CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

sábado, 25 de outubro de 2008

QUEM NÃO LÊ A PARTIR DE DERRIDA, É LEITOR MEDÍOCRE...

FONTE: www.sjtalha.net
FONTE: musicaterra.com.br (http://musica.terra.com.br/interna/0,,OI3020593-EI1267,00.html).
FONTE: www.smh.com.au
FONTE: profile.myspace.com
FONTE: www.theage.com.au

Levei 45 anos para descobrir que sou medíocre. Lógico, muito antes disso fiz semelhante descoberta em outras formas. Mas desta vez ouvi de um de meus professores de Letras. Na verdade ele não apontou para mim e disse "você é medíocre!". Ele disse, para toda a turma, mais ou menos que hoje quem não faz leitura sob influência de Derrida (acho que foi isso) é um leitor medíocre. Bem, leio desde os doze anos, já escrevi um camalhaço de coisas, entre estas, muita poesia e um romance, além de ter iniciado vários outros (e se eu não morrer ou ficar realmente fodido -impedido total- antes dos 60, terminarei tudo que está em andamento e rascunho). Mas, sinceramente acho que ele tem algo de razão. Esse professor da acusação é um sujeito dedicado, é inteligente, não é medíocre, ele lê Derrida, lembram? Pois bem, espero que ele realmente revise um de meus romances no ano vindouro, um em que trato do que acho que realmente aconteceu -mundo da ficção- entre Lúcifer e Deus. Vou ler Derrida, e alguns outros que ele recomenda, muito pouco de Clarice, acho Clarice e Drumond meio insuportáveis... Minha ignorância, digo mediocridade, me autoriza a isto. Bem, estou precisando de um pouco de "Sex/Pistols", de "Clash", de Renato Russo/Legião, de Beethoven -esquecendo que Beethoven é Beethoven-, mas principalmente de Sex/Pistols e Morrison... preciso limpar esta pseudointelectualização que tenta tomar conta de mim... Não sei de nada, isso sei, só não sabia até ontem que tinha mais essa especial mediocridade, não li Derrida... Mas, acho que hoje mesmo ou amanhã, depois que ver uma antiga foto da Xuxa, vou ler Derrida... Com minha mediocridade, claro...


Olha só o que se diz em Pretty Vacant:

Bonito DesocupadoNão há lucro em perguntar , você não replicaráOh, apenas se lembre, eu não decidoEu não tenho razão, é demaisVocê sempre nos encontrará "fora para o almoço" Oh, nós somos tão bonitosOh, tão bonitos, nós somos desocupadosOh, nós somos tão bonitos, nós somos desocupadosOh, tão bonitosUm desocupado Não nos peça para atender por não estamos nem aíOh, não finja porque eu não me importoEu não acredito em ilusões porque muita coisa é realEntão pare, você é um crítico barato porque nós sabemos o que sentimos Oh, nós somos tão bonitosOh, tão bonitos, nós somos desocupadosOh, nós somos tão bonitosOh, tão bonitos, nós somos desocupadosAh, mas agora não nos importamos Não há lucro em perguntar , você não replicaráOh, apenas se lembre, eu não decidoEu não tenho razão, é demaisVocê sempre me encontrará “fora para o almoço”,Nós estamos “fora para almoço” Oh, nós somos tão bonitosOh, tão bonitos, nós somos desocupadosOh, nós somos tão bonitosOh, tão bonitos, nós somos desocupados Oh, nós somos tão bonitosOh, tão bonitos, ahMas agora não nos importamos Nós somos bonitosUm bonito desocupadoNós somos bonitosUm bonito desocupadoNós somos bonitosUm bonito desocupadoNós somos bonitosUm bonito desocupado E não nos importamos (FONTE: http://letras.terra.com.br/sex-pistols/99691/).


video
FONTE: YOUTUBE

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O ESPÍRITO DE CADA UM, CADA UM...

FONTE: novoscomecos.blogspot.com
FONTE: www.teclasap.com.br
FONTE: orum.motonline.pt
FONTE: rzot.spaces.live.com
FONTE: alemmarpeixevoador.blogspot.com

DEUS!

DIABO!

Sabe, esses dois, que não sei direito nunca quem são realmente, regem coisas demais, e levam culpa demais por conta de nossa natural covardia transferir responsabilidades.

Bem que tento achar o primeiro de uma forma que gentes de Athenas e sob Príamo fiquem em agrado... Mas... Não consigo.

Há uma linha de escrita, Saramago em parte a adota, que os põe em trato um com o outro para que haja o equilíbrio paradisíaco-infernal chamado Livre Arbítrio (assim mesmo, com maiúsculas)...

O maior pedido que eu teria sobre esses dois seria para não temê-los...

Não quero temer o Diabo, pois creio a ele nada dever, aliás, sou legal com o dito cujo seguindo a linha papiniana (Geovani Papini, escritor italiano), de que é uma divina graça o perdão. E na literatura o respeito como um dos maiores personagens literários de todos os tempos. Se depende de mim, nenhuma casca de alma colocarei na parada, busco o Ser e abuso de certas liberdades, mas  tudo é  de mim e para comigo...

