CAMPO DOS GUAICURUS

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sexta-feira, 18 de abril de 2008

A POESIA, FEITA UNICAMENTE DE FURTOS E FURTIVOS...






Mais esconde que revela. O que revela é habilmente falso para que creias. O óbvio é o enganador. Um, Renato tapeou a todos, maravilhosamente, até hoje. Tapeou até uns trouxas que são pagos (quer dizer, muito mal pagos, decerto) para falar de música, e o classificaram de artífice de música de auto-ajuda (putz, e aí não cabe o caso nem de marketing, ou erro previsto, ou qualquer justificativa, é trouxice mesmo).
Entre os aforismos de Kafka, como não gostar de tantos, deste sujeito que não conseguia ter percepção musical e compôs com um piano do inferno em mão esquerda e piano do Paraíso em mão direita. Como não gostar de coisas como essa aqui: “Todos os erros humanos resultam da impaciência, uma ruptura precoce do
metódico, um aparente bloqueio das coisas aparentes.” (Kafka – Aforismos – 28).
Não gosto da escrita de Deepak Chopra, acho, na verdade sofrível dele ler uma única página, mas reconheço, ele sabe o que é bom, e sobre Kafka escreveu: “Kafka teria dito, ‘o universo não tem nenhuma saída senão a nós se render”. Penso que disto se pode inferir que Kafka, dado a combater a impaciência e anti-métodos, queria dizer que o “passo a passo” é uma chave universal para a vitória.
As nuvens estão escuras e a aglutinação de inércia força-me a suspirar o suspiro da desesperança cravada de esperança...
Quem será está prestes a estar em minha porta? O dinheiro, o amor? Ou a continuidade da miséria. Comisero-me de quem de mim se comisera, mesmo dada a fúria sob a qual meu escudo estressa-se e minha espada verga, tenho seguido, sob Beethoven e sua Nona... Sob a eterna ilusão de uma bandeira chamada “O povo tem poder”... Sou eu aqui, construindo o sangue azul para por em minhas canetas... Amo alguém, não amo, amo, não amo, amo não amo... Que posso dizer sobre isso senão que amo a mim próprio... Kafka, sugarei todos os ossos das orações que deixaste, mesmo que antes de ti estejam Breton, Blanchot, Sartre, o fracassado Sartre, tantos outros e a fúria escrita verde daquele que ousaram tentar construir e ruir nomes...
Devorarei a mim próprio se for necessário, mas minha carruagem, varando as chamas realmente e debochadamente efêmeras dos que desprezam enquanto os fazemos, abrirá as portas bem onde quero, bem sob o nono coro, quase que ao final, e beijarei tua boca ressequida, estarás velha e abandonada... apodrecida pela tua própria lentidão em decifrar a patifaria chamada mundo... E esse beijo selará a abertura da passagem... que passagem? Isso é outra história...

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