CAMPO DOS GUAICURUS

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

HOMENS É O QUE SOIS E NÃO MÁQUINAS



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Gostaria de não me encantar tanto por animais selvagens, como tigres, leões, principalmente, e outros. Gostaria de me encantar mais com vacas, na hora que o pensamento se faz um tanto poesia ou todo poesia. Não consigo. Embora compreenda que vacas também podem ser poéticas; certas vacas, inclusive, inspiraram magníficos compêndios poéticos; mas essas são outras vacas, tenho me referido mais àquelas dos prados cultivados.

Afinal, meu animal silvestre regente é o cisne; apesar do fascínio mais antigo, por leões, me regem os cisnes brancos ou negros que, "caseiros", não perdem o estado de selvagem... tem algo de indomável, de livre, fascinante...

Para mim, o cisne representa coisas inalcançáveis, que admiro em pessoas. O silêncio sem concessões... Aquele silêncio que não é arrogante, não é arquitetado, estratégico... Um silêncio que não é mágoa ou ressentimento, não é nem mesmo isolamento do mundo, É apenas silêncio, a capacidade de se desligar dos sons e de tudo que os represente; um silêncio capaz de segurar o ar e tudo que nele está acorrentado.

Não são poucos aqueles que veem no cisne o signo da fidelidade, além da beleza e de outros predicados. E a fidelidade é algo sempre admirável, pois, por mais forte que seja, tem algo de esguio. A fidelidade que admiro é difícil de explicar, mas, como o cinema e a literatura explicam tudo, posso dizer que “Três enterros de Melquíades Estrada”, com Tommy Lee Jones, é capaz de dar cabo de boa parte da explicação sobre a fidelidade que me encanta. A obstinação subjetiva.

Já ouvira, disse, que o cisne é um animal fiel. Que, magnificamente, quando morre um “dos dois”, o outro guarda eterna viuvez. Isso não é coisa pouca... penso... Isso os põe junto com Dante, que foi estúpida e maravilhosamente fiel a uma Beatriz que criou de e sobre a Beatriz real.

Os leões são carnívoros. Penso o estado carnívoro como uma das insanidades humanas contrapostas na decisão de ser humano... Se pensarmos um pouco, de verdade, sobre o que é um frigorífico, sobre o que representa a morte animal em larga escala, para que possamos reinar absolutos no topo da cadeia alimentar, é possível amarmos mais as alfaces... 

Já tentei ser vegetariano, infelizmente o resultado se mostrou muito pior que minhas tentativas de regime. O filme Matrix tem coisas demais para as pessoas se lembrarem coletivamente (aquilo de “você se lembra daquela cena...?”, “sim, sim... e você se lembra daquela outra em que...?”). Em Matrix, Cypher, golpeia de garfo um belíssimo bife mal passado e diz “eu sei que esse bife não existe...”, bem... a lembrança é tão válida que há vários blogs que falam sobre isso, e já ouvi vários cinéfilos amigos meus tocarem no assunto . E estou com o Cypher, embora contra minha vontade consciente. Adoraria ser vegetariano, comer brotos, sementes, folhas, flores e frutos e me sentir estomacalmente zen... Mas, um bife de alcatra, grosso, ao ponto, que seja, nem precisa ser mal passado... UAU!!!

Então o cisne é um excelente signo. E parte da essência desse magnífico ser será usado por mim em muitos de meus projetos signais.  A ver com beleza e ética, talvez verdadeira base de toda fidelidade sana, saudável. Homens é o que somos, significados em cisnes e fidelidade ou em tudo o mais de qualidade que represente a ética no melhor que seja. Ao nos simbolizarmos em animais, não retrocedemos, evoluímos, em termos, se "vamos e voltamos para nós", em um trabalho magnífico de reflexão, de ótima produção de excelentes espelhos que são, em outro nome, a auto-crítica.

Antes de tudo, creio, precisamos, se não conseguirmos ao menos tentarmos para valer, ser fiéis a nós mesmos, pois o que fazemos fica escrito em algum lugar; nisso acredito, que somos homens da escrita, somos palavras, como "homens e não máquinas" e que tudo é e fica, de alguma forma, escrito.

3 comentários:

^^ disse...

Carambolas! Há uma parte nesse texto, sim, àquela parte que se remete a cena de Matrix, minha trilogia preferida, a que assisto incansávelmente em maratona, me ajuda a ver as coisas de uma forma clara, mas que se dane! Todos sabemos que os ideais não existem, e fidelidade, falsa fidelidade "Deus é fiel", isso vem de pessoas alienáveis, pessoas que se remetem a moralismos que não são seus, moralismos que na maioria das vezes foram alterados em gerações em gerações, como o lance do Catolicismo e o Vaticano, quantas desculpas eles já pediram a humanidade por erros passados, mas eles não são a palavra de Deus? Está aí aquele filme, passou semana passada eu acho, Código Da Vinci, que tapa nos "fiéis"! Já pensou se o filme que levasse a categoria de ficção ou romance, viesse com um "baseado em fatos reais"???
Voltando a o meu comentário, que se dane, se não existir, tudo não é passageiro? Estamos aqui para ser felizes, mesmo que a nossa realidade seja a Matrix e nós vivendo nela!!! Estamos aqui para ser felizes até acordar(o sentido está no antônimo da palavra.)
E os cisne! me lembra Cavaleiros do Zoodiaco! o Cisne sempre tão imponente e virtuoso! Eu particularmente adoro o leão, tem haver com o signo que tenho!!
Jorjão! Muito Obrigado! Abraço!

Carlos R. disse...

Finalmente consegui ler seu blog, quando li no inicio que vc ia falar de leões, cisneis e fidelidade, receava que fosse receber um chute do saco pois esses assuntos são tratados geralmente com muita pieguice, e eu que inumeras vezes sou obrigado a ser piegas quando escrevo para a tv ou publicidade, não tenho o menor saco pra isso.
Mas fiquei feliz de ter conseguido ler o texto até o final sem vomitar, rs, muito pelo contrário percebi uma vitalidade e uma força principalmente quando vc ia de um tema para o outro articulando o texto, talvez seja a vitalidade dos depressivos que escrevem para viver ou produzir arte (tenho uma mulher artista depressiva).
Virei freguês.
Abraços
Carlos R. Diehl

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Pensando bem, sim, várias vezes pensei em vacas na hora da poesia... Quantos já não fizeram isso? Música, telas, literatura, cheias de vacas...