CAMPO DOS GUAICURUS

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

!ESTOY DE VOLTA! VIVA!!! VIVA LA MEDIOCRIDAD!!!

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FONTE: evelynha-linda.blog.uol.com.br

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Aprendi a maioria das coisas espirituais mais elevadas (observação, aqui, “mais elevadas” dá quantificação interna, ou seja, mais elevada comparando-se partes do meu saber umas com as outras e não com saberes alheios) por um dos favores das fugas que eu empreendia de mazelas variadas; das quais não se convém falar agora, aliás, Freud talvez já tenha falado o suficiente, genericamente, que seja. Encontrava guarida em Tio Patinhas, fotonovelas patéticas, bolsilivros (bangs-bangs e erotismo barato)... Fugia da dificuldade em que esbarrava sobre o que Montaigne diz que é a mais importante das coisas da vida, “viver”. Minha infância foi entre miserável e quase miserável e a fantasia se apresentou com a proposta de me socorrer a mente até certo ponto, e foi amorosamente aceita; substituiu objetos que a ingenuidade da natureza não percebia ausência. Quando procuro relembrar meus choros, tenho dificuldades e imagino que eles, como tantas outras coisas, sofreram bloqueio por um remédio que ainda desconheço quase que totalmente. Mas recordo muitas lágrimas, com tanta vivacidade que parecem me retornar, quentes, riscando o rosto. Crianças que vivem a vida que eu e meu irmão vivemos, são sobreviventes de um mundo ainda muito aquém da tentativa de ser realmente pensante, um mundo que insiste em não perceber as verdadeiras possibilidades da verdade e da fraternidade. Claro que sei que vivi vida de príncipe se nos compararmos a outras famílias, algumas etíopes, por exemplo, ou de outros cantos da África e Ásia, e milhares mesmo de meu país, estado, ou município. O escuro trazido pelos tortos que pregam a retidão moral cheirou mal para mim muito cedo. Apesar de eu ser uma criança facilmente tapeável - até os dias de hoje - em assuntos práticos e específicos, o todo do mundo, o ver, ser, estar total, geralzão, universal, era coisa meio complicada de me convencerem que era assim e tal. Logicamente há exceções; como contei, só tardiamente a Gilse e seu irmão certo dia me fizeram perceber que o Papai Noel existia, sim, mas não para nós, e que isso de fazer listas “para pôr na meia” é que dava aquela carranca aos nossos impotentes e amargurados pais nos períodos natalinos. A minha inteligência era acima da média da maioria de minha turma de colegas no primário, e creio, sinceramente, que justamente meu constante estado fantasioso é que dava essa condição, além do impulso que meus pais davam, a cobrança... Mas comecei a ser ultrapassado em resultados no período de quinta a oitava série, e fui dominado pelas idéias prontas no ambiente escolar, ao ponto de certa feita rirem por eu utilizar a palavra “estadunidense” (que hoje é moda adequada) - e a professora me corrigiu para o “norte-americano”, sob o eco dos risos aos quais me pareceu não somente complacente como cúmplice; mesmo comigo ostentando o velho livro onde me baseara - e eu aceitar o caso de o próprio livro de história estar “errado”. No tocante à arte, certa vez cravei um coração azul numa águia estilizada e me empenhei ao máximo para explicar que aquilo tinha um significado mais importante que a má qualidade das linhas... tudo inútil. Mas a resistência ficava lá no fundo que nem o Smeagal “eles não entende minha arte, eles não percebe que quero criar”. Da quinta à oitava série fui apaixonado por uma Simone que hoje mora em Coxim-MS. Ela não tem a mínima idéia que bisbilhoto seu orkut, vez ou outra, e sinto sincero prazer em vê-la feliz. Se por um lado ela me ajudava a criar asas, por outro fazia-me perceber da maneira mais cruel a sutileza das sub-castas, eu era de uma sub, sub, sub, sub casta, e ela de uma boa casta. Ensimesmei-me ainda mais na ficção e nas visitas interplanetárias ao perceber minha exclusão do círculo que me interessava participar. Lembro-me até hoje do olhar cínico e cruel de uma garota quando fui impedido de participar do desfile de 7 de setembro porque o tom de minha calça de uniforme era despadronizado. Vários eventos parecidos, mais fuga, mais arte. Isso e outras coisas que estenderão demais o dizer bloguiano me levaram um dia a acreditar que eu poderia ser um cara diferenciado na arte. Um sujeito destacado, dono de obras geniais. Felizmente percebi a tempo a bobagem que isso seria para mim. Percebi o potencial da mediocridade, e mais, e muito mais valoroso, a liberdade que a mediocridade pode nos dar, se a assumirmos. Vejam Somerset, ele fez isso. Vejo pequenos gênios e acho-os insuportáveis, vejo novos dândis da arte misturando demagogia com rancor e empáfia; e o tédio é pouca coisa se comparado ao que sinto. Como não consigo deixar a arte, a farei sem muita pressa, sem muito compromisso. A não ser, é claro, nos casos de contratos promissores... É, creio que neste caso poderia ser o novo Shakespeare... “Vocês estão aí?”... Fora disto, prometo apenas ser o máximo que pode ser uma tartaruga voadora, e jamais perseguir a genialidade, se não houver justa conveniência. Pois, seria certamente a ruína do pouco que restou em mim após o vendaval de 1997. “2009, viva la mediocridad”.

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