CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

sábado, 13 de dezembro de 2008

FÉRIAS - NOMINAÇÃO IMPLACÁVEL

FONTE: www.xr.pro.br
FONTE: manoel.eti.br

FONTE: canetadeprata.zip.net
FONTE: queirosiana.blogs.sapo.pt
O Huanderson, fã inveterado de Bruno e Marrone, e um dos sujeitos mais belos que conheci, -quando olhado com a mais libertária das chaves e das lentes, a simplicidade (descomplicação)-; me disse certa vez, logo ao início de minha amizade com o micro: “Jorge, eles também precisam de descanso...”. E me ensinou naqueles idos dias dos quais tenho tanta saudade, como é que se “desfragmentava”, uma estratégia tecnológica que dá ao computador certo sossego, através de uma reorganização estrutural em seus arquivos de sistema. Até hoje sou semi-analfabeto em operações com computador, qualquer criança que começar a lidar hoje com um deles, amanhã saberá mais que eu. Mas procuro dominar ao menos o básico, aquilo que me possibilita fazer o que mais gosto e aquilo de que mais preciso... Gosto de navegar atrás de poesia -em sua plenitude, orkut, cinema, esportes, mulheres belas, música, curiosidades, e escrever-, e preciso de fontes de pesquisa para os variados trabalhos nos quais auxilio -tccs, monografias e tals- O Huanderson teria me dito, “'tudo’ precisa de certos momentos de paz, de sossego, para funcionar bem, até 'esse trem aí'”.
Quando Charles Chaplin massacrou um dos meus romancistas favoritos -Somerset Maughan-, (((( pause - quem ainda não assistiu "O despertar de uma paixão", baseado na obra 'O véu pintado' de Maughan, como diz o prof Nolasco, 'saia de fininho', vá na locadora, passe na farmácia e compre lenços descartáveis, e assista... Deus!!! Que interpretações... que filme..." ))))) foi porque o infeliz escritor de “O fio da navalha” ousou dizer que a pobreza tem glamour, tem um conteúdo de felicidade só alcançável aos pobres. Amo Maughan, mas mereceu as “pauladas” que tomou de Chaplin que afirmou “o principal que existe na pobreza é pobreza e vontade de ter uma melhor vida material, portanto mais feliz”. Essa piada que rico conta pra pobre ficar quieto, assim como a religião traz a história de que devemos amar a pobreza porque é chave de Céu, saiba-se, não é coisa engolida pelo geral das pessoas que olham o mundo. Chaplin não só deu uma resposta teórica aguda a Maughan como fez com que todos que amava vivessem um glamour bem diferente do que o dos pobres realizados através de sua arte, a mãe de Chaplin morreu imersa em grande conforto, só para dar o principal exemplo.
Para mim, as férias são um objeto que separa mais definitivamente o rico do pobre. Mas não posso ser injusto com meu passado nem me vestir de auto-piedade, tive até férias gostosas na infância, porque a pobreza diminuia um pouco nesses tempos... Vinha um dinheirinho a mais, e eu tinha uma avó, bem, eu tinha uma AVÓ... Mas meus olhos implacáveis, precoces no olhar poético, percebiam que existia alguma coisa de muito errada no que chamavam de natal em vermelho e branco, e de Férias... De alguma forma eu sabia que passavam açúcar em nossos lábios no caminho para as rabanadas... Meus olhos de menino miserável “liam” que a explicação de Férias, era muito mal apresentada... E de alguma forma eu percebia que aquele ensaio de melancolia em meu coração tinha algo a ver com Karl Marx. Até hoje não sei direito quem foi Karl Marx. Antes desconfiava demais dele, pois só Pol Pot mandou pro saco dois terços da população de seu país com o comunismo, Stálin matou quase toda a intelectualidade russa e vejam na Rússia o que deu o comunismo, e tem tantas outras cositas mas... No entanto, começo a pensar que pode ser bom sujeito de se ler, a partir de Rosana Zanelatto e do Robson... Ele, didático na abordagem diz “Marx diz que...” . Bem, e diz com uma segurança, e com um jeito daquelas pessoas que começam a contar sobre comida de um jeito que quase nos faz correr atrás da dita todo aguados na boca. E Zanelatto, com aquele seu jeito que ninguém tem mesmo, um jeito que agradeço aos céus de ter conhecido, diz “Sim, Jorge, deves ler Karl Marx... ele nos ajuda a compreender melhor o momento histórico em que vivemos, e não só isso... Ele é literatura...”. Um dia eu disse para ela (professora Rosana) que entre tantas coisas que ela me desperta na literatura, me faz lembrar de um guarda, personagem de Verne, que ao ser perguntado pelo especial Lacaio de Fíleas Fogg sobre a fragilidade de uma ponte, respondeu que “é... se quiserem passar... mas podem cair...”. Fíleas perguntou: “qual a nacionalidade dele?”. Fura-Vidas, o lacaio, informou que era estadunidense e Fíleas concluiu, “é, podemos cair...”. Rosana Zanelatto é uma aula constante, principalmente sobre o que mais incomoda na literatura... a liberdade... e dá a aula com total anuência à liberdade de participação, uma real anuência, nada sei de seus pensamentos, mas que a liberdade à qual me refiro é totalmente efetiva, isso é... Benditos os abençoados que puderam dela ter aula ou conhecê-la.
Férias, estou chegando perto de concluir a blogada e não gosto de finais infelizes... E não gosto de mentiras, e blogar é uma coisa filho da puta de “e agora?”... rsss . Mas putz, férias me faz realmente ver o lado mais sacana da humanidade... O cinismo toma proporções gigantescas, o mercado nunca parece tão bonzinho, e afrouxamos tudo em nós até as chuvas e a realidade virem juntas com enchentes para os mais desafortunados e goteiras para os menos desafortunados... Alguns dizem “é um momento de reflexão...”. É, talvez seja isso, como no computador, uma desfragmentação, um momento de sossego, de reordenamento de idéias, de balanço sobre as coisas, férias... férias e papai noel talvez existam para quem não deixa a fé desmoronar ou ser eterna fumaça como entre os poetas que nascem marcados pela melancolia...
Escrita... rsss... ô coisa, quando comecei essa blogada só queria dizer que as férias mostram quem somos, somos momentos... como em final Fantasy... momentos lindos, ou intermináveis momentos a espera de mais momentos lindos, distantes do sacramento chamado realidade... lembra-se do que é sacramento? Eu não lembrava mais, olhei no Aurélio, e o Ferreira 2004 me confirmou "é isso aí mesmo '...' ".
FÉRIAS? MIL RESPOSTAS... UMA? PERÍODO EM QUE A FANTASIA É CAPAZ DE SOBREPUJAR COM MAIOR FORÇA... PERÍODO EM QUE A FANTASIA FAZ COM QUE O HOMEM VOLTE SER MENINO... O FAZ LEMBRAR QUE CONVERSAVA COM ÁRVORES... E QUE VENCIA BATALHAS E BEIJAVA AS PRINCESAS... E QUE AS MULHERES VOLTAM A SER MENINAS... QUANDO AS RISADAS ERAM TÃO MAIS LIVRES E A CERTEZA DE QUE O PRÍNCIPE VIRIA ERA GRANDE...

2 comentários:

Thaís disse...

oi Jorge!

gvolupia disse...

Bom lembrar de certas coisas.
Tiguiliu, grande cara.
Acho que semana que vem vou aparecer por aí meu velho, passagem curta, vou te procurar.
abraços
Gustavo