CAMPO DOS GUAICURUS

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sábado, 17 de maio de 2008

1979 - AMERICAN GENERATION











Aproxime-se da certeza, te encherás de dúvidas. Pensarmos em nossa pequenez, frente à complexidade do tempo, no tanto de gente que já foi gente pisando o chão e hoje faz parte dele, angustia tua mesquinha vontade de ser criador.



Certezas de mais de duas décadas, repentinamente, através de uma voz que parecia tão inofensiva, destroça-se... O homem pode ser instintivo, ao que me parece... Pode desconfiar que alguém lhe olha de soslaio, olhar, e lá estão te olhando, algum homem ou mulher... O único piso seguro é colecionar minutos.



Olhar a volta e assustar quanto ao número de teias de aranhas decenais em volta daqueles a quem é impossível negar amor, é inútil. Amá-los, normal como o fluxo de sangue continuar, se o corpo vive... Mas teu mundo não é esse, teu mundo é a loucura que te possibilita fechar os cacos coloridos da loucura com um qualquer. Essa é a única vantagem que tens e enxotas...



Seja sincero, seja correto, seja prudente e seletivo e terás os degraus que precisa... E só. Sejas hábil, cometa a mentira que te imploram para cometer, surja ao palco e diga “ser, porque é a questão”, e prossiga enigmático, desviado, falante apenas do que interessa a ti e só a ti... Alimente teu aparelho sexual, saia à estranheza das ruas, ao inusitado, arrisque a vida alheia sem ferir-lhes a alma de infecção perene e os terá, tão escravos quanto deles será... A loucura não tem lábios tão vermelhos e úmidos à toa, e só te assusta o suficiente.



A faca, o revólver escondido no viajante do inferno, é pior na imaginação que nas estatísticas: Não saio, não sou assaltado, não saio, não fodo. Não saio, não me entedio, não saio, não chupo bocetas, não chupo peitos. Não saio, não escuto músicas horríveis... Não saio, não sinto o cheiro das mercearias e de chocolate... Não saio, não sinto medo, não saio, não imagino o engano de que realmente me olharam “ela olhou para mim”; “ele olhou para mim”... Já estás morto faz tempo dirá inutilmente o espelho, é tanta preguiça... E os simples, os da mais baixa câmara, esses sim sabem que não saber é a melhor das tolices, pois a felicidade é dos idiotas desde que o mundo resolveu se civilizar a qualquer custo. Lambuzar-me de vinhos, de suco de boceta, de chupadas quentes, de silêncio com olhos no teto... Descobrir que ler clássicos, é a coisa mais estúpida que anda existindo, e pior, sussurrar a palavra “gênio” é ganhar o sarcasmo “novos olhares, muchacho, novos olhares, esqueça os yanques”. Quem vai me entender? Todos, pois quem é que não entende que nada se apreende, e quanto mais, o que é que se aprende com aprende grafado com um “e” apenas? American Generation...




Aaaaaaaaamerican Generationnnn.... estamos presos na American Generation... sexy black... que pernas dessas mulheres, que doce ilusão... Ainda bem que a verdade é tão quente... Estarei louco o suficiente? AAAAAAAAAmerican Generation....
Será que Freud avisou e não ouvi? Será que alguém explicou exatamente enquanto moucos estavam todos os primeiros ouvidos que tive no tempo? A-a-a-aa-aa-aa-aa... Generation.....

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