CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

domingo, 7 de setembro de 2008

ASSIM DISSE O PROF DR GENÉSIO: "A riqueza de um país é também feita de produção cultural e intelectual!".

 Antiga banda Stúdio 89 (Bira Brothers) . Fonte: Google Imagens.
Blues... Fonte da imagem: ciadeorquestracaocenica.zip.net

"Que o tempo não afunde na indiferença" (J. Ostemberg) Fonte da imagem: ciadeorquestracaocenica.zip.net

Pássaro Pintor. Fonte: Busca de imagens Google.

Não sei se é de Monteiro Lobato ou de um senador estadunidense (no entrevero que faço de obras e leitores que leio...) a frase...; sei que não foi de Mário Puzo, e nem de Paulo Coelho, aos quens tenho simpatia pelo desprezo que deram a quem tentou desincentiva-los. Apesar de que de PC li apenas “Brida”, a grande custo, e nunca senti vontade de reler, ou dele ler outro livro, mesmo com todo esforço de amigos com sinceros argumentos, nem com a alforria multi-cultural, ou novíssimas abordagens literárias. Voltando... a frase em questão é: “...infelizmente não adianta muito o desprezo que tens por política, pois serás sempre governado por ela”.
É... Ando pensando em política e arte novamente... terrível, impossível associação verdadeira...

Independente do resultado artístico de uma banda chamada Studio 89, amo um sujeito chamado Ubiratan. Amo-o porque todos os poucos que realmente me conhecem sabem o que considero amor. Uma proposta circunstancial, que deve ser mantida, sim, por cuidados, como mantermos uma roseira do Pequeno Príncipe, ou uma Ferrari, ou um jogo de bolinhas de gude –os que são do tempo “de” sabem do que digo-, ou um conjunto de vinil com Tim Maia, Chico, R. Russo, Pink Floyd, BTO, Beatles e vai... Antes que haja uma sanha gay (e chamo de sanha gay a cretinice sempre pronta a arruinar o que seja gay ou não gay e todas as reais chances de um convívio humano harmônico) previno que meu amor pelo Bira é parecido ao que tenho pelo meu pai, meu filho, e por outros amigos. A propósito, o Bira tem em sua biografia namoradas maravilhosas e atualmente está em pleno amor com uma linda morena; acho que acaba em casório e mais Biras.


Não creio que seja fácil provar que o amor não é circunstancial, a não ser que seja aquele amor dos loucos. E ainda não estou nem quero ficar mais louco do que o sou em relação à arte ou exercícios de imaginação. Se bem que sou obrigado a concordar, amar é ser um pouco louco, quer se queira ou não, mas isso é outra loucura, quando o tal amor é sano, se pode...

Mas em se tratando do amor fraterno... De irmãos... O Bira (Ubiratan – na casa dele tem mais Biras) me trouxe o Alessandro (Russo) que trouxe a idéia de apoiar alguém para vereador...

Harold Bloom diz que ao artista pleno, ao escritor pleno, é prudente o distanciamento de políticos. E há muitos outros artistas –Ivan Lins, por exemplo- que são ainda mais radicais na consideração sobre políticos.

Mas na prática das mudanças para um mundo melhor, se arregaçarmos mangas, não creio que em determinados momentos não tenhamos, e possamos, esbarrar na dependência de um político que defenda com sinceridade as idéias e atos (também sinceros) que movemos em razão de buscar mais Humanidade para a humanidade.



Tenho pensado nessa difícil busca (muitos dizem que impossível) de conseguir apoio constante de um político interessado/desinteressado...


Vale lembrar um trecho de reportagem feita com o professor doutor Genésio, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, na ocasião em que fez uma vernissage.


Jorge: Um crítico francês, já falecido, mas bastante atual em seus posicionamentos sobre arte (Maurice Blanchot), parece dizer que para música e pintura, mais que para ler, é preciso ter dons. O que o senhor acha sobre isso?
Prof. Dr. Genésio: Creio que algumas pessoas nascem com certas inclinações, certas qualidades. Mas o meio onde nasce, vive, cresce pode favorecer o desenvolvimento de uma habilidade para música, desenho, escultura. Ou pode impedir esse desenvolvimento.
Como eu disse no discurso da abertura da exposição, é muito importante um contexto para que a pessoa se desenvolva como músico, compositor, escritor, carpinteiro, escultor. Se há valorização da produção artística ou cultural no meio em que ele vive, críticos, pessoas envolvidas, troca de idéias - então ele pode se desenvolver.
Acho que todos têm potenciais a serem desenvolvidos em relação à música, pintura, escrita. Porém, nem todos têm as mesmas condições e intensidade de busca e aplicação. Mas há busca de outros objetivos, financeiro, por exemplo. Em resumo, você pode nascer com propensão, ou “dom”, como gostam de chamar alguns. No entanto o meio funciona como propulsor ou impedimento ao desenvolvimento de talentos. Logicamente há exceções, gente capaz de vencer todas as adversidades e atingir o status de “gênio”, se é que isso existe. Acredito na existência de grandes músicos, que não se tornaram grandes músicos, ficaram apenas no campo da potencialidade.
Lembro-me de uma ocasião, há 25 anos, que, ao comprar um vinil, observei na contracapa o apontamento de umas 8 ou 10 cidades na região da Alemanha ou Áustria, não me recordo com exatidão... Mas o que me chamou a atenção é que em tais cidades, presentes num raio de 80 ou 100 km, mais ou menos, tinham nascido e se formado os maiores músicos da música erudita. Dava-se como causa desse “milagre” ou fantástica coincidência o fato de, nessa região, existir o maior número de escolinhas de música, professores, demanda por boa música... Salões, conservatórios, etc. Esse contexto é que ocasionou essa magnífica ocorrência.
Penso que a riqueza do país são bois, agricultura, produção mineral, mas, não só isso. De maneira alguma. A riqueza de um país é também feita de produção cultural e intelectual. E essa riqueza é que pode formar um Estado saudável, uma boa reputação para o governo que promove arte de boa qualidade através da criação de espaços, promoção de eventos, e distribuição democrática de tudo isso. O envolvimento dos jovens com a arte pode evitar o desvio para utilização de drogas e de álcool. Isso é um grande problema das famílias hoje. Ninguém fica sem sentido para a vida. Sem outras opções para dar sentido a sua vida, o jovem cai na busca de sensações que proporcionem prazer ou alívio das angústias da adolescência. O envolvimento artístico também pode ajudar a tirar muitos jovens do caminho do crime. Creio que ela dá desejos de coisas boas, de criar.

Um comentário:

Bípedes disse...

Salve,salve meu caro amigo virtual. Eu aqui em palavras para lhe dizer que o tão falado AMOR talvez seja circunstância momentânea de felicidade seguida da mais pura realidade.

Um abraço!