CAMPO DOS GUAICURUS

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sábado, 3 de maio de 2008

OS TITÃS E A SOMBRA DO SISTEMA






"O HOMEM NÃO PASSA DE UM MÍNIMO JUNCO FRENTE AO UNIVERSO, QUE PODE ESMAGÁ-LO FACILMENTE, COM UM MERO SOPRO. NO ENTANTO, O HOMEM SABE DISSO E O UNIVERSO NÃO, E ISSO NÃO É POUCA VANTAGEM AO HOMEM..." (Tirado em Pascal).
Fiquei um pouco decepcionado ao assistir dois de meus “ídolos” nesta semana. Renato Russo e Diogo Mainardi. Pelo Renato tenho amor incondicional, e no final de tudo, a decepção é como 1 grão de areia no Saara ou uma gota d’água no Pacífico (a mistura do óbvio e não óbvio, é por conta da influência renatiana). Mas de Mainardi foi surpreendente. Tão surpreendente, que pela primeira vez na vida sinto certa curiosidade em ler Fernanda Young, que para mim sempre representou pouco mais que nada no mundo artístico e de TV, e muito menos ainda no mundo literário. Ele meio que “travou”, não era o Diogo, era um sujeito desconcertado e desconcertante, fora da tão forte segurança que geralmente tem de si. Falamos (como outros já falaram), da tentativa do quadro da GNT de inverter papéis e brincar com isso, e nisto não se salvou (aliás, alguns até repudiaram, se eu considerar acertada a colocação de um blogueiro que observou que a Marília Gabriela nem trocou de lugar e demonstrou mais que muchochos) ninguém, acho. Para que não fiquem tão perdidos, estou falando de uma tentativa da GNT de apresentar um quadro bem humorado onde os papéis se invertiam dentro da programação, com o Diogo Mainardi, por exemplo ir fazer o “Irritando Fernanda Young” (que ficou irritando Diogo Mainardi, que no final irritou a mim e muita gente). A competência do Diogo é inquestionável, mas, tanto o Renato Russo quanto ele, nesta semana confirmaram o perigo que é misturarmos o Ser, com o Ser Artístico. Talvez isso dê um dínamo mágico, divino e diabólico ao mundo de Hollywood, e arremedos de seus padrões, quando todos, ávidos por humanidades dos “deuses” do cinema, TV e mundo musical, ou até esportivo e outros, vêem tais “deuses” abrirem a boca ou colocar em forma um ato e desmoronarem as ilusões que ajudam a construí-los. A mim, tanto Renato quando Diogo Mainardi continuam intactos, são titãs imunes à morte, ou a qualquer coisa enquanto houver o reinado do Homem. Mas a decepção (ínfima, perto do que são os dois) foi bem vinda para me recordar de ter prudência como os Seres... Pois mesmo os mais íntegros ou fortes, estão num mundo não só devorador, mas infinita e diabolicamente voraz; e a ele não basta às vezes apenas mostrar que somos o graveto de Pascal, que mostrar que verga o invergável...

Um comentário:

Dante Sempiterno - ( dantesempiterno@hotmail.com ) disse...

Mas não li Fernanda Young, nem vou ler, não digo que não devem lê-la, tudo deve ser lido por todos, Paulo Coelho, Fernanda Young, blogueiros anônimos, obscuros, claro. Mas alguém me disse um dia que Wilde recomendava que deveriam substituir "os cem livros que deveríamos ler" por "os cem livros que não nos faz falta ler". Como em tudo no converseiro do mundo há ressalvas e ressalvas, o mesmo sujeito observou que Wilde, porém, lamentavelmente, incluiu Platão, Agostinho e Aquino na lista dos "não" (por favor, sem comparações com Youg, certo?).