CAMPO DOS GUAICURUS

CAMPO DOS GUAICURUS

sábado, 9 de agosto de 2008

O ESTIGMA ESTÁ DO LADO BRANCO DA FORÇA

FONTE: www.bednarik.net

FONTE: trequita.blogspot.com

FONTE: www.trulylovable.com


FONTE: veronicacunha.spaces.live.com

Uns beltranos, alguns cicranos, e até Fulanos, já disseram que a morte, no início, é como uma viagem alucinante por um túnel onde vemos flashes de toda a nossa vida. Não me lembro de ter visto esclarecido como é a viagem pelo túnel, se voamos como um homem-bala, se é um estado de flutuação em direção ao fim do túnel, se é caminhando... Outros disseram que é como uma queda (o que é mais assustador). Estou escrevendo um livro sobre Lúcifer, seus anjos revoltosos, seus motivos de encrencar-se com quem lhe deu vida, luz, alto posto e missões... Constantemente deparo-me com estados de queda e vôos, e também suspensões fantásticas... É uma sensação gostosa imaginar que voamos ou caímos uma queda longa... sem pensar muito no que vai dar o final... se nos esborracharemos, cairemos num tribunal celeste, ou continuaremos noutro tipo de queda ou ainda reverteremos heroicamente a situação, partindo para uma ascensão... Admiro o vôo dos condores, de várias outras aves de vôo lento... Quando eu acreditava que havia times locais que valiam a pena serem assistidos (futebol), ia ao estádio... E aos jogadores descambarem para um costumeiro pouco futebol e excessiva virilidade desprovida de técnicas, ou o jogo amornar num clima “isso aqui é um pega-trouxa”, ficava olhando o flanar aéreo de aves de arco aberto, com penas brancas nas extremidades de cada asa. Um espetáculo, combinado com o efeito dos refletores...
Quando era pequeno, quase me matei quebrando-me todo, e quase matei ao meu maravilhoso (mesmo) pai, por um ataque de coração... Quedei-me num poço de 7 metros... (meio metro é por conta de toda mentira que pede qualquer conto, na realidade eram 6,5 mts, ok?). Parti o fêmur em dois, e tive generalizadas escoriações. Além da paparicação que veio após a queda e recomposição, lembro de um efêmero prazer... cair... e sobreviver...
Quando fui preso após um tiroteio com a Polícia Federal (nos jornais saiu assim, “...tiroteio, e o tenente baleia na mão um federal...”, como se eu fosse um John Wayne às avessas) senti um outro tipo de queda, a queda infernal... E olha, na realidade foi apenas uma prisão comum e bem executada, até certo ponto; e o tiro na mão do federal foi realmente um acidente que só eles sabem explicar, um evento que lhes pertence. A partir daqueles segundos em que eu estava prostrado no asfalto quente, algemado, respirando uma poeira amarela, pude sentir de muito próximo o que significa “cair”, no sentido luciferiano. Ocorre o estabelecimento social de uma forte distinção, uma bipolaridade sem concessões a espaços entre pólos, ou és demônio, ou és anjo... É como se a sociedade, ali representada formalmente te dissesse, “Se és demônio, se caminhas entre os frios e inverso-luares, esqueça dos dias sob o sol dos reinos celestiais... Ou uma coisa, ou outra..., e creia, muita coisa morre para sempre hoje!”. Incrível, o quanto o homem é mero verme escravo da paixão... (não explicarei o que é um homem e qual sua diferença do tipo de homem aos quais se dirigiu Charles ao dizer: “és homem, não máquina”)... Sob aquele sol de princípio de fim de tarde, próxima do inverno sulista, no que pensei principalmente? No final da carreira? Na vergonha perante os familiares? Na traição (aí no caso a palavra pode ser aplicada) aos coronéis Cícero e Walmir e seus valores? No principal, no marco indesejável numa biografia de pai? Pensei nas conseqüências materiais? Nas ruínas óbvias que viriam de todo lado? Não!... ...Pensei “e agora? agora é que poderei perdê-la... ela ficará com alguém? me trairá...? ” (E a traição passional é uma inexistência, se vasculharmos muito bem o que é sua essência; ela é tão inexistente quando o que chamam de intelectualidade, no geral). Cair... quando caí no que revelei há pouco, comecei uma nova compreensão de várias coisas... Agradeço a Deus por não ter passado nem perto da propensão de segurar uma bíblia e transformá-la em instrumento de cegueira e tolices, agradeço a Deus por não ter caído na cilada de religiosos fajutos ou de auto-ajuda melosa. Compreendo que ter me entregado para uma dessas duas opções me dariam melhores conseqüências no campo material, mas eu estaria morto desde 1997.
