CAMPO DOS GUAICURUS

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sexta-feira, 2 de maio de 2008

TALVEZ O ERRO SORRI AO NOSSO TEMOR FRENTE A ELE, SORRI PENALIZADO








(OBS.: LITERATURA, NÃO É RELIGIÃO, OK?, AO MENOS ÀS VEZES)

Quando Jó indagou a Deus: “Senhor, porque fizeste isto a mim? Tiraste deste fiel e correto servo tudo o que tem, e infligiste ainda dores atrozes pele e sentimentos adentro... Por quê? Ao que foi respondido: “Para provar tua fidelidade, pureza; provar o quão alto de grau de fé pode haver hum homem”. Ao que rebate Jó: “Sim, mas e para quem?”. E vem a estranha resposta: “Àquele que ‘duvidou’ disso”. Ao que humilde, corajosamente, coloca finalmente Jó: “Para que?“. A partir daí, na Bíblia Hebraica, Deus jamais volta a falar com o homem. Sim, a partir dessa fantástica explosão de inteligência por parte de Jó. E nesta pergunta última “Para que?”pode estar tanta coisa, tal como “Mas e foste, Senhor, Todo Poderoso, tentado? . Baseei-me aqui, num texto lido em sujeito chamado Jack Miles, aclamado quando saiu com seu livro “Deus”, e fracassado com “Cristo, uma crise na vida de Deus”.
Quando “prego” no meio escolar ou artístico algo chamado por mim de “Cultura do erro”, quero que fique claro que o erro, ou ver pessoas errarem, não é meu objetivo. Sei que fico vulnerável a más interpretações. Mas, onde não há má interpretação? O texto acima, baseado em palavras de um dos sujeitos que mais entende de interpretação bíblica no meio teórico teológico, endossa em parte o que quero colocar.
O erro é algo de nossa natureza, e a nossa natureza, mais que em outras, penso (devido ao aparelho perceptivo único –moral) pode e por nós deve ser induzida a isso, pode nos conceder a maravilha do universo no exercício de tese-antítese-síntese, buscando o acerto. Ficar com medo de cantar porque é desafinado? O que é erro nesse caso? Na “Cultura do erro”, erro é não cantar, não pintar, não escrever, com medo da repressão (que certamente vem). Defender nossa vida é uma obrigação e isso pode amparar muitas “covardias”; fugir de um latido enorme quando detrás há na realidade um cãozinho. Mas a covardia que leva um sujeito não só a se expor, mas, de forma vil ocultar sua covardia atacando quem se expõe; essa sim é uma covardia de envergonhar a raça humana. Somos seres pensantes, mas dependemos não somente dos projetos mentais, dependemos da experiência, nosso aprendizado depende da experiência. Que dizer de alguém que briga com um novato aprendiz, em seu primeiro dia? Proponho que o palco seja sim, o testemunho de resultados finais magníficos vindos da andança artística passo a passo, mas proponho que o palco seja também o lugar de quem desafina, gagueja, erra, chora, exaspera-se, mas vá, e vá, e vá ao palco. Estejam próximos a mim, eu os protegerei, juro! Eu serei junto de vocês a espada, e junto de vocês o escudo, e quando eu não puder protegê-los, arranjarei quem o faça, para que possam errar... É tão óbvio, mas tão desviável , isso de que para acertar é preciso errar, e mais, o erro é uma casa de prazer... Do contrário não teriam “pegadinhas” e quadros que mostram erros de filmagens, em grandes risadas e prazer de quem erra e quem assiste depois...
Estejam próximos a mim quando ouvirem “Santa Fé III”, eu repartirei convosco o pedacinho que consegui da arte... Estejam próximo a mim quando ouvirem minha voz lhes convidando para um encontro, dividirei convosco a ceia que não se curva aos mecanismos sob Chronus. Quando lerem “venha”, acredite que teu movimento não será em vão. Mas, só venha, só ouça, se entendeu que és perdoado pelos erros num mundo chamado Arte, onde o maior dos Deuses, é o mesmo daqueles que acreditam que Deus realmente entende a todos nós lendo as profundezas de nossos corações e não sua rasoura.

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