Não temer Deus, pois o considero generoso e grande demais, com uma grandeza capaz de perdoar minhas blasfêmias bobas e pesar positivamente o balanço de meus atos... Não temê-lo pois parece-me que deva ser o supremo Bem...

A VIDA

É curta? Seguramente para a maioria sim...

Será que é isso que nos faz correr tanto e sermos tão ansiosos, tão cada vez mais objetivos, tão mais exigentes da brevidade alheia, cada vez mais distantes um do outro porque dá preguiça ouvir tudo, porque parecemos adivinhar tudo o que o outro vai dizer “logo de cara”, ou porque parece que nada de interessante será revelado no discurso comum, que nos parece cada vez mais enfadonho, cada vez mais sem sentido...

Seja breve! Diga logo o que tem a dizer! Não saia do foco! Seja objetivo... Hoje não tenho tempo! Há, ta, a gente se fala... Qualquer hora passa lá (espero que nunca apareça).

As pessoas estão cada vez mais de braços cruzados perante a questão humana principal –ser próximo, portanto humano- vão como lemingues, alegres, embalados por canções que não pedem uma reflexão maior do que “eu e meu ‘amor’”, irremediavelmente ir em direção a um grande fosso para suicidios alegres, com a tatuagem:  "espírito construído no vazio...".

E o que enche um espírito? Um “ave Maria” e “Pais nossos”? Dízimos? Dinheiro? O que enche um espírito? Aliás, o que é um espírito? Um conjunto perceptivo complexo contido num ser e estar entre geral e particularíssimo? Acho que sim... E se não é isso, parte daí a definição para espírito... Creio...

Graças ao meu estranho Deus, sou poeta. Digo isso cheio de orgulho, pois sou o poeta que quero ser... Me falta cultura, falta-me mais leitura e mais sabedoria, faltam-me pessoas junto de mim, falta-me uma mulher que me faça feliz como homem para mulher, simplesmente, falta-me uma mulher que seja o complemento vital e espiritual, faltam-me mais amigos com mais tempo e paciência, tenho alguns... Falta-me um ganha-pão “sério”, faltam-me tantas coisas; errei tanto e por isso, principalmente, me faltam essas coisas... Mas, sinto-me tão humano, tão Jorge, cada vez mais Jorge Rodrigues, sem perder o Dante Sempiterno... 

Se cada vez mais triste, é porque cada vez mais sábio; se sabemos, sabemos que há tanto distanciamento entre homens e homens, e entre homens e Deus... Não o deus patético que os mercenários de púlpitos e homens tele-shows vêm miseravelmente fazendo, sim um Deus integrado em um ser constante e ordenado no de que melhor pode oferecer a fantástica Ordem...

Contudo, sou feliz porque sou triste, porque sou poeta, mesmo com tudo que me falta... Sou um poeta, não um bordador de palavrinhas, frasezinhas, coisinhas bonitinhas... Também às faço, às vezes, até sem querer, mas não me são, e não as sou, sou poeta, melancólico, maravilhosamente triste, maravilhosamente fiel a um mim, tão mim que não adianta vir nem mesmo à janela...

Jorge Rodrigues...

domingo, 19 de outubro de 2008

ESCOLA JOAQUIM MURTINHO CAMPO GRANDE MS

FONTE: domingosfaria.vimacopia.com
SÍSIFO. FONTE: www.viciadosemlivros.com.br

SALA NA ESCOLA JOAQUIM MURTINHO. FONTE: www.costaricanet.com.br/.../1127734444enem.jpg

Ana, fonte, Orkut dela, autorizado pela titular da conta.