Ontem uma garota perfeita de minha sala disse “verdadeiro amor”, ela é evangélica e tem um namoro que sob o ponto de vista geral é considerado perfeito. Sabe, aquilo me proporcionou um grande gozo em perceber que não é a felicidade, e muito menos a perfeição, e muito menos ainda um namoro belo o que quero. Sim, porque se quisesse isso estaria em maus lençóis, em breve estaria internado via SUS, não agüentaria a pressão em compreender com meus confusos pontos de vista o mundo e ao mesmo tempo levar um namoro dourado e anti-séptico adiante... E pior, onde e como eu conseguiria uma namorada perfeita, com consentimento de pais e tudo, com a idade e situação em que vivo?
Eu vejo claramente o que as pessoas perfeitas fazem, vejo tudo, assim como elas me vêem em minhas imperfeições. Eu vejo como as pessoas perfeitas administram suas perfeições... Vejo como interpretam as lições cristãs de bondade, vejo como interpretam determinados atos de Jesus Cristo, vejo porque perfeitamente poriam de lado Giovani Papini... Sim, eu vejo.
Facilmente, uma pessoa que tenha o mínimo de senso analítico psicológico detectará em mim amargura, revolta, muita tristeza, solidão, descrença, descréditos, desânimo, e muito mais... Aliás, é tão “barbada” que nem precisa de uma lupa tão apurada... Mas, se uma pessoa tiver uma alma embebida em fina sabedoria, e partículas divinais desprovidas de cretinice, hipocrisia, de tolices baseadas num cristianismo funcional, barato, vendido e tolo, e também não em tola proposta de auto-ajuda, bem, aconselho-a que venha até mim, estou em construção contínua e contínuo recomeço, e não haverá portões ou grades, ou muros ou cercas entre nós... Há apenas nudez, e não a tola nudez que vem inicialmente às mentes marciais, digo nudez em seu sentido mais profundo, assim como digo virgem também no sentido mais profundo... Além da tola compreensão do que seja algo virginal, há uma proposta de contínua construção de nós mesmo para estarmos sempre em frescor e realmente preparados para estender mão, coração, braços, alma... uma nota de 50, a dar tudo que for possível em favor de redenções e irmandade plena... Sabe, gosto do barro, vim dele e a a ele voltarei, amo as chamas, elas me curam, amo a água, ela me tonifica e põe de volta ao mundo... Mas, sobretudo, após amar um filho com o mais límpido e profundo amor de pai, amo a vida. Cada segundo que vivo agradeço a um deus que jamais vi, e que todas as vezes em que o senti, foi como sinto a brisa bem acima das copas florais de uma mata selvagem em primavera, ou o sereno que constato somente sobre rosas brancas, amarelas, salmão ou vermelho-fogo, sem ter visto de onde vem ou como se explica seu encadeamento molecular ou atomístico, deixo Deus de lado justamente porque o amo, e compreendo, talvez porcamente para uns, mas magnificamente para outros, que mensagem Jesus Cristo quis passar sobre irmandade... E sobretudo digo, poderás perceber em mim alegria, felicidade, pleno néctar vital, mas depois que entenderes o que quis dizer Exupery com “porque eu teria medo de um chapéu?” e a seqüência desta frase... É fácil conhecer Exupery pelo “És eternamente responsável por aquilo que cativas...” Isso é mole, pois é um prato cheio para as costumeiras distorções cretinas, principalmente as que visam disfarçar um egoísmo perverso e desamor disfarçado de amor... Mas compreendê-lo pelo todo que quis passar sobre um ato estúpido de um adulto perante uma criança aguardando a estupefação (fingida, que seja) perante uma “obra de arte”, bem... São “outros quinhentos”...
A arte, bem, a arte... é uma grande mentira, verdade... Sempre repito, em várias blogadas, o que disse Saladino às portas de Jerusalém quando Bloom lhe pergunta: "o que há aqui?", diz o verdadeiramente nobre monarca egípcio e herói muçulmano em duas etapas (no filme "Cruzadas"): "...nada..."... ...e... ...tudo... Bem... Que é a arte? Nada... e tudo... Quem somos nós?

Um comentário:

Bípedes disse...

Pura vida!

Caro Dante, estava eu ausente do mundo cibernético e quando volto, tenho a imensa felicidade de aqui está, e lê vossos escritos que edificam o pensamento do felizardo que visitar.

Enquanto a tua publicação, lhe digo que a minha morte é viver de uma maneira que ela não exista, sem direção ou lugar para ir após o sono eterno. Estar em constante renovação talvez seja uma grande saída para ter uma existência tranquila e sempre limpa, e que viagens por túneis com flashes de nossa passagem fique para aqueles que necessitam dar um significado ao breve pulsar de suas vidas. Cada um acredita naquilo que consegue.

Um amplexo!