CAMPO DOS GUAICURUS

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domingo, 19 de outubro de 2008

ESCOLA JOAQUIM MURTINHO CAMPO GRANDE MS

FONTE: domingosfaria.vimacopia.com
SÍSIFO. FONTE: www.viciadosemlivros.com.br

SALA NA ESCOLA JOAQUIM MURTINHO. FONTE: www.costaricanet.com.br/.../1127734444enem.jpg

Ana, fonte, Orkut dela, autorizado pela titular da conta.

Escolho minhas aulas como professor substituto na Escola Joaquim Murtinho, para retorno às blogadas. Atingirei 100 blogadas, estou com oitenta até aqui (sem contar com essa).
Quero ter certa variedade de forma de escrita, este blog sempiterno serviu ao teste de uma escrita imediata, sem maiores revisões, a não ser em alguns casos que pediram mais atenção. Mesmo assim, a revisão foi um trabalho breve e junto ao término da escrita.
Bem, vamos lá.
Meu professor de Literatura II, Edgar Nolasco, vez ou outra nos alerta para que não deixemos de analisar o conteúdo literário através de um prisma constituído de presente, pois ele e não o passado ou futuro é que com sua existência cultural dá um valor atual aos resultados de crítica. E isso pode valer para um julgamento vital e não literário, pois a cultura, tanto na literatura como na vida são, se não regentes, elementos principais no destino do homem.
Na UFMS, numa roda de amigos que compõe corpo e colaboradores das movimentações político-acadêmicas, o Shogun me corrigiu (com a costumeira elegância) quando eu disse “pichadores” : “Dante, dizemos ‘grafiteiros’”. E explicou os porquês que envolvem a escolha lingüística adequada. Entre estes porquês, um fato de que o grafiteiro é na realidade um artista que pratica suas habilidades com a construção de imagens, sob autorização do dono do muro, parede ou superfície outra que sirva para a impressão das idéias... E de alguma forma eu vinha já há certo tempo, por conta de leituras e conversas sobre mudanças comportamentais, mais flexível sobre certos novos modelos comportamentais em geral. Confesso que ainda falta muito, pena... Sinceramente gostaria de ser mais complacente, mais aberto, verdadeiramente, em mim, em meus pensamentos e não apenas para saciar expectativas alheias, no que se refere a aceitar posturas e atitudes culturais anárquicas (aqui a palavra ‘anárquicas’ não representa meramente o que dela se entende no geral), anárquicas como uma nova força geradora e constituinte de arte.
Topei com um Joaquim Murtinho mais imponente, dos tempos em que o vira de perto, há muito mais de uma década... Fui avançando e a arte sob forma de grafite (nem mesmo sei se esse é o termo correto), ao ser “lido” por mim, ia a meu espírito gerando espanto... Não quero aqui ser um construtor crítico sobre o caráter administrativo, caso isso escape, atesto que não é intencional. Não que a escola não mereça uma varredura crítica nesse aspecto, mas aqui não é o momento e local adequado, e muito mais, não sou o sujeito autorizado e ideal para fazer isso. O que quero é mais trabalhar minhas impressões emocionais gerais, como futuro professor de Letras. Lentamente, como se aproximasse de um gigantesco tigre dentes-de-sabre adormecido, olhava cada detalhe... Sabia que aquele tigre despertaria às 13:00 hs e não tinha a mínima idéia de como me trataria... Não sabia como seriam os professores, alunos, administração, instalações físicas internas...
O que ocorreu a partir do final do trecho de escadas que me levou ao 1º andar, trouxe lembranças de Saramago quando conta como surgem pessoas que nos apóiam em momentos em que nos sentimos um tanto aflitos, inseguros ou até com medo... E eu tinha medo sabendo que não tinha do que ter medo, sentia receio sabendo que não tinha nada do que recear... Acho que o medo era do tempo, da constatação de uma pré-morte (não que isso seja de todo ruim, "sou um animal sentimental" -Renato), de um "estar fora da vida", pois meu aparelho leitor ali estava estranhamente tomado de insegurança... Uma zeladora de limpeza me socorreu em tudo, lamento não conseguir lembrar-lhe o nome, sou péssimo em lembrar nomes, mas lembro com nitidez da naturalidade com que prestou informações e orientações úteis... Consegui através dela as condições materiais iniciais (giz, buchinha de apagar), e também com essa gentil pessoa obtive uma bússola psicológica sobre as turmas que seriam alvo de minhas instruções. Eu me preparara razoavelmente para a aula de filosofia (matéria que daria), mas não foi o suficiente, considero que falhei, principalmente com o 2º ano... Eles me deram atenção, deram crédito até maior que o 1º, mas por algum motivo (o qual fico pasmo de até agora não conseguir isolar adequadamente) perdi a oportunidade de mantê-los focados no conteúdo e em minhas intenções de passá-lo. De todo não foi ruim, sei que alguns captaram o que de mais importante deveria ser passado... Dei-me melhor com a turma com a qual iniciei mal, e sobre a qual tive que ser disciplinarmente mais enérgico, o 1º ano (abri as portas para duas garotas levarem tereré e tricô à fora). Felizmente elas ponderaram e acabaram por reverter a situação passando a destaque positivo nas tarefas imediatas. Uma outra aluna, fora desta questão, do tipo compenetrada, me adicionou no Orkut e mandou isso aqui: “Que bom prof° também gostei muiito do senhor adoreiii ter sua aula acheiii muito
interessante .....de verdade mexmu pq o senhor ñ da lah no JM achu q a escola tah precisandu de pessoal como vc para tornar o mundo melhor....ty adoro Bom final de semana
p/ vc bJOSSSSSSSS :D”
(SIC). Logicamente isso me causou alegria... E mais ainda que ela achou no Youtube uma construção de "O Menestrel", que eu lera na sala, e também colocou no Orkut.
Mas a síntese final é que houve um impasse em meu coração, não consegui ainda fazer o balanço que quero realmente fazer de minha ida ao Joaquim Murtinho como professor substituto em Filosofia... E como ser humano geral. Mas farei isso e voltarei aqui para blogar novamente sobre o assunto, nem que seja após outras blogadas menos confusas...
Márcia, Walterley, colegas do Curso de Letras, obrigado pela confiança e amizade que em mim depositaram, sei que gostam de mim com o mesmo respeito e admiração que gosto de vocês... Obrigado por terem me proporcionado o momento tão importante que tive... Obrigado ao Rubens e à professora Maria José pela confiança em mim depositada. Foi minha estréia... E apesar de até agora eu não ter compreendido tudo bem, sei que foi positivo, foi bom... Valeu!!!

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