Escolho minhas aulas como professor substituto na Escola Joaquim Murtinho, para retorno às blogadas. Atingirei 100 blogadas, estou com oitenta até aqui (sem contar com essa).
Quero ter certa variedade de forma de escrita, este blog sempiterno serviu ao teste de uma escrita imediata, sem maiores revisões, a não ser em alguns casos que pediram mais atenção. Mesmo assim, a revisão foi um trabalho breve e junto ao término da escrita.
Bem, vamos lá.
Meu professor de Literatura II, Edgar Nolasco, vez ou outra nos alerta para que não deixemos de analisar o conteúdo literário através de um prisma constituído de presente, pois ele e não o passado ou futuro é que com sua existência cultural dá um valor atual aos resultados de crítica. E isso pode valer para um julgamento vital e não literário, pois a cultura, tanto na literatura como na vida são, se não regentes, elementos principais no destino do homem.
Na UFMS, numa roda de amigos que compõe corpo e colaboradores das movimentações político-acadêmicas, o Shogun me corrigiu (com a costumeira elegância) quando eu disse “pichadores” : “Dante, dizemos ‘grafiteiros’”. E explicou os porquês que envolvem a escolha lingüística adequada. Entre estes porquês, um fato de que o grafiteiro é na realidade um artista que pratica suas habilidades com a construção de imagens, sob autorização do dono do muro, parede ou superfície outra que sirva para a impressão das idéias... E de alguma forma eu vinha já há certo tempo, por conta de leituras e conversas sobre mudanças comportamentais, mais flexível sobre certos novos modelos comportamentais em geral. Confesso que ainda falta muito, pena... Sinceramente gostaria de ser mais complacente, mais aberto, verdadeiramente, em mim, em meus pensamentos e não apenas para saciar expectativas alheias, no que se refere a aceitar posturas e atitudes culturais anárquicas (aqui a palavra ‘anárquicas’ não representa meramente o que dela se entende no geral), anárquicas como uma nova força geradora e constituinte de arte.
Topei com um Joaquim Murtinho mais imponente, dos tempos em que o vira de perto, há muito mais de uma década... Fui avançando e a arte sob forma de grafite (nem mesmo sei se esse é o termo correto), ao ser “lido” por mim, ia a meu espírito gerando espanto... Não quero aqui ser um construtor crítico sobre o caráter administrativo, caso isso escape, atesto que não é intencional. Não que a escola não mereça uma varredura crítica nesse aspecto, mas aqui não é o momento e local adequado, e muito mais, não sou o sujeito autorizado e ideal para fazer isso. O que quero é mais trabalhar minhas impressões emocionais gerais, como futuro professor de Letras. Lentamente, como se aproximasse de um gigantesco tigre dentes-de-sabre adormecido, olhava cada detalhe... Sabia que aquele tigre despertaria às 13:00 hs e não tinha a mínima idéia de como me trataria... Não sabia como seriam os professores, alunos, administração, instalações físicas internas...
O que ocorreu a partir do final do trecho de escadas que me levou ao 1º andar, trouxe lembranças de Saramago quando conta como surgem pessoas que nos apóiam em momentos em que nos sentimos um tanto aflitos, inseguros ou até com medo... E eu tinha medo sabendo que não tinha do que ter medo, sentia receio sabendo que não tinha nada do que recear... Acho que o medo era do tempo, da constatação de uma pré-morte (não que isso seja de todo ruim, "sou um animal sentimental" -Renato), de um "estar fora da vida", pois meu aparelho leitor ali estava estranhamente tomado de insegurança... Uma zeladora de limpeza me socorreu em tudo, lamento não conseguir lembrar-lhe o nome, sou péssimo em lembrar nomes, mas lembro com nitidez da naturalidade com que prestou informações e orientações úteis... Consegui através dela as condições materiais iniciais (giz, buchinha de apagar), e também com essa gentil pessoa obtive uma bússola psicológica sobre as turmas que seriam alvo de minhas instruções. Eu me preparara razoavelmente para a aula de filosofia (matéria que daria), mas não foi o suficiente, considero que falhei, principalmente com o 2º ano... Eles me deram atenção, deram crédito até maior que o 1º, mas por algum motivo (o qual fico pasmo de até agora não conseguir isolar adequadamente) perdi a oportunidade de mantê-los focados no conteúdo e em minhas intenções de passá-lo. De todo não foi ruim, sei que alguns captaram o que de mais importante deveria ser passado... Dei-me melhor com a turma com a qual iniciei mal, e sobre a qual tive que ser disciplinarmente mais enérgico, o 1º ano (abri as portas para duas garotas levarem tereré e tricô à fora). Felizmente elas ponderaram e acabaram por reverter a situação passando a destaque positivo nas tarefas imediatas. Uma outra aluna, fora desta questão, do tipo compenetrada, me adicionou no Orkut e mandou isso aqui: “Que bom prof° também gostei muiito do senhor adoreiii ter sua aula acheiii muito
interessante .....de verdade mexmu pq o senhor ñ da lah no JM achu q a escola tah precisandu de pessoal como vc para tornar o mundo melhor....ty adoro Bom final de semana
p/ vc bJOSSSSSSSS :D”
(SIC). Logicamente isso me causou alegria... E mais ainda que ela achou no Youtube uma construção de "O Menestrel", que eu lera na sala, e também colocou no Orkut.
Mas a síntese final é que houve um impasse em meu coração, não consegui ainda fazer o balanço que quero realmente fazer de minha ida ao Joaquim Murtinho como professor substituto em Filosofia... E como ser humano geral. Mas farei isso e voltarei aqui para blogar novamente sobre o assunto, nem que seja após outras blogadas menos confusas...
Márcia, Walterley, colegas do Curso de Letras, obrigado pela confiança e amizade que em mim depositaram, sei que gostam de mim com o mesmo respeito e admiração que gosto de vocês... Obrigado por terem me proporcionado o momento tão importante que tive... Obrigado ao Rubens e à professora Maria José pela confiança em mim depositada. Foi minha estréia... E apesar de até agora eu não ter compreendido tudo bem, sei que foi positivo, foi bom... Valeu!!!