CAMPO DOS GUAICURUS

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O ESPÍRITO DE CADA UM, CADA UM...

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DEUS!

DIABO!

Sabe, esses dois, que não sei direito nunca quem são realmente, regem coisas demais, e levam culpa demais por conta de nossa natural covardia transferir responsabilidades.

Bem que tento achar o primeiro de uma forma que gentes de Athenas e sob Príamo fiquem em agrado... Mas... Não consigo.

Há uma linha de escrita, Saramago em parte a adota, que os põe em trato um com o outro para que haja o equilíbrio paradisíaco-infernal chamado Livre Arbítrio (assim mesmo, com maiúsculas)...

O maior pedido que eu teria sobre esses dois seria para não temê-los...

Não quero temer o Diabo, pois creio a ele nada dever, aliás, sou legal com o dito cujo seguindo a linha papiniana (Geovani Papini, escritor italiano), de que é uma divina graça o perdão. E na literatura o respeito como um dos maiores personagens literários de todos os tempos. Se depende de mim, nenhuma casca de alma colocarei na parada, busco o Ser e abuso de certas liberdades, mas  tudo é  de mim e para comigo...

Não temer Deus, pois o considero generoso e grande demais, com uma grandeza capaz de perdoar minhas blasfêmias bobas e pesar positivamente o balanço de meus atos... Não temê-lo pois parece-me que deva ser o supremo Bem...

A VIDA

É curta? Seguramente para a maioria sim...

Será que é isso que nos faz correr tanto e sermos tão ansiosos, tão cada vez mais objetivos, tão mais exigentes da brevidade alheia, cada vez mais distantes um do outro porque dá preguiça ouvir tudo, porque parecemos adivinhar tudo o que o outro vai dizer “logo de cara”, ou porque parece que nada de interessante será revelado no discurso comum, que nos parece cada vez mais enfadonho, cada vez mais sem sentido...

Seja breve! Diga logo o que tem a dizer! Não saia do foco! Seja objetivo... Hoje não tenho tempo! Há, ta, a gente se fala... Qualquer hora passa lá (espero que nunca apareça).

As pessoas estão cada vez mais de braços cruzados perante a questão humana principal –ser próximo, portanto humano- vão como lemingues, alegres, embalados por canções que não pedem uma reflexão maior do que “eu e meu ‘amor’”, irremediavelmente ir em direção a um grande fosso para suicidios alegres, com a tatuagem:  "espírito construído no vazio...".

E o que enche um espírito? Um “ave Maria” e “Pais nossos”? Dízimos? Dinheiro? O que enche um espírito? Aliás, o que é um espírito? Um conjunto perceptivo complexo contido num ser e estar entre geral e particularíssimo? Acho que sim... E se não é isso, parte daí a definição para espírito... Creio...

Graças ao meu estranho Deus, sou poeta. Digo isso cheio de orgulho, pois sou o poeta que quero ser... Me falta cultura, falta-me mais leitura e mais sabedoria, faltam-me pessoas junto de mim, falta-me uma mulher que me faça feliz como homem para mulher, simplesmente, falta-me uma mulher que seja o complemento vital e espiritual, faltam-me mais amigos com mais tempo e paciência, tenho alguns... Falta-me um ganha-pão “sério”, faltam-me tantas coisas; errei tanto e por isso, principalmente, me faltam essas coisas... Mas, sinto-me tão humano, tão Jorge, cada vez mais Jorge Rodrigues, sem perder o Dante Sempiterno... 

Se cada vez mais triste, é porque cada vez mais sábio; se sabemos, sabemos que há tanto distanciamento entre homens e homens, e entre homens e Deus... Não o deus patético que os mercenários de púlpitos e homens tele-shows vêm miseravelmente fazendo, sim um Deus integrado em um ser constante e ordenado no de que melhor pode oferecer a fantástica Ordem...

Contudo, sou feliz porque sou triste, porque sou poeta, mesmo com tudo que me falta... Sou um poeta, não um bordador de palavrinhas, frasezinhas, coisinhas bonitinhas... Também às faço, às vezes, até sem querer, mas não me são, e não as sou, sou poeta, melancólico, maravilhosamente triste, maravilhosamente fiel a um mim, tão mim que não adianta vir nem mesmo à janela...

Jorge Rodrigues...

Um comentário:

zanelsan disse...

Jorge, passei os olhos por seus textos e me achei, achei o Edgar, a D. Maria Emília e o Contini. Me achei não somente como nome e como referência especular (se você soubesse como tenho medo disso...), mas também com as falas de Roy, de Blade Runner: o que estes olhos viram talvez nenhum outro ser tenha visto. O que os olhos de cada um vêem nenhum outro ser há de ver. Falas humanas, desgraçadamente humanas, na voz de uma criatura... Abraços, Profa. Rosana.