco, mas deixai que o vosso critério seja o vosso mestre. Ajustais o gesto à palavra, a palavra à ação; com esta observância especial , que não sobrepujeis a moderação natural. Pois qualquer coisa exagerada foge ao propósito da representação, cujo fim, tanto no princípio como agora, era e é oferecer como se fosse um espelho à natureza, mostrar à virtude seus próprios traços, ao ridículo sua própria imagem, e à própria idade e ao corpo dos tempos sua forma e aparência. Ora, o exagero, como a deficiência, conquanto façam rir os incompetentes, não podem causar senão desgosto ao criterioso, e a censura deste deve constituir na vossa estima mais do que um teatro lotado pelos outros". Essa frase de Shakespeare, é dada por Hamlet, quando, articulando um plano para desmascarar o tio assassino e conferir se ele realmente matou seu pai, recomenda procedimentos a atores que farão uma peça dentro da peça. Coisa já brilhantemente explicada , com outros autores e outra literatura mais linguisticamente próxima a nós, através de aulas de Literatura Portuguesa da professora Rosana Zanellato.Vez ou outra o Rone, amigo bastante criterioso, principalmente no tocante às performances musicais (para mim ele representa eu ter aprendido a gostar, e muito, de Pink Floyd) toca no assunto da qualidade artística. Há quem torça nariz, chame o critério de radicalismo ou parcialidade. Eu já o contrariei algumas vezes e na maioria, ao final, tive que rever o que colocara a respeito. Ele não se move por pretensões quanto à crítica, nada disso espera, mas é taxativo “tem o bom, e tem a porcaria, são resultados da busca de cada um, preguiçoso ou virtuoso, creio que seja raro, não me lembro de algum, um trabalho artístico que tenha sido ruim, se os critérios em todas as etapas foram de excelência”. E diz mais “cada um com seu cada um”... rsss
Mas existem leitores tão poderosos, de quadros, peças, músicas, que conseguem “traduzir” trabalhos medíocres e endossá-los, sujeitos fantásticos que conseguem ter um ecletismo que tempera para o concílio e para a melhor das funções da arte o resultado de qualquer apreciação. Invejando tais sujeitos, digo que sou obrigado a ficar mais com Bloom, Shakespeare e o Rone, cada um com seu cada um e eu com o Renato e com Saramago, “Quem me dera ao menos uma vez acreditar...”; “e seus olhos eram como um rio sobre o outro” (Índios; Evangelho Segundo Jesus Cristo); e Pink Floyd... “Então, então você acha que consegue distinguir o céu do inferno, céus azuis da dor? Você consegue distinguir um campo verde do aço?”... Sabe, eu não sei direito o que Shakespeare, Gilmor, Rone, Saramago querem dizer, mas sei exatamente o que certos “artistas” falastrões, que falam em macarronada e cerveja barata mas bebem vinho e comem, sim, caviar e beijam a bunda de quem dizem criticar, dizem: NADA. Há mais coisas entre a vontade de reinventar a qualidade e quantidade na produção artística e o nada, do que desconfia nossa vã nova crítica. Mas, sinceramente, benditos sejam os raros abençoados que transformam água em vinho, deles é o reino misterioso da paz na arte, dos silenciosos pilares que sustentam no final a possibilidade da discussão... O poder do limão é Amarelo... Blog, blog, blog.

Um comentário:

Gutemberg disse...

Mano querido.
A falta de tempo é uma das feridas desta geração, que, com tanta carga de informação visual, pouco lê. :). Consegui um tempinho e li atentamente teu texto e consegui captar algumas coisas que me fizeram pensar a respeito. Não sei se você se lembra que uma vez eu fiz uma certa crítica construtiva (espero) ao teu modo de escrever inicial. Disse na ocasião que, se você quisesse ser um escritor mais popular, teria que mudar tua linguagem, por demais introspectiva na época. Dando ao leitor a oportunidade de poder entender melhor o teu recado. Hoje, no meu singelo entender, penso que você está melhorando bastante quanto a tal aspecto. É claro que te conhecendo um pouco melhor, fica mais fácil entendê-lo... compreender a tua intenção... a tua inquietação com algumas coisas. Percebo que sempre foges do "popular", do que é, até certo ponto", cultura de brete (esta última palavra saiu tão espontaneamente que fui ratifica o seu significado - deparei-me com o blog http://pauloheuser.blogspot.com/2006/04/tirando-o-boi-do-brete.html). E este é um caminho. Uma trilha para atingir adeptos de uma leitura com conteúdo. Mas, ainda vejo alguns resquícios de um mundo muito particular. Os Rones, que você conhece. Que eu conheço pouco, mas dá para entendê-lo. Talvez isso ainda me incomode um pouco. De qualquer forma, posso dizer que gostei bastante do que li; e isto não é um elogio gratuito. Vejo também que a palavra mediocridade te incomoda bastante. Na verdade, muitas pessoas entendem o medíocre como sendo aquele que está abaixo da média. Quando a referência é ao regular, razoável, mediano. E você logicamente está longe disso, pois sempre foi inteligente e, sobretudo criativo. Por outro lago, o mundo é feito em grande parte de "medíocres", no bom sentido. E tentar entendê-los é uma tarefa bastante longe da capacidade de um "medíocre". A leitura é algo fantástico. Mas a importância das palavras me fascina. Sempre me fascinou, apesar da minha preguiça de ler. Se, leio, no entanto, gosto de "saborear" as letras, contestar o escritor, buscar nas entrelinhas. E tuas palavras fizeram isso comigo. Talvez alguns escritores preferiram galgar trilhas menos tempestuosas por outros motivos que acabam sendo outro mistério. Hoje, muitos fazem isso pelo dinheiro, como nas letras de canções sem qualidade técnica, mas populares. Há os que preferem "saborear" sem "esforçar" seu raciocício... assistir a um filme, por exemplo, no qual não precise se encabular com algo; pensar sobre a intenção da cena. Ainda bem que existem as diferenças para valorizar os que rebuscam, que ousam, que atingem pontos de inquietude.
Parabéns, meu querido mano!!
É isso aí.
Grande abraço.