CAMPO DOS GUAICURUS

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quarta-feira, 9 de julho de 2008

O ESTRANHO MUNDO DE JACK - PARTE 1

FONTE: cinema.uol.com.br
FONTE: joaomartins.entropiadesign.org

FONTE: www.animation-animagic.com

FONTE: tempestuoso.flogbrasil.terra.com.br

Um de meus professores de literatura, sujeito que respeito em grande escala, apesar de reservas e até restrições à determinados focos de visão que ele tem, foi taxativo em relação a um dos escritores que mais aprecio: “Bloom deve ser lido para verificarmos o quanto suas idéias estão ultrapassadas”. Além disso, ele ainda disse uns acréscimos contra o crítico estadunidense que tanto aprecio. A favor disse (meio que em forma de lamento) que Bloom é “sedutor” no tocante à escrita. Bem, só esse “sedutor” já faz valer a pena eu continuar com Bloom. Mas, contrariado, confesso que o professor conseguiu um efeito de desdouro sobre os livros que estão por aí espalhados no buraco negro que chamo de meu quarto. Lógico que esse desdouro sofrerá desgaste, voltarei, certamente, se não totalmente, muito perto disso, à apreciar com solenidade e poucas restrições meu velho crítico que mete sarrafo em tudo que não é canônico, e que valoriza Shakespeare como a seiva vital do mundo literário. Talvez eu tenha interpretado Bloom de forma errada, como interpreto de forma errada tantas coisas. Isso é que pode ter me dado tanta alegria e liberdade no que se refere ao “erro primário de interpretação, sobre uma leitura”. Consideremos que esse primário não se trata de uma leitura primeira, pode ser ainda primária uma décima leitura, no caso de persistir em uma interpretação sobre o principal que um livro “quer dizer”. Creio que Bloom tenha dito que ao interpretarmos de forma errônea (erro, aqui, é não entender a obra na forma que o escritor quis dá-la) uma obra, podemos a partir dessa “errada” interpretação construir uma nova obra “original”, baseada na equivocada interpretação. Para mim isso tem sido “constitucional”, primordial, e tem me feito muito bem. O erro é necessário em qualquer crescimento concernente à linguagem; e na arte então, ele, como provaram Dali e Duchamps, é extremamente compensador (A Mona Lisa de Bigodes “dalíticos”). Sendo assim é que faço aqui uma primeira interpretação de “O Estranho Mundo de Jack”, valendo-me apenas de ter assistido ao filme, há mais de 10 anos atrás. Depois farei uma segunda interpretação, a partir de novamente assistir ao maravilhoso filme, e ler críticas e comentários dispostos na internet. Essa primeira interpretação é simples e sucinta. Acho que Jack, ao ver o mundo humano natalino, com seus significados, principalmente através da linguagem conhecida como “presente”, sim, pois não é esse o principal objetivo de se presentear? Oferecer um significado, um 'símbolo' 'momentâneo' de nossa emoção? Pois bem, Jack mostra várias coisas a nós, inclusive uma das coisas que para mim é uma das de mais difícil interpretação, o “amor à pátria e patriotas”, o “nacionalismo e nacionalização (social, não política). Jack quer os “seus” (conterrâneos) envolvidos na tarefa de construir a alegria vigente no momento em que o maior objeto do amor humano, as crianças, recebem presentes de natal. Para isso, simplesmente rapta Papai Noel, e passa a substituí-lo através de uma grande “força tarefa” com os góticos e assombrosos seres de seu mundo. Enquanto isso Jack enfrenta situações como lidar com dificuldades vindas do sofrimento de sua amada nas mãos de um velhote cruel e trapalhadas sem fim de sua variada “equipe”. Só os momentos de contato entre Jack e o prefeito, já valeriam a arte de Burton. Aliás, achava até há pouco (antes de ensaiar uma primeira leitura sobre comentários presentes na internet sobre o filme) que a direção era de Burton, mas não é. Ele, na verdade produtor, a teria entregue a outro sujeito (Henry Selick ) com quem trabalhou também em James e o Pêssego Gigante, filme também do tipo “stop motion” (massinha). Enfim, o que quero comentar nessa parte um sobre “ O Estranho Mundo de Jack”, é que por maiores que sejam as boas intenções, sempre, mas sempre mesmo, sem exceções, esbarraremos no sistema. Não somente no sistema conhecido com o batido (e às vezes patético na boca de alguns hipócritas e ignorantes) sentido político; digo sistema, o conjunto ordenado de determinadas circunstâncias em torno de também determinados seres. No caso de Jack, o sistema foi simplesmente o ritual natalístico e os seres os humanos todos. Fim da primeira parte.

Um comentário:

Jack Ghellere disse...

Que prepotência a minha achar que "o estranho mundo de Jack" teria alguma coisa a ver comigo...rs...é que talvez não tenha te contado mas tenho uma amiga em especial que sempre dizia: "O fantástico mundo da Jack"...valeu tem um monte de nome de pessoas quase invísiveis daquela sala e o meu,,nem lembrança...valeu aí seu Dante..desculpe por ter nascido, e tb por ter batido a cabeça quando caí do berço..rs...Tô adorando ler estou a mais de duas horas lendo tudo como prometi..mas meu ego não permitiu ficar ausente em seu mundo...bjs..Te adoro...parabéns..pela sua sempre criatividade..Divina!!!!