CAMPO DOS GUAICURUS

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

CREPÚSCULO SOBRE O LEÃO

FONTE: omundodosol.wordpress.com
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Sabemos que a vida é uma soma complexa de coisas. Também não é preciso uma grande reflexão para desconfiarmos o quanto somos pequenos sob as forças que nos construíram e construíram tudo a nossa volta. Sou ateu, afirmarei isso até o segundo final de minha vida. Cuspo nas crenças tolas, mas acredito em Deus, oro, peço coisas, até sorvete de baunilha se me dá na telha. Mas, penso que sou bastante responsável em minhas orações e as confesso aqui. Digo “Deus, em primeiro lugar de tudo, cuida de meu filho, zela-o com os melhores anjos e arcanjos sob tuas ordens, nada deixa acontecer ao meu rapaz, Senhor Deus nem mesmo um milésimo de segundo afrouxe a guarda sobre este a quem amo sobre tudo o que existe no mundo, meu filho é minha luz, o sol que aquece todas as partículas vitais de qualquer coisa de meu universo, é a água que aplaca toda aridez e semente de revolta de qualquer coisa, é sim, meu filho que regula a calma de meu coração perante um mundo que tem muito mais convites para a guerra que para a paz... Senhor. E dá o suficiente para que vivamos, preciso de dinheiro, através de meu trabalho; dê-me. E já que o Senhor parece ter resolvido não me dar mais chances em relação ao amor, ao menos me favorece quando puder, em relação ao sexo, preciso de sexo, Senhor". Creio em Deus. Então que diabo de ateu sou? Sou irreligioso, respeito meus amigos sob religiões, mas isso não me obriga a engolir a enfadonha melodia preganhosa. Sou avesso ao mesmismo, se esse mesmismo não é extremamente necessário. E a auto-ajuda barata, a auto-piedade que cobre a covardia constante, para mim não é necessária, se preciso esconder a covardia, que seja com uma gota de dignidade, ao menos. Para mim a complexidade da vida é uma evidência que não dá chances à contestação alguma. Meus heróis, a partir de Saramago, Nietzsche e Robson (estudante de Ciências Sociais da UFMS), toda vez que abrem a boca, mesmo que seja com a simplicidade espontânea de um caipira verdadeiro (verdadeiro eu disse, e, Robson, claro que não estou te chamando de caipira, nem a Nietzsche, embora isso, de muitos modos, seja honroso), só vem a confirmar isso... A vida é um emaranhado de sonhos mal esclarecidos... Somos uma travessa de gelatinas coloridas, brancas, negras ou cinzas... e nossa regência tem sim chances, mas são parcas, e o avançar do tempo estabelece regras inflexíveis para que mesmo que não queira, mesmo o mais tolo dos homens, meu caso por exemplo, chegue a meia dúzia de reflexões severas mas imbatíveis finalmente. Elas serão os samurais, os anjos, os guardiões da chance de não morrer idiota. Então, que ateu sou eu? Apenas irreligioso, sou mais crente em Deus, penso, às vezes, que muitos que esfregam joelho e vão perfumados aos templos. Combato meu egoísmo, tenho uma língua venenosa, uma língua filha-da-puta, e a combato, procuro realmente amar os amigos a quem confesso amar... Procuro construir um pequeno planeta para me salvar e salvar alguns, mas me compadeço mesmo dos mais filas-da-puta ingratos que me atravessam a picada... Sabe, sou um ateu fajuto... Sou o último moicano de uma tribo cansada que morreu um a um feliz, afogado em melancolia, sou um novo poeta, ainda na casca do ovo... 2010 verá nascer o poeta que esteve por vir desde 1963... Eu, eu me anuncio, e não vou sozinho, e não consigo sozinho, não consigo sem Deus, não consigo sem meu filho e minha mãe, não consigo sem amigos verdadeiros que tenho, mesmo que nesta mesma turma de amigos, tenha uma meia dúzia de cretinos egoístas, não consigo sem professores maravilhosos, que desentortaram em minha mente coisas tortas há mais de três décadas, Professores maravilhosos a quem não posso nominar pois poderia ser injusto e esquecer por infelicidade um nome... apesar de que todos sabem sem segredo que meu espelho perfeito é a Rosana Zanelatto -Literatura-, e que amo a Maria Emília e o Contini, e não por isso acho os outros menores... Sei do risco de me aproximar da pieguice, mas o corro, acho que vale a pena... Vale a pena correr estes riscos tão pequenos, ainda mais que já corri tantos outros e minha vida esteve tão perto de acabar muito mais de uma vez... A morte virá, não sei quando, mas Deus, segura aí, não a mande até que eu escreva realmente todos os livros primários que vão ao forno nos próximos dois anos, e antes de umas dez coisas especiais que quero ver acontecidas... (entre elas, mais livros). Segura-me até os setenta, se possível, ou melhor, um pouco mais... E que coisa melhor ainda que o viagra inspire alguém inventar...
Oh Sol, meu sol, meu Deus, o Deus Sol, todas as manhãs disfarçado de sol, Sou o velho leão, já não mais com todos os dentes, um velho leão melancólico, um tanto sonolento, e lento, meu sol, mas nasci leão, fui leão e montei leoas maravilhosas, fiz um leãozinho tão lindo que acho que sobrou beleza nele, Sol meu sol, disfarçado de Sol, meu Deus, calor a todos, água a todos Senhor, pão a todos, poesia a todos... rock e porcaria musical a todos, Senhor, Lux... Sou um velho leão, Senhor, abençoa-me... Eu rugirei a poesia pois fiz todas as batalhas da aventura e sobrevivi, não é hora de morrer, é hora de escrever, Sol meu sol, Leão eu sou... Leão Sol...

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