CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"EU VI COISAS QUE VOCÊS JAMAIS ACREDITARIAM..." (ROY -RUTGER HAUER- EM BLADE RUNNER...

FONTE: blastshieldsdown.blogspot.com
FONTE: octopusg.blogspot.com

FONTE: www.devo.com
FONTE: www.rlslog.net
FONTE: www.virginmedia.com
FONTE: www.aleac.ac.gov.br

Talvez eu tenha magoado um bom amigo. Aliás, o Bira (não é o Bira que magoei) tem movido um exército argumentativo, arrazoado, como sempre, quando se trata do Bira, procurando me convencer que a idéia romântica de amizade vale a pena, que existe amizade. Sinceramente, há muitos anos acredito em amizade o mesmo tanto que em um grande amor, em se tratando de minha percepção de vida.
O amor e a amizade dependem de um exercício formidável, de forças notáveis. Amizades só sobrevivem porque não escapam da miserável regra “a base da sociedade é a mentira”. Quem disse isso? Reny, ou Renny, ou Renné, mas entende-se Reni, personagem central dos filmes dos vocabulários realistas mais ricos que já assisti em minha vida, “O declínio do Império americano” e “Invasões bárbaras”. Entenda-se o que ele quis dizer.
Interpretação,
Oh, sobrevivência da mediocridade sobre as reais chances do humano totalmente humano...
Essa merda, a interpretação, e esse ouro, a interpretação, viram só? Então... é responsável pela magia bonita e pelas desgraças de muitos atos, ações, responsável pela fuga de uns deixarem que outros conduzam seus cérebros, interpretação... Coisa próxima da influência: interpreto, então digo, e eis a influencia, meia dúzia de trouxas acreditam, fazem mais 12, 12 x 77, mil setenta e sete, e pronto... Mas, às vezes não, Interpreto, digo, creio ops, tiremos o creio, digo “acho que”, e uns rebatem, outros abatem, mas não tanto, a idéia sobrevive, gera, contra-atacam, dialética, tese, antítese, síntese, tese... Enfim, adoro a discussão, principalmente quando me provam o contrário e mudo de idéia, ou o reverso disto.
Conversei com o Robson, ele faz Ciências Sociais, é um sujeito que brilha, sim, no primeiro ano (este ano, 2008), ele passou com uma turma; ele com o nariz de palhaço, apito na boca, movimentando-se contra o que chamaram de tirania do poder universitário por outras palavras... Lembro-me quando ele começou a jogar xadrez no velho Íris, era motivo de piada, poucos meses depois, era um “inimigo” desconcertante, mais alguns, entrou para os vinte melhores enxadristas de Campo Grande, confirmado por ranking... e ninguém do cyber mesmo, o vencia, então... Era meu pato, hoje sou o pato dele, comemorei uma vitória em que o distraí em sua paixão por Karl Marx, e ao perder, estendeu a mão e me cumprimentou... Aí pensei “perdi umas vinte para ele nestas semanas e não o cumprimentei uma vez sequer... que merda”.
Mas não foi o Robson que magoei, ele é uma pedra dura nesse sentido, não creio que seja fácil de magoar, e não creio que eu tenha esse poder sobre ele, além do mais, nossas idéias, salvo que sou ultra direita light e ele ultra esquerda light, não rola isso. (observação, não faço a mínima idéia do que seja ultra-direita light, mas sou dela, ok?).
Bem, voltando ao que era para ser o “tema” desta blogada, acho que magoei um amigo que defende a idéia da alma humana como objeto de inveja de andróides... especificamente ele fala de Nexus 6, o Roy... Sabe, acho que somos pretensiosos nisso... Acho que o gafanhoto tem uma alma rudimentar, a formiga, o leão, se for o caso de existir almas... Mas a discussão é contextualizada, é sobre o filme Blade Runner, ele (o amigo que acho que magoei) acha que no último momento do filme, quando Roy, poucos segundos antes de morrer, cita coisas que viu e lamenta que todos os momentos que relatou ficarão perdidos como lágrimas na chuva... faz referência ao caso de ele, um andróide, não poder reter, “levar” nada... pois não é humano... e inveja estes por terem alma; e sendo assim poderão “levar” para a eternidade suas lembranças... E o símbolo seria a pomba que Roy liberta menos de 10 segundos antes de inclinar-se morto... Creio que não é nada disso, creio que Roy sente é o cansaço final, uma angústia sobre “qual é a razão dessa merda toda?”, “qual a razão desta maravilha toda, mas, maravilha fodida de efêmera?” (linguagem do Roy, ok?). O tempo... ele percebeu que 40, 400, 4.000 anos de vida, não fariam tanta diferença quanto pensou que fariam no começo da busca que empreende... Que busca, ele mata até o “pai”, o dono da Tyrell Corporation... Roy percebe ao final o que é que faz a memória humana, o compartilhamento... a interação e intertextualidade, pois tudo é texto... E pai, filho, filho do filho, filho do filho do filho, e escritores e outros artistas, uns pais outros filhos dos outros, vão tecendo a memória da história... Não a alma, isso é um mistério nem abordado no filme, a não ser sutilmente... Mas, tantos grandes, e muito mais eu, pequenino fã, temos condições de desvendar para valer um filme tão especial, principalmente especial porque é aberto o suficiente para ser extremamente fechado... putz... rsss


Mas, o mais importante disso tudo, realmente estimo meu grande amigo, apesar de ele dizer que Saramago é chato e que há coerência textual de alto nível em Stephen King... rsss Bem, mas, como diz o Rone, cada um com seu cada um, prefiro um milhão vezes mil setenta e sete o Saramago.

video
FONTE: Youtube.com , achado por Cunha!

Um comentário:

cinecia disse...

Eu sou o amigo,rsrs,talvez amigos sejam assim mesmo,nos façam discutir,pensar e até la no fundo repensar tudo.Os não amigos é que não discutem,não nos fazem escrever uma crônica,estes que devemos temer! Aquele que sempre esta do nosso lado concordando,como um cordeiro é um veneno,nao nos faz crescer.Ser amigos é apoiar se e discordar,mas nunca querer que o outro mude de idéia,pois se somos amigos,queremos o amigo do jeito que é!
Mesmo que tenha opiniões diferentes .......e Saramago cá entre nos é um chato de galocha!!!!!!!