CAMPO DOS GUAICURUS

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terça-feira, 15 de abril de 2008

RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO








Ricardo, fiquei bastante feliz com tua visita e especialmente com teu agudo comentário sobre uma das "blogadas" mais recentes. Tens razão em todos os trechos de teus comentários. Logicamente a poesia ali impressa deixou fora de meu alcance alguns detalhes. Mas, realmente a vinda de um amor em minha vida seria algo ambíguo, se por um lado é possibilidade de alegria, de outro é obstáculo aos meus empreendimentos maiores. Quanto ao dito de Nietzsche, novamente tua agudeza acertou... Amo amar, talvez até sem que seja realmente amar, e sim uma construção fantasiosa no melhor sentido que tem para mim. E você é cuidadoso demais, Richard, para a liberdade e sagacidade que tens. Ora... Fique à vontade, jamais tema me ofender, não conseguiria, mesmo que tentasse. Você é comigo um Deus em meu Paraíso Particular, no sentido de que temos todos nós os nossos paraísos particulares... (também nossos infernos, mas disso não vim para falar) e a conversa nesse nível pode ter a mais furiosa das agressões verbais (que até hoje não houve), que ficará no campo da arte, automaticamente suavizado, e principalmente transformado em possibilidade de construção através da crítica.
O Ricardo é um artista, um músico, mas antes e sobretudo, é um desses seres humanos que tem muito mais "à mão" o sorriso. Prefere a falsidade de um "bom diaaa" à aspereza do "não vi" (mas viu). Não ignora jamais quem realmente o procura com a "Palavra", no sentido de que seja a "Palavra" o legado que torna o homem, Homem e a mulher Mulher. Quando não o conhecia, fui participar de um festival de música de igreja (é isso mesmo, e saibam, a única finalidade -fracassada, se bem que não de todo, pois uma garota entendida em letras musicais, que até hoje não vi, me contaram, impressionou-se com uma das letras- minha em tal evento, foi prestar ajuda com algumas letras e pô-las em destaque). No dia do evento, precisei de alguns favores, e me mostraram o sujeito em questão. Fui até ele, e foi sinceramente prestativo e simpático; dispôs-se, sem restrição alguma, a colaborar fazendo vez em alguns instrumentos que seriam tocados por gente que "furou" com o compromisso. Ali nasceu uma amizade que felizmente nunca teve senão a leveza da naturalidade. Jamais demos peso a nossa amizade, tudo ocorreu sempre sem artificialismo, apenas com respeito, cordialidade, e entre nós jamais houve o abandono de uma das partes. O Ricardo sempre foi um grande incentivador de minha poesia, e de meu lado, me inspirei em sua capacidade inata de abordar as coisas sem preconceito. Apesar de ele mesmo dizer que mudou alguns aspectos no "julgamento artístico", vejo, com satisfação, que na realidade continua aberto à todas as possibilidades e realizações artísticas. Sobretudo continua, na verdade, não julgando a arte, e sim dela participando. Admiro muitas coisas nele, uma delas é a maneira como é discreto com a própria vida, sem ser fechado. Sabe impor as fronteiras de que necessita, sem apelo autoritário. Seu filho tem sorte de ter um pai como o Ricardo, se ele é tão gentil com meninos que o buscam para jogos, para simples bate-papos sobre tudo, como não será com o próprio filho? Às vezes, quando os olho, tenho a sensação de estar olhando para um daqueles filmes gostosos de "sessão da tarde", em que pais e filhos tem uma magia verdadeira em suas relações. Ninguém é perfeito, ainda bem, mas, sinceramente, não gostaria nem mesmo de aventar busca em defeitos desse meu especial amigo. Não mesmo, prefiro ver nele as inúmeras virtudes tão visíveis, mesmo guardadas na humildade e discrição. E se tenho que fazer uma metáfora, digo que é interessante vê-lo a um só tempo, assistindo com intensa alegria um show de Sinatra, uma festa de reggae, uma apresentação de dupla sertaneja... Posso vê-lo, dançando uma música lenta com a "Pri" sobre o piano de Vanessa Carlton, ou caminhando sobre as cordas da guitarra de Keith Richards ou do baixo do "Flea", Michael Balzary. O Ricardo tem o surrealismo próprio dele mesmo, e quem tem em si as propriedades, como no caso dele, tem de minha parte um respeito solene. Para ele, eu: "clap, clap, clap, clap, clap..."

Um comentário:

RicardoCG disse...

Fiquei imaginando as inúmeras palavras que poderia dizer para retribuir este tópico, e percebi que não as tinha, porém com extrema alegria agradeço a homenagem prestada, como adorador da arte sabes o valor que as palavras tem e peço-lhe que continue a nos proporcionar o prazer da sua escrita, sua poesia, que seja com amor, com dor ou qualquer sentimento que influa na inspiração, mesmo sabendo que "escrever é um ócio muito trabalhoso".