CAMPO DOS GUAICURUS

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sexta-feira, 9 de maio de 2008

DIÁRIO DE BORDO, DATA ESTELAR 171609052008.








Explico a "data estelar": hora, dia, mês, ano. Assim eu iniciava o registro de umas poesias influenciadas por viagens siderais nos tempos em que atrasava a passagem de menino para adolescente. Star Trek, Spock, etc.

Olha, blog, é um diário, lembram-se? Eu disse isso um dia. Embora eu abra mais espaço possível possa, para a poesia, é ainda um diário aberto. Então, sempre perdoem quando eu falar mais de mim que de outra coisa. Bem, "Guerra nas Estrelas" atravessou o tempo e tem fãs atuais. Mas o Pato Donald, acho que tem menos fãs brasileiros jovens. Ao menos, é o que posso supor, depois de "contar uma piada", e todos ficarem me olhando estranhamente, sérios... (garotos de um projeto que toco, e que considero quase filhos). "Ei, contei uma piada...". Então um deles sapeca: "mas quem é o Pato Donald?", ao que os outros dão um olhar lacônico que endossa a frase. Então... um guri de 16 anos de "minha época" que não soubesse quem era o Pato Donald era de Marte. Falando em Marte,

O Ricardo me fez visita ontem (Ele teve uma banda chamada "Lua de Marte"). Ele e a Elaine são pessoas carinhosas comigo, um lenitivo no mar de hostilidades que costumo encontrar. Eles realmente gostam de mim, e gostam do que escrevo. Os dois são, tenho certeza, meus leitores mais fiéis. O Ricardo, eu já disse, é um grande incentivador de minha escrita, responsável inclusive pela revisão quase final de um romance que tenho pronto (mas não editado). A Elaine tem um estilo muito peculiar de fazer isso, é reservada, é sutil, mas nunca parou de me incentivar a realizar tarefas pelo lado branco da força.

Bem, tenho que falar de alguém ou algo. Falarei da caduquice. Estou ficando velho, e constantemente penso na situação dos velhos. Isso é assunto que não caberia nem mesmo em um buraco negro se tratado genericamente. Falarei portanto de um ponto de vista específico sobre a caduquice. Às vezes não podemos conter o riso quando os vozinhos começam a dizer disparates tais como "Maria, você já recolheu os bezerros?", num contexto onde não há bezerros, e a Maria morreu há mais de dez anos. Tantas histórias vem das pessoas, se esse assunto é puxado... Há vários modos de abordar esse aspecto da senilidade geral, mas lembrarei o que disse Erasmo de Roterdã. Num trabalho genial em que dá vida à loucura, personificando-a, em primeira pessoa começa a narrar-se como aquele que é responsável pelo que de melhor ocorre à natureza humana (como pano de fundo, porque sutilmente arrasa a podridão da Igreja). Entre tantos dizeres se refere a essas loucuras dos velhinhos como um lenitivo da sábia natureza para aplacar a tristeza da partida para o incerto. Ele compara a mente do velho a da criança bem pequena; lembrando que os dois tratam a realidade com a loucura da distorção, e nos fazem rir porque há nisso uma inocência mágica... Não sei se serei um desses adoráveis velhinhos bobos antes de morrer, se o for, nada tenho contra, e só peço uma coisa aos guris que me lerem hoje. Já que fuçam tanto na internet, que tal descobrir quem é o Pato Donald e a família dele?

Elaine, Ricardo, eu também gosto muito de vocês, e o crédito que me dão aos escritos, são das coisas mais importantes da vida que tenho. Obrigado pela amizade de vocês :o) .